21 abril 2014

Milano, a capital do Imperio Romano do Ocidente




antiga porta de acesso à cidade

(continuação da parte 1)

Milão é uma cidade que esbanja requinte e elegância, mas também guarda um marco importante na história do cristianismo, o que se pode constatar pela existência de dezenas de igrejas em Milão. Chamada na antiguidade de Insúbria e depois Mediolanum, no local havia uma cidade celta desde 600 a.C. que foi conquistada pelos romanos em 222 a.C. 

Quase 500 anos depois, o Imperador Romano Dioclesiano decidiu dividir o Império Romano em Ocidental e Oriental. Milão foi declarada como a Capital do Império Romano do Ocidente e seu amigo Maximiniano indicado para governar a cidade. Imediatamente o novo governador mandou construir diversos monumentos gigantescos, como um grande circo, as termas Erculee, um grande complexo de palácios imperiais e outros edifícios, dos quais atualmente restam poucos vestígios nas proximidades do Parco delle Basiliche.


antiga porta de acesso à cidade


Portais: Como uma cidade romana Milão era cercada por uma longa muralha, que posteriormente foi ampliada na época medieval e no período espanhol. O acesso à cidade era feito por varios portais, como a Porta Giovia, Porta Vercellina, Porta Ticinese, Porta Romana, Porta Herculea, Porta Orientale, Porta Nuova, Porta Comasina, Porta Venezia, Porta Garibaldi e outras, das quais ainda existem algumas.


conversão de Constantino

Imperador Constantino: A partir do ano 303 o Imperador Diocleciano decretou uma sangrenta perseguição aos cristãos do Oriente, que se estendeu sobre o Ocidente. Ele estabeleceu que todos deveriam reverenciar as divindades romanas; quem desobedecesse seria condenado à morte. A partir disso, todas as igrejas e símbolos cristãos foram destruídos e os cultos cristãos proibidos.

Essa foi uma época considerada Era dos Mártires, quando muitos cristãos foram cruelmente torturados e assassinados como São Sebastião, Santa Luzia, Santa Inês, os gêmeos Cosme e Damião, São Jorge, São Pancrázio, os Papas Marcelino e Marcelo I e muitos outros. Alguns anos depois o Imperador Dioclesiano ficou severamente doente e teve de abdicar do trono.

Constantino foi nomeado para governar o Império do Oriente e depois conquistou o Império do Ocidente. Segundo antigos relatos, antes de uma batalha Constantino leu numa cruz: "Sob esse símbolo vencerás". Logo o imperador mandou pintar o sinal da cruz nos escudos de seus soldados e venceu a batalha.

Constantino entrou para a história como o primeiro imperador romano a se converter ao cristianismo, principalmente por influência de sua mãe que mais tarde tornou-se Santa Helena. No Oriente a perseguição aos cristãos terminou oficialmente em 30 de abril de 311 e no Ocidente em fevereiro de 313, quando Constantino publicou o "Édito de Milão" concedendo liberdade religiosa para os cristãos.


Collone de San Lorenzo
Basílica de San Lorenzo / Monumento Constantino

Parco dele Basiliche: Em frente à Basílica de San Lorenzo Maggiore existe um monumento dedicado ao Imperador Constantino. É uma das igrejas mais antigas e que tem a maior abóboda de Milão. Construída originalmente entre os anos 300/400 no Parco delle Basiliche ou Parque das Basílicas, certa vez foi destruída por um incêndio. Em 1573 a igreja desabou inesperadamente.

Sua aparência atual resultam de diversas reconstruções através dos séculos. À frente da basílica estão as ruínas de colunas romanas do século 2, chamadas de Colonne di San Lorenzo. Originalmente elas pertenciam a um templo pagão romano do século 3 e foram transferidas para completar a praça. Antes da Segunda Guerra Mundial haviam muitos cortiços entre a basílica e as colunas, que foram demolidos para dar maior amplitude à praça tornando-se um ponto de encontro de jovens milaneses.


Basilica de Sant Eustorgio
 


Basílica de Sant'Eustorgio: Próximo ao Parco delle Basiliche está a Basílica de Sant'Eustorgio. Foi fundada em torno do século 4, tendo sido dedicada a Eustorgius que foi bispo de Milão. Na antiguidade a basílica atraia muitos peregrinos por ser considerado o local onde estavam os restos mortais dos Três Reis Magos. A Santo Eustorgius se atribuiu a transferência das relíquias dos Três Reis Magos de Constantinopla para Milão no ano 344.

