No ano 304 Lucia ou Luzia pertencia a uma rica família de Siracusa na Italia. Sua mãe Eutíquia, ao ficar viúva, prometeu dar a filha como esposa a um jovem da Corte local, mas ao ver sua mãe acometida de grave doença, Lucia foi ao sepulcro de Santa Ágata prometendo virgindade eterna.
Ao ser curada, a mãe permitiu que a filha mantivesse sua promessa e cancelasse o casamento como também consentiu que dividisse seu dote milionário com os pobres como era seu desejo. Entretanto o ex-noivo inconformado foi denunciar Lucia como cristã ao governador romano. Era o período da perseguição religiosa imposta pelo cruel imperador Diocleciano; assim a jovem foi levada a julgamento.

Como Lucia dava extrema importância à virgindade, o governante mandou que a levassem à força a um prostíbulo para servir à prostituição. Porém ela permaneceu imóvel e dez soldados não conseguiram arrastá-la conforme ordem do Imperador.
Lucia foi condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram resina e azeite fervente sobre seu corpo, mas ela continuava viva. Somente um golpe de espada em sua garganta conseguiu tirar-lhe a vida.
Em 1039, para proteger as relíquias de Santa Lucia dos invasores árabes muçulmanos, um general bizantino as enviou para Constantinopla atual território da Turquia. Elas voltaram ao Ocidente por obra de um rico veneziano, seu devoto, que pagou aos soldados da cruzada de 1204 para trazerem sua urna funerária.
O dia de Santa Lucia ou Santa Luzia é celebrado no dia 13 de dezembro e seu corpo está guardado na Catedral de Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a igreja de Siracusa que a venera também no mês de maio. A devoção à santa, cujo próprio nome está ligado à visão - Lucia deriva de Luce, luz em italiano - e já era exaltada desde o século 5.
Passado mais um século, o Papa Gregório Magno a incluiu para ser citada no cânone da missa. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas auxiliadoras que é invocada nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira, quando se deseja obter uma nova visão de vida e para vislumbrar um novo caminho.
Conta a antiga tradição oral que essa proteção, pedida a Santa Lucia ou Santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo. A arte perpetuou seu ato extremo de fidelidade cristã através da pintura e da literatura. Foi enaltecida pelo magnífico escritor Dante Alighieri na obra "A Divina Comédia", que atribuiu à santa a função da graça iluminadora. Assim essa tradição se espalhou através dos séculos ganhando o mundo inteiro e permanecendo até hoje.