09 julho 2017

Firenze 10 - Santa Croce



Piazza San Firenze 

Localizada bem perto da Piazza della Signoria, a Piazza San Firenze é uma das praças mais movimentadas da cidade. Cercada pelo Complexo San Filippo Neri, o Palazzo Gondi e o Palazzo Columbia, esse é o ponto de partida para a descoberta de interessantes praças e museus.




Complexo di San Filippo Neri

O imponente complexo, usado até recentemente como sede da Corte, tem uma bela fachada decorada por diversas esculturas. Construído encima de uma antiga igreja, à esquerda está a Igreja de San Filippo Neri erguida entre 1668/1715 e à direita a capela, construída entre 1772/1775.



Palazzo Gondi

O Palazzo Gondi, um excelente exemplo de arquitetura residencial do século 15. Desenhado pelo arquiteto Giuliano da San Gallo em 1490, dizem que na época a casa onde morava Leonardo da Vinci foi destruída para expandir o canteiro de obras.

Teria sido nessa velha casa que Da Vinci teria pintado a Monalisa, que hoje encontra-se no museu do Louvre. Ainda hoje o palácio pertence aos descendentes da família, sendo o piso  térreo ocupado por estabelecimentos comerciais.



Palazzo Columbia - Parlamento

Outro palácio da Piazza San Firenze é o Palazzo Columbia, que se tornou hotel em 1865, sendo frequentado por parlamentares e senadore. Devido ao seu padrão luxuoso, recebia hóspedes ilustres. Restaurado no século 19, ainda hoje é uma das opções de hospedagem em Firenze.



Borgo dei Greci

Firenze tem origem romana e ainda conserva alguns de seus traços antigos. Tendo sido importante ponto para se chegar a Roma na época de Júlio Cesar, no trajeto entre a Piazza di San Firenze e a Piazza Santa Croce existiu naquela época um grande anfiteatro romano construído no século 2.

O Borgo dei Greci corta a área onde antes existiu o anfiteatro. Embora já não exista mais, as ruas ainda conservam as linhas da construção. Basta seguir da Piazza dei Peruzzi até a Via Torta para constatar a meia circunferência. Na época, pequenas casas alinhavam-se ao redor do anfiteatro.

Uma construção que se destaca nessa região é a Torre dei Peruzzi, que foi construída pelos famosos banqueiros da família Peruzzi. Situado de frente para a Piazzeta Peruzzi, nas demais contruções pode-se perceber o estilo medieval que sobreviveu.




Piazza Santa Croce

Saindo do estreito Borgo dei Greci chega-se à ampla Piazza Santa Croce. Embora esteja situada um pouco distante dos pontos turísticos mais populares, é famosa entre os fiorentinos, por servir de palco para festas, shows, exposições e outros eventos, além do dos animados mercadinhos na época do Natal.

É também nessa praça onde acontece o Calcio Storico Fiorentino, que é realizado todos os anos em 24 de junho - dia de San Giovanni, quando a praça se transforma numa grande arena. Realizado desde o século 15, o evento esteve suspenso em 1739 e só recomeçou em 1930. Embora o espetáculo seja um pouco violento, é uma tradição da cidade.

Cercada por belos palácios antigos, ao redor da praça encontram-se as famosas lojas fiorentinas que vendem acessórios e roupas de couro. Nas imediações da praça também encontram-se lojas de artesanato e antiguidades. Uma fonte marca a entrada da praça. Tendo sido restaurada recentemente, voltou a jorrar água. 



Palazzo dell'Antella

Destaca-se na praça o Palazzo dell'Antella, que nasceu da fusão de várias casas no século 15. No início do século 17 o palácio foi dado como um dote para o Senador Nicholas dell'Antella, que ampliou a propriedade e definiu sua ampla fachada. A fim de dar uma aparência uniforme para a propriedade, ele mandou pintar os afrescos com alegorias que exaltasse o governo dos Medicis.