Quando Milão foi saqueada pelo cruel Imperador Germânico Frederico Barbarossa, que era chamado assim devido à sua barba ruiva, em 1164 ele levou para a Alemanha os restos mortais dos Três Reis Magos: Baltazar, Melchior e Gaspar. Hoje as relíquias estão na Catedral de Colônia, mas no alto da torre uma estrela de 8 pontas relembra a devoção aos santos reis.

O local coincide tradicionalmente com uma fonte onde foram feitos os primeiros batismos, sendo considerado um dos mais antigos lugares de oração dos cristãos. Abaixo do piso da basílica há vestígios de um cemitério com sepulturas de cristãos e pagãos, que foram vítimas da perseguição dos romanos.

No cemitério dos mártires foram encontrados achados arqueológicos, sendo um deles uma pedra na qual está esculpida a figura de um jovem em atitude de oração e com os braços levantados. Por esta razão, ainda hoje é mantido o costume de orar assumindo a mesma atitude do jovem esculpido na pedra.

Ao longo dos séculos, foram feitas reformas, acréscimos de construção e redecoração que resultaram na atual estrutura da basílica e que mantém atualmente o Museu Diocesano contendo uma extensa coleção de obras de arte de renomados artistas, mobiliário e objetos litúrgicos. A basílica também foi usada pela inquisição até 1550, quando muitas pessoas acusadas de heresia e bruxaria foram torturadas ou queimadas no bosque. Chamado antes de Parco delle Basiliche, foi renomeado e atualmente é chamado Parco Papa João Paulo II.


Naviglio


Bairro Naviglio: Adiante do Parco delle Basiliche há uma praça com um monumento que contém com a inscrição: "Paci Popvlorvm Sopitae", que significa "A paz liberta os povos". E quem ousa descobrir mais sobre a cidade acaba encontrando lugares pitorescos como o bairro Naviglio com seus românticos canais. Muitos artistas buscam inspiração nesse local idílico, onde há um mercado de antiguidades no final de cada mês. 

Ao longo dos canais há casas, bares, restaurantes, lojinhas de antiguidades e antigos barcos que permanecem ancorados e funcionam como bares e cafés. É um lugar movimentado, sobretudo quando se realiza feiras e eventos, quando mesinhas e ombrelones transformam as margens dos canais em um lugar muito animado.

Já na época romana haviam canais que eram usados para irrigação e transporte de mercadorias. No século 12 os canais foram reconstruídos, sendo o Ticinello o mais antigo da cidade cuja obra foi iniciada em 1179. Rapidamente surgiram outros canais deixando a cidade parecida com Veneza. Ainda hoje pode-se apreciar o antigo Vícolo dei Lavandai, um lugar histórico que relembra o local onde se lavava roupas à beira do canal onde, estranhamente, só os homens lavavam roupa no local.

E assim foi criado um dos maiores portos fluviais da Itália. O mármore usado na construção da Catedral de Milão foi transportado através de um desses canais que chegava até o centro da cidade. Com a invenção do automóvel, que tornou o transporte rodoviário mais rápido, muitos canais foram aterrados e transformados em estradas. Atualmente restam três canais, sendo o Naviglio Grande um dos locais mais visitados durante os meses de verão.



Igreja de San Cristoforo sul Naviglio: Na região há várias igrejas, mas tem destaque a antiga igreja de San Cristoforo sul Naviglio. Ela foi construída às margens do canal numa época em que Milão foi atingida por uma peste que matou 20.000 pessoas em meados de 1360. Segundo lendas, a peste chegou em Milão e na região da Lombardia devido às incursões de Galeazzo Visconti, que trouxera mercenários persas para a cidade.

Nessa época foi construída uma capela dedicada a San Cristoforo, santo padroeiro dos doentes e leprosos, a quem se atribuiu a extinção das doenças em 1399. A partir de 1405 foram adicionadas novas construções, afrescos nas paredes e terminada a fachada que contém o brasão de armas da nobre família Visconti.


