15 outubro 2017

Verona 1: bela e misteriosa



Verona é uma cidade surpreendente; bela e misteriosa. Rodeada por colinas e atravessada pelo rio Adige, caminhar por Verona é uma experiência que permite viajar no tempo. Considerada a segunda cidade da Itália com maior quantidade de construções romanas bem preservadas, a história de Verona se entrelaça com a de Roma.

Aliás, no passado Verona foi chamada de "Piccola Roma". Habitada por diversos povos desde o século 3 a.C., Verona alcançou grande destaque depois de se tornar uma colônia do Império Romano. Dessa época ainda restam construções impressionantes, como as grandes muralhas que um dia serviram para proteger a cidade.



Anfiteatro Romano

O símbolo máximo da época romana é o imponente anfiteatro, onde aconteciam lutas de gladiadores, touradas, óperas e execuções. È a terceira maior arena do mundo, tendo sido erguida no ano 30 durante o governo do Imperador Augusto. Situado na Piazza Bra, a estrutura de arcos de pedra da grande arena é emoldurada ao fundo pelos edifícios coloridos do século 19.






Com capacidade para abrigar um público de 25.000 pessoas, graças à sua impressionante acústica atualmente a arena serve como palco para espetáculos e óperas ao ar livre, cujo festival acontece entre os meses de junho e agosto. Desde o verão de 1913 hospeda a maior temporada de ópera ao ar livre no mundo.



Piazza Bra

O nome da praça tem origem na contração de "Breit", que significa ampla ou larga. Assim também é essa praça, grande, espaçosa e que marca o coração do centro histórico. Com um amplo comércio, bons restaurantes, lojas de marcas exclusivas e os magníficos palácios que margeiam a praça, é também o ponto de partida para descobrir a cidade.




Sentar num dos bancos da Piazza Bra junto aos jardins é uma experiência que permite admirar o movimento da cidade e observar alguns detalhes, tal como o monumento equestre do rei Vittorio Emanuele II. No meio dos jardins e escondido pelos pinheiros está a bela Fonte dos Alpes, que os veroneses chamam de "Strucca Limoni" ou "espremedor de limões".


Portoni della Bra

A grande porta de entrada da praça é chamada Portoni della Bra. Construída em 1257 e composta por dois grandes arcos, ao lado existe uma alta torre defensiva. No alto da fachada existe um antigo relógio que pode ser visto de ambos os lados. Acima dos arcos de mármore existe um acabamento de tijolos vermelhos, uma característica das construções medievais. Outra antiga entrada para essa praça é chamada de Porta Cittadella.


Palazzo dela Guardia

Ao lado da entrada da praça está o Palazzo della Guardia, que no passado serviu como sede da guarda da cidade. Sua construção foi iniciada em 1610, porém a escadaria que dá acesso à varanda sob pilares só foi concluída em 1850. Usado atualmente como centro de conferências e galeria de arte, a partir desse palácio encontra-se a antiga muralha em tijolos vermelhos que segue até a margem do rio Ádige.


Palazzo Barbieri

Mais adiante está o belo Palazzo Barbieri, que foi projetado e construído entre 1836/1848 pelo engenheiro Giuseppe Barbieri. Inspirado nos antigos templos romanos, esse palácio foi gravemente danificado durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Porém no período pós-guerra foi rapidamente reconstruído e ampliado.

Atualmente é a sede da Prefeitura da cidade. Suas salas são ricamente decoradas por obras de arte e grandes lustres. Algumas telas enormes, feitas por Paolo Veronese, Felice Brusasorzi e Paolo Farinati, retratam momentos históricos de Verona.


Museu de Lapidação Maffei

Junto à praça também está o Museu de Lapidação Maffei, que foi fundado no século 18 pelo Marquês Scipione Maffei. Tendo sido um fervoroso colecionador e amante de antiguidades, entre 1738/1749 Maffei completou a coleção de lápides que pertenciam à Accademia Filarmonica.

Esse é o segundo museu mais antigo da Europa. Em 1883 o Museu de Lapidação foi comprado pela Câmara Municipal, que fez uma reorganização em 1927 e uma transformação arquitetônica radical no imóvel em 1982. Materiais romanos, greco romano, etrusco, árabes e outros estão em exposição.