As pinturas foram feitas 1619/1620 por uma equipe de treze jovens artistas liderados por Giovanni da San Giovanni.  Comprado em 1925, o novo proprietário mandou restaurar as pinturas. Uma nova intervenção foi feita entre 1991/1992, sendo agora considerado como Patrimônio Artístico Nacional. O palácio possui salas com afrescos e também um jardim secreto.



Palazzo Cocchi-Serristori

Outro de destaque é Palazzo Cocchi-Serristori, que hoje pertence à prefeitura de Firenze. Segundo historiadores, o palácio foi comprado pela família Cocchi em 1463. Foi habitada pelo médico Antonio Cocchi e depois pela filha de Luigi Serristori, daí permaneceu o nome do palácio.



Basílica Santa Croce

A Basílica de Santa Croce é uma das igrejas mais bonitas de Firenze. Batizada como a "igreja de todos os cidadãos florentinos", as obras de construção foram feitas pelo famoso arquiteto Arnolfo di Cambio e pagas pelos cidadãos no final do século 13, tendo sido erguida onde já existia uma igreja franciscana.

Na época essa era uma área pobre e pouca habitada, mas ideal para acomodar a multidão de peregrinos que vinham assistir as representações sagradas, mas também os torneios antigos. Construída em estilo gótico entre 1294/1443, a fachada coberta por mármores branco/verde só foi concluída no século 19.

Ao lado da igreja na parte externa foi feito um grandioso monumento para homenagear Dante Alighieri, cujo corpo foi sepultado em Ravenna. Através do claustro é possível apreciar a bela Capella Pazzi concebida por Brunelleschi, uma jóia da arquitetura renascentista.








Em seu interior há obras artísticas de Donatello e belas capelas concebidas por Michelozzo, ricamente decoradas com afrescos, que dedicadas às famílias fiorentinas que patrocinaram a construção da igreja. Aliás, essa igreja é um precioso museu. Além das capelas dedicadas aos nobres, nas laterais estão sepultadas 276 personalidades das artes, tal como Michelangelo, Ghiberti, Machiavelli, Galileo Galilei e outros.




Museo dell'Opera di Santa Croce

O complexo de Santa Croce é muito grande. No refeitório há um grande afresco da Última Ceia feito em 1360, cronologicamente o primeiro do ciclo de cenáculos de Firenze. O Museo Dell'Opera di Santa Croce, inaugurado em 1959, contém lindíssimas obras de arte da escola florentina.

Além dos maravilhosos afrescos, há também uma coleção da escola de Della Robbia e uma magnífica escultura de bronze dourado feita por Donatello. A obra-prima do museu é o Crucifixo de Cimabue, colocado no refeitório no século 14.



Casa Buonarotti

Nas imediações da Piazza Santa Croce encontra-se a antiga casa de Michelângelo, onde podem ser admirados seus lindos desenhos, esculturas, pinturas e outras preciosidades. Muito interessante é o vagão usado em 1873 para transportar o David para a Academia.

O museu foi organizado pela bisneta de Michelangelo Buonarroti, tendo organizado ao longo dos anos muitas peças e obras do artista, assim como desenhos e primeiros trabalhos. Restaurado e reorganizado em 1964, a Casa Buonarroti mantém ainda o mobiliário original do século 17.




Sendo uma das principais atrações turísticas de Florença, nas 22 salas do museu estão preservadas obras e detalhes da vida de Michelângelo. Nascido na cidade de Caprese em 06 de março de 1475 e registrado como Michele Angelo di Lodovico Buonarroti Simoni, o artista passou parte de sua infância e adolescência na cidade de Firenze.

Com Domenico Ghirlandaio ele aprendeu a pintar afrescos. Patrocinado por Lorenzo - o Magnífico, com 16 anos foi estudar escultura nos jardins da família Médici. Suas esculturas passaram a ser tão admiradas, que foi chamado para decorar a Capela Sistina em Roma, onde passou a maior parte de sua vida. Falecido em 1564 aos 88 anos, seus restos mortais repousam na Basílica de Santa Croce.