Castelo Sforzesco

Dinastia Visconti: Visconti foi uma nobre família da Itália que governou a cidade de Milão entre 1277 a 1447. Nessa época teve início a construção do Castello Sforzesco, que é um dos principais símbolos de Milão e de sua história. As obras do castelo tiveram início em 1360 junto à entrada das antigas muralhas romanas para ser uma fortaleza, tendo sido por isso chamado de Castello di Porta Giovia.

As grossas paredes do castelo sussurram sua fascinante história, de muitas conquistas entremeadas de traições e fracassos. Na época da construção do castelo, Milão era governada pelo Duque Galeazzo Visconti II, que foi sucedido por seu filho Gian Galeazzo Visconti - Duque de Milão entre 1378/1402.

Gian Galeazzo Visconti ficou conhecido na história por sua mania de grandeza. Foi dele a ideia de construir a Catedral de Milão e de ampliar o castelo para tornar-se a residência oficial da família Visconti, até que o último duque Visconti morreu em 1447 sem deixar herdeiros masculinos, finalizando a Dinastia dos Visconti em Milão.

Bianca Visconti era filha do último duque Visconti e tinha sido prometida em casamento desde os seus 6 anos de idade. Apesar dos mais de 20 anos de diferença de idade, para cumprir a promessa Bianca se casou com  Francesco Sforza pouco antes de seu pai morrer.


Francesco Sforza
Dinastia Sforza: O Ducado de Milão foi ocupado por Francesco Sforza a partir de 1450, dando início à Dinastia dos Sforza em Milão. Bianca e Francesco tiveram 2 filhas e 6 filhos, entre eles Galeazzo Maria e Ludovico Sforza, que futuramente se tornariam duques de Milão.

Com a morte do marido em 1466, Bianca tornou-se duquesa de Milão tendo colocado seu filho Galeazzo Maria para ajudá-la. Ele se mostrou amável com sua mãe, mas apesar de seus 22 anos de idade já demonstrava um temperamento instável e traiçoeiro.

Aos poucos Galeazzo Maria foi assumindo a regência do ducado, até que sua mãe teve de ausentar-se para cuidar de sua avó.  Três anos depois, durante as núpcias de seu filho Bianca veio para a festa. A partir daquela noite ela tornou-se doente vindo a falecer alguns meses depois. A doença da duquesa e sua morte levantaram suspeitas, pois muitas pessoas próximas a Galeazzo Maria tinham morrido envenenadas.

Apesar de seu casamento, Galeazzo Maria era um mulherengo e várias vezes foi acusado de estupro de senhoras e moças da cidade. Após um ano do seu casamento, sua esposa morreu antes de completar 18 anos de idade. Imediatamente ele negociou seu casamento com a filha do Duque de Saboia com quem teve três filhas e um único filho. Logo depois ele foi assassinado.


Ludovico il Moro
Gian Galeazzo Sforza sucedeu o pai e tornou-se Duque de Milão em 1476. Por ter apenas 7 anos de idade, seu tio Ludovico Sforza tornou-se seu tutor. Ao atingir  a maioridade, Gian Galeazzo assumiu o ducado, casou-se, teve três filhas e apenas um filho que se chamava Francesco Sforza II.

Inexplicavelmente o duque Gian Galeazzo ficou doente e morreu antes de completar 25 anos. Levantou-se a suspeita de que ele tivesse sido envenenado pelo próprio tio. Por coincidência, o único herdeiro também morreu jovem ao cair de um cavalo.

Em 1494 Ludovico Sforza, também conhecido como Ludovico il Moro devido à sua pele morena, tornou-se oficialmente o Duque de Milão. Durante seu governo o castelo foi renovado e decorado,  tornando-se uma faustosa obra. Ele tinha interesse nas artes e se tornou patrono de grandes artistas, entre eles Leonardo da Vinci.


Beatrice d'Este
Ludovico casou-se com Beatrice D'Este e o irmão dela casou com Anna Sforza, a sobrinha de Ludovico. Esse duplo casamento trouxe a aproximação do Ducado de Milão com o Ducado de Ferrara. Com apenas 15 anos de idade, Beatrice trouxe alegria ao castelo de Milão e encantou o povo milanês com seu riso e seu modo extravagante de viver.