Via Mazzini

Na Piazza Bra tem início a famosa Via Mazzini, onde estão reunidas as boutiques das mais famosas grifes. Muito movimentada e bastante concorrida, nela e nas ruas adjancetes encontram-se lojas da Gucci, Trussardi, Prada, Armani, Cavalli, Valentino e outras.

De boutiques a lojas especializadas em azeites, souvenires e papelaria, essa rua com piso todo de mármore é reservada somente para pedestres. A extração de mármore em Verona tem origens muito antigas e uma longa tradição, que remonta aos tempos do Império Romano e se manteve até os tempos atuais em escala internacional.

Anualmente entre setembro/outubro, milhares de expositores, engenheiros, arquitetos e construtores se encontram em Verona durante a Marmomacc, uma feira internacional que promove a exposição das últimas tendências do mercado de pedras.



Piazza dei Signori

Outra magnífica praça, considerada como a sala de estar de Verona, é a Piazza dei Signori. Por conter no centro da praça um monumento dedicado a Dante Alighieri, é chamada pelos veroneses de Piazza Dante. No passado essa praça foi o centro do poder econômico e político de Verona, por isso nela estão importantes palácios que fazem parte da história da cidade.


Brasão da família Della Scala

Verona foi disputada no passado por diversos povos, até tornar-se uma cidade livre no século 12, quando passou a ser governada pela aliança entre o clero, a aristocracia e comerciantes ricos. Porém durante o século 13 Verona se tornou um palco de lutas e disputas entre famílias locais para a conquista do poder.

Em 1263 Mastino I della Scala foi eleito prefeito e capitão do povo, quando teve início a Dinastia da família Della Scala ou Scaligere, que deteve o poder sobre Verona por 120 anos. O escudo da família era composto pela coroa e uma escada. Embora muitos tenham colaborado para a arquitetura da cidade, os Scaligere se tornaram marcantes por terem construído a maioria dos belos palácios e igrejas de Verona.

Assim, no período 1263/1387 a cidade atingiu o auge de seu poder e conheceu sua mais feliz temporada artística. Porém a história da família Della Scala foi marcada por traições e assassinatos. Apesar de terem conquistado outras cidades e acumulado grande riqueza, disputando o poder entre si, eles se aniquilaram.

Arche Scaligere ou mausoléus dos Scaligere

Diante da anarquia que se instalou no governo, numa noite de outubro de 1387 o Duque Gian Galeazzo Visconti de Milão invadiu a cidade. Os Scaligere foram obrigados a fugir de Verona, determinando assim o fim da Dinastia Della Scala no poder.

Hoje restam apenas os mausoléus da família Della Scala, que encontram-se no monumento chamado Arche Scaligere diante da antiga Igreja de Santa Maria Antica ao lado Piazza dei Signori. Construídos no século 14, nos belos monumentos em estilo gótico e cercado por grades de ferro repousam os restos mortais de Cangrande I della Scala, cujo mausoléu contém um monumento equestre, e de outros membros de sua família.


Monumento Dante Aleghiere

Foram os Scaligeri que tornaram Verona num dos principais centros culturais da Idade Média, por onde circulavam os mais célebres artistas da época, como Giotto, Petrarca e Dante Aleghieri, que esteve hospedado em Verona por 7 anos durante seu exílio de Firenze.

Em 1865, quando a Itália estava comemorando o sexto centenário do nascimento de Dante, Verona quis homenagear o grande poeta. Porém, por estar ainda sob domínio austríaco, a ideia não foi muito aceita. Mesmo diante de proibições, os veroneses decidiram instalar o monumento de 3 metros secretamente durante a madrugada. E assim permaneceu onde está.


Palazzo Cangrande ou Palazzo del Podestà

O destaque da praça é o Palazzo Cangrande. Também chamado Palazzo Scaligere ou Palazzo del Podestà, no passado foi a sede do poder e um centro de cultura onde eram recebidos muitos poetas e artistas. Construído no final do século 13, o palácio medieval recebeu esse nome por ter sediado a corte do príncipe Cangrande I della Scala, que governou Verona entre 1308/1329.