Piazza D'Azeglio / Sinagoga / Museu Ebraico

Adiante chega-se à Piazza D'Azeglio, um grande espaço arborizado onde estão muitos palacios antigos. Nas imediações encontra-se a Sinagoga e o Museo Ebraico, cuja cúpula de cobre verde é um ponto famoso da paisagem urbana. Também conhecida como Tempio Maggiore, é considerada uma das mais belas da Europa.

A comunidade judaica de Firenze é muito antiga, tendo tido o Duque Cosme - o Velho como um protetor dos judeus na cidade. A primeira sinagoga surgiu em 1572 do outro lado do rio Arno, até que em 1868 foi comprado um terreno para construir a nova sinagoga. O Templo Israelita foi inaugurado em 1882, tendo a construção revestida em mármore.



Piazza dei Ciompi

Passando pela Piazza dei Ciompi, chama atenção a Loggia del Pesce, que foi construída em 1568 para abrigar os vendedores de carnes e peixes, que foram obrigados a sair da Ponte Vecchio. Desmontada em 1885 e reconstruída em 1955, na loggia estão os escudos dos Medicis e outros. A galeria, aberta sustentada pelos pilares, tem oito medalhões que recordam a pesca.

Nessa praça também está a antiga casa onde viveu Lorenzo Ghiberti, o famoso arquiteto e escultor que criou uma das portas do Batistério San Giovanni e muitas outras criações espalhadas pela cidade, como a escultura de San Giovanni Battista exposta num nicho externo da Igreja Orsanmichele.  



Piazza Lorenzo Ghiberti / Mercato Sant'Ambrogio

Aliás, Lorenzo Ghiberti é o nome da praça onde está o Mercado Sant'Ambrogio, que é o mercado preferido dos fiorentinos, dos chefs e cozinheiros. Para os turistas é uma boa oportunidade para conhecer o dia-a-dia dos moradores da cidade. O lugar é bem tipo feira livre, com várias bancas. Ali vende-se carnes, peixes, queijos, massa fresca, grãos, azeite e muitas outras coisas. Nas bancas ao redor do mercado acha-se frutas, verduras e objetos de casa. Se estiver nesse mercado na hora do almoço, aproveite para desfrutar das tratorias que servem pratos deliciosos.



Piazza Beccaria

Logo adiante está a monumental Porta alla Croce no meio da Piazza Beccaria. Construída em 1284, no passado essa porta servia como entrada na cidade que cercada por uma grande muralha. Com a expansão da cidade em 1865, as muralhas foram derrubadas. A partir disso foi criada a Piazza Beccaria, tendo vários prédios iguais à sua volta. Ao final da avenida está a Torre della Zecca que fazia parte das muralhas de Firenze. 



Biblioteca Central

Às margens do rio Arno encontra-se a Biblioteca Central, que é uma das mais importantes da Itália e da Europa. Situada bem próxima à Basílica de Santa Croce, nesse lugar pode-se encontrar livros raros e manuscritos valiosos. O acervo é enorme, com milhares de volumes.

A biblioteca foi fundada em 1714, quando o famoso cientista italiano Antonio Malyabechi legou sua coleção de livros a Firenze. Em 1861 a biblioteca foi fundida com outras bibliotecas e rebatizada a Biblioteca Nacional Central, tendo recebido as coleções que antes ficavam na Galleria Uffizi.




Museo Horne

Na Via de Benci está a Casa Horne, que pertenceu ao arquiteto Herbert Percy Horne, um inglês que morou em Firenze em 1916. Grande colecionador de obras de arte, especialmente de Giotto, Masaccio, Filipino Lipi, Giambologna, no início do século passado ele comprou o Palácio Corsi nas proximidades do Rio Arno para abrigar a sua coleção de obras de arte.