Com seu bom gosto, Beatrice sugeriu a decoração do castelo e tornou seu marido mais seletivo na escolha das artes. Ela gostava de festas e ajudava a organizar grandes bailes. Devido à sua boa educação, ela apreciava estar junto de sábios, artistas, poetas e filósofos.

Apesar de seu casamento, Ludovico ficou conhecido por suas inúmeras amantes com quem também teve filhos. Beatrice teve dois filhos, Maximiliano e Francesco Sforza II, mas faleceu em 1497 durante um parto difícil antes de completar 21 anos. Ludovico ficou inconsolável e ainda por cima perdeu o ducado de Milão que foi invadido pelas tropas do rei Louis XII da França.

Privado de todas as comodidades do castelo, Ludovico passou o resto de seus dias num calabouço onde morreu em 1508. Seus restos mortais e de sua esposa foram enviados para a Certosa de Pavia. Alguns anos depois o ducado foi restituído a seus filhos, mas Maximiliano Sforza abdicou e Francesco II faleceu. Terminava assim a dinastia dos Sforza em Milão.


Castelo Sforzesco

Castelo Sforzesco pátio


Castelo Sforzesco: O castelo possui várias torres. As torres redondas que estão à frente são conhecidas como Torre di Santi Spirito e Torre del Carmine. Na entrada principal do castelo está na Torre Filarete, que é a mais alta e que leva ao pátio interno chamado Piazza d'Armi. 

No pátio destaca-se a Torre Bona di Savoia que é uma homenagem à duquesa de Milão em 1466.  Atrás da torre ficava o coração do castelo. É onde viveram as famílias Visconti e Sforza. No Cortile della Rocchetta e na Corte Ducale estão os quartos decorados com magníficos afrescos feitos por Donato Bramante no século 15.

As torres convencionais na parte posterior contém salas com afrescos. A Torre Castellana era usada para guardar os tesouros onde Bramantino criou o seu "Argos". A Torre Falconiera contém a "Sala delle Asse", onde está o afresco mais famoso do castelo feito por Leonardo da Vinci.







Museus do Castelo: Depois da Guerra Italiana, Milão foi governada pelo Império Espanhol entre 1535/1706 e pelo arquiduque da Áustria de 1706 a 1800. Sob o domínio estrangeiro o castelo foi negligenciado e passou a ser usado apenas como quartel. 

Durante a unificação italiana em 1860, o castelo estava tão destruído que chegaram a pensar em demoli-lo. Em 1893 o arquiteto Luca Beltrami se propôs a restaura-lo e o converteu em um local público para exposições, tendo sido amplamente restaurado depois da  Segunda Guerra Mundial.  

Diversos museus estão distribuídos por vários andares ao redor do Cortile della Rocchetta e a Corte Ducale: Museu de Artes Antigas, Museu de Artes decorativas, Museu de Instrumentos Musicais, Museu Arqueológico, Museu Egipcio, Museu da Pré-historia e outras exposições de artes.







A coleção de artes aplicadas inclui muitos objetos em ouro, prata, vidro, porcelana, marfim e ferro forjado desde a Idade Média até o século 19. São notáveis as tapeçarias Trivulzio. Entre as muitas obras-primas do castelo tem destaque Rondanini Pieta, a última obra inacabada de Michelangelo Buonarotti que trabalhou lá até a véspera de sua morte em 1564.

Próximo ao castelo, o  Museo d'Arte e Scienza na Via Quintino Sella  é um marco para os colecionadores de arte. É o mais importante centro europeu para a verificação da autenticidade das antiguidades, sendo dividido em várias seções. Uma delas é dedicada a exposições permanentes de obras de Leonardo da Vinci. O prédio também incorpora parte da passagem subterrânea do Castelo Sforza.


Museu arqueológico: Milão antiga

Igreja San Maurizio

Museu Arqueológico:  Fora do castelo há o Museu Arqueológico, que está instalado no ex-convento de San Maurizio na Via Magenta. As diversas seções são separadas por assunto e época: pré-história, grega, etrusca, egipicia, Milão medieval, a arte de Gandhara com estátuas e relevos da doutrina budista etc. 

O complexo religioso foi construido reutilizando parcialmente antigas paredes das construções romanas. Ainda restam vestígios romanos, que podem ser vistos através de uma sala atrás do museu. O "Monastero Maggiore" é o mais antigo convento beneditino de Milão.