Tudo foi doado para a fundação, que transformou o palácio em museu, onde são mantidos seus móveis dos séculos 12 a 17 e expostos entre os ambientes da sala, quarto e cozinha, como queria Horne. Um lugar muito charmoso.




Museo Galileo Galilei

O percurso finaliza no Museu dedicado a Galileo Galilei, que está instalado num belo palácio medieval do século 11. O museu foi fundado em 1657, tendo 18 salas, 1300 peças e reúne todos os tipos de ferramentas e instrumentos científicos desde renascimento até o século 20.

Considerado um dos museus mais importantes do seu campo, ele oferece uma viagem à descoberta da ciência moderna, do universo, da tecnologia e da física. No primeiro andar está a coleção doada pela família Medici, que foi iniciada por Cosimo de Medici I. No segundo andar está a coleção da família Lorena.




Nas salas seguintes encontram-se instrumentos para medir o tempo, como relógios, calendários, instrumentos astronômicos anteriores à invenção do telescópio e outros objetos, entre os quais o primeiro barômetro de mercúrio inventado em 1634.

Também são interessantes os quatro globos do famoso cosmógrafo veneziano Vincenzo Maria Coronelli. Os enormes globos mostram o mundo como era conhecido naquela época. Há também instrumentos náuticos e marinhos e aqueles dedicados à ciência da guerra. 




Uma das salas é dedicada às glórias de Galileu, onde estão muitos dos seus experimentos fielmente reproduzidos e objetos originais. Entre os itens mais valiosos do museu, encontra-se o telescópio com o qual Galileu descobriu em 1609 os Montes Apeninos Lunares e os satélites de Júpiter.

Entre as salas com microscópios, estudo de organismos vivos e progressos da astronomia, chama atenção um vidro em forma de ovo que dizem conter o dedo médio de Galileu, que foi recolhido depois de ter sido perdido durante os traslados dos restos mortais de Galileu para a Basílica de Santa Croce em 1737.




Nascido perto de Firenze em 1564, como um bom aquariano Galileu Galilei estudou latim, matemática, gramática, lógica, religião e medicina, mas sua vocação era de cientista. Observando um candelabro em uma missa, ele criou as leis do Pêndulo. Logo depois conseguiu provar que Aristóteles estava errado quanto a lei da queda dos corpos.

Embora fosse muito estudioso, em seu tempo livre ele ia à grandes festas e se embebedava em bares. E foi depois de uma dessas bebedeiras, que Galileo junto com alguns amigos acabou dormindo num quarto frio e gelado. Todos ficaram doentes e só Galileu sobreviveu, porém jamais se recuperou de um forte reumatismo e outros males que o acompanhou pela vida.

Aos 35 anos Galileo casou e acomodou. Com grandes descobertas feitas sobre astros, se tornou célebre. Ganhou fama ao ler horóscopos, fato que não teve muito êxito, pois prevera a longa vida de um Grão Duque, que veio a falecer em tenra idade. Assim ficou desacreditado em suas previsões.





Nessa época os telescópios eram usados apenas como brinquedo de divertimento, porém ao descobrir os anéis de Saturno Galileo ganhou a admiração do Grão Duque Cosimo de Medici II. Mesmo tendo algum prestígio, as ideias de Galileu não eram aceitas.

Por ter uma personalidade difícil, Galileu foi angariando muitos inimigos. Ao afirmar que a Terra se movia, Galileu foi intimado pelo Papa Paulo V a renunciar de suas ideias e não falar mais do assunto. Porém Galileu não obedeceu e foi julgado pela Suprema Inquisição.

Condenado a viver em prisão perpétua, no fim de sua vida, mesmo cego, Galileu construiu um relógio de pêndulo, cuja montagem foi feita por seu filho com sua orientação. Em 1642 Galileu Galilei morreu, deixando um gigantesco legado para a humanidade e o caminho livre para outros cientistas...









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Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.