Anexo ao monastério está a Igreja de San Maurizio construída em 1503. Apesar de sua aparência externa muito simples, seu interior contém belíssimos afrescos e um órgão de 1554 que ainda funciona quando são realizados concertos sazonais.


Pinacoteca de Brera
Pinacoteca de Brera
Museu do renascimento

Pinacoteca de Brera / Museu del Risorgimento: No trajeto que leva ao castelo está a Pinacoteca di Brera, que é uma das galerias de arte mais importantes da Itália e um dos locais mais belos de Milão. Ali está reunida uma impressionante coleção de pinturas de mestres italianos dos séculos 14 a 20, incluindo Caravaggio, Bellini e Rafael e também uma grande coleção de arte veneziana. São mais de 20 salas com obras organizadas cronologicamente.

A pinacoteca foi criada quando a Imperatriz Maria Teresa da Áustria promoveu em 1773 um projeto e transformação do antigo Colégio dos Jesuítas em um centro científico e cultural. No pátio existe uma estátua de Napoleão que foi retratado como Marte, que durante seu governo confiscou muitas obras de arte e levou-as para a pinacoteca. No Museu Jardim Botânico onde estão árvores antigas, como um par de Gingko Biloba e diversas outras de grande valor.

Do outro lado do quarteirão está o Museu del Risorgimento. No local estão reunidas obras de arte, pinturas, gravuras e objetos que ilustram a história italiana no período de 1796 a 1870. A exposição segue uma ordem cronológica através de quinze salas. Ele está situado no Palazzo Moriggia, cujo proprietário era o Marquês Moriggia que morreu sem deixar herdeiros.


Museu Poldi Pezzoli

Museu Poldi Pezzoli

Museu Poldi Pezzoli: Milão sempre foi voltada para a arte e a cultura e isso por ser notado em suas inúmeras galerias com exposições sazonais e permanentes, assim como nos pequenos museus que são muito interessantes. Um deles é o Museu Poldi Pezzoli que tem uma extensa coleção artística. Instalado numa residência aristocrática, o próprio prédio é uma atração e merece ser explorado em seus magnifícos detalhes.

O museu foi inaugurado em 1881 após a morte de Gian Giacomo Poldi Pezzoli, que era muito interessado em artes e que durante sua vida se dedicou a colecionar vários objetos. Muitas obras se perderam durante a Segunda Guerra Mundial, mas o museu reabriu com o que restou em 1951. No museu há também peças decorativas, armas e armaduras, mas a grande atração é uma sala onde estão as peças mais valiosas. Uma delas é a "Pietà" de Botticelli.

 
Museu Bagatti Valsecchi

Museus residenciais: Há outros museus que foram organizados pelos próprios moradores em suas residências, tal como o Museu Bagatti Valsecchi organizado por dois irmãos que pertenciam à alta sociedade de Milão. Localizado no Quadrilátero, no local há uma interessante coleção de pinturas do renascimento, do século 13 ao século 16, além de peças decorativas, móveis, tapetes, armaduras, espadas, relógios e outras peças.

Outro é o Museu Boschi Di Stefano que nasceu da generosidade de Antonio Boschi e Marieda Di Stefano, que em 1973 doou a sua coleção de arte contemporânea para ser organizada uma exposição na casa da família. A visita é gratuita e a prestigiada coleção inclui móveis contemporâneos, decoração Art Deco e obras de arte.

A Villa Necchi Campigli também se tornou um museu. Situada perto da Piazza San Babila, é decorada com móveis e detalhes dos anos 1930 e algumas artes antigas do século 17 e 18. Uma cortina de vidro traz o jardim para dentro da sala. Depois da visita é possível tomar um chá à beira da piscina.  


Parque Sempione
Arco da Paz

Arco da Paz
mapa do centro de Milão

Parco Sempione: Atrás do Castelo está o Parque Sempione, uma extensa área verde que na antiguidade foi uma floresta e depois transformado em jardim do castelo. Após a morte do último duque Sforza no início dos anos de 1500 os jardins ficaram abandonados.

O parque foi reconstruído entre 1888/1894 quando foram incluídas as vias transitáveis, o lago, a biblioteca e os jardins projetados em estilo inglês. Além de ser um lugar agradável para passear, há duas atrações: a Torre Branca com mais de 100 metros de altura.

E quem curte design de móveis e decoração não pode perder as exposições da Triennale di Milano. No local há  exposições e eventos que tratam do design contemporâneo italiano, de arquitetura, planejamento urbano e artes em mídia. No museu há uma coleção de peças que recontam a história do design italiano, que se tornou celebre e reconhecível em todo o mundo.

Faz parte da moldura do parque o "Arco della Pace", cujas obras foram iniciadas em 1807 para celebrar as vitórias de Napoleão. Na época chamado de "Arco delle Vittorie", mas diante da derrota de Waterloo o arco permaneceu inacabado. Só foi concluído durante o domínio do Imperador Ferdinando I da Áustria. Atualmente o arco triunfal marca o centro da praça e a melhor visão que se tem do arco é de longe, de preferência pela lateral do parque onde é possível ver a "Biga da Paz" acima do monumento.


Igreja Santa Maria dele Grazie

Igreja Santa Maria dele Grazie
"Ultima Ceia" de Leonardo da Vinci

Basílica S.M. dele Grazie / "Última Ceia": O Duque Ludovico il Moro era apaixonado pela Basílica de Santa Maria delle Grazie, que é uma impressionante obra de Milão construída originalmente a partir de 1466 bem perto do castelo. Depois que foi concluída o duque decidiu acrescentar novas áreas à igreja e quis embelezar o refeitório, tendo encomendado a Leonardo da Vinci o afresco da "Última Ceia" que é uma das mais famosas obras do artista e de Milão.

Os anos em que Leonardo da Vinci passou na corte de Milão ficaram marcados na história da arte como o ápice de sua trajetória artística,  mas a lentidão do artista na obra encomendada tornou-se uma lenda. Às vezes o artista passava um dia inteiro pintando, mas às vezes passava vários dias sem tocar nos pinceis. Conta-se que o próprio duque, que tinha formação em artes, teria ajudado a finaliza-la.

As obras do afresco foram feitas entre 1495/1498, tendo como ponto focal os gestos e olhares dos apóstolos, cada um caracterizado com a reação diante das palavras de Cristo: "Algum de vocês vai me trair." Devido ao material utilizado e à umidade, após 20 anos de sua conclusão a obra começou a deteriorar. Quando a cidade esteve sob o domínio de Napoleão o refeitório foi usado como estábulo.

Várias restaurações foram feitas para preservar a famosa obra que já esteve em risco de desaparecer. Em 1943 o complexo quase foi totalmente destruído devido aos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. As paredes laterais do refeitório não resistiram, mas milagrosamente a parte onde está a "Santa Ceia" ficou de pé.


Leonardo da Vinci
Museu e Ciência e Tecnologia

Museu de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci: O Museu de Ciência e Tecnologia de Milão é um dos maiores museus de tecnologia e ciência do mundo, possuindo várias seções como a oficina do relojoeiro, os antigos computadores, acervo histórico, um galpão com barcos, protótipos, um pátio com locomotivas, aviões, um submarino e tudo o quanto se possa imaginar em questão de ciência e tecnologia.

O mais interessante é que esse museu retrata fielmente a genialidade do grande mestre da pintura, que tinha múltiplos interesses além de sua arte. Reverenciado pelos milaneses através dos tempos, Leonardo da Vinci dividia seu espírito criador com a pesquisa científica.  Por ser solitário, da Vinci ficava horas escrevendo suas ideias. Isso explica porque muitas vezes demorava para entregar seus trabalhos de pintura.

Tinha o hábito de escrever de trás para frente e ninguém conseguia decifrar o que estava escrito. Talvez fosse pelo medo de ser confundido com um bruxo. Ainda mais porque costumava desenhar asa delta, helicóptero, bicicleta e outras coisas desconhecidas e que só viriam a ser inventados muitos séculos depois. Ele era sobretudo um visionário, muito adiante de seu tempo. Certa vez disse: 

"Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa,
nunca tem medo e nunca se arrepende ".  
( Leonardo di Ser Piero da Vinci  )



4 comentários:

  1. Oi, Lucia. Que post maravilhoso. Acabei de me mudar para Milão e foi uma delícia conhecer um pouquinho mais da cidade aqui. Parabéns!

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Agradeço por sua visita e seus comentários

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Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.