Palazzo del Capiutano ou Palazzo di Cansignorio

Um antigo arco veneziano, construído por volta do século 17 sobre a Via Santa Maria Antica, une o Palazzo di Cangrande com Palazzo del Capitano, que era antiga casa dos chefes militares de Verona. O portal em mármore branco é um dos detalhes que atrai a atenção para sua fachada.

Projetado pelo célebre arquiteto Michele Sanmicheli, na fachada havia a escultura de um leão alado de San Marco, que foi destruída por Napoleão no final de 1700. Também chamado de Palazzo del Tribunal ou Palazzo di Consignorio, atualmente pertence ao município de Verona e possui uma torre renascentista original do século 12.


Palazzo della Ragione

O Palazzo della Ragione, também conhecido como Palazzo del Comune ou Palazzo del Mercato Vecchio, foi construído em 1193 e decorado por Giotto. Por muito tempo o palácio foi o centro do poder político de Verona e usado para administração da cidade. Atualmente serve como escritório de cultura de Verona e da Galleria d’Arte Moderna Achille Forti.

O grande destaque de seu interior é a bela Capela dos Notários, que possui belas obras de arte. A união de diversas coleções resultaram numa exposição extraordinária, com obras que datam 1840-1940 e contam a história de Verona.


Cortile del Mercato Vecchio / Scala dela Ragione

Do complexo do Palazzo della Ragione fazem parte: o Cortile del Mercato Vecchio, a Torre Lamberti e a Scala della Ragione, uma bela escadaria de mármore rosa em estilo gótico que atrai muitos visitantes para esse pátio. Abaixo da estrada à direita estão os jardins do palácio, que estão cercados por muros altos.

O belo pátio interno é acessível através de um arco à direita. Conhecido como Piazza del Mercado Velho, o pátio foi no século 15 a antiga sede das atividades comerciais e do mercado da cidade. Neste pátio pode se ver as Scavi Scaligeri ou escavações Scaligeri, que trouxe à tona achados da época romana e medieval da cidade.


Scavi Scaligere

Na parte subterrânea da cidade encontra-se o Scavi Scaligeri, uma grande área arqueológica cujo ingresso é feito através da Piazza Viviani. Situado sob as arcadas que ligavam o Palazzo di Cansignorio com o jardim, o grande espaço substerâneo apresenta o Centro Internazionale di Fotografia, sendo possível visitá-lo nas ocasiões quando há mostras de fotografias.

Na época de sua fundação no ano 89 a.C. a cidade era chamada de Augusta em homenagem ao Imperador Romano Augusto. Por estar na antiga rota daqueles que se dirigiam de Veneza para Gênova, a cidade se tornou uma das colônias romanas mais importantes da época. Ainda hoje é possível identificar essa antiga parte da cidade dividida em quadrados, assim como as grandes lajes de pedra marcadas pelas rodas dos carros romanos.


Torre dei lamberti

Por uma discreta entrada do Palazzo della Ragione chega-se ao elevador que dá acesso ao topo da Torre dei Lamberti, a mais alta de Verona, de onde se tem uma linda vista da cidade. Com 243 degraus e 84 metros de altura, a construção da torre iniciada em 1172 e só foi terminada três séculos depois. No topo estão dois sinos, que tem nomes. O Marangona era usado para sinalizar incêndios e o Rengoado para o pedir ao povo que levantassem as armas ou para reunir a população num conselho.


Loggia del Consiglio

A Loggia del Consgilio, também conhecida como Loggia di Fra'Giocondo, foi a primeira construção renascentista na região do Vêneto. Construída na segunda metade do século 15, servia para abrigar os encontros do conselho da cidade. Hoje é a sede do Conselho Provincial, porém só em raras ocasiões é aberto ao público.

Com esplêndidos afrescos na parte superior da fachada, esse é um dos prédios mais bonitos de Verona. No topo do prédio estão cinco estátuas representam personalidades veroneses da época romana: o arquiteto Marco Vitruvio Pollione, o poeta Valerio Catullo, o naturalista Plinio il Vecchio, o poeta Emilio Macro e o historiador Cornelio Nipote.


Casa dela Pietà

Junto à Loggia del Consiglio está a Casa della Pietà, sendo ligadas por um arco que passa sobre a Via delle Fogge. O arco é decorado com a estátua de Girolamo Fracastoro, médico poeta e astrônomo do século 16, que era estimado pelos cientistas devido aos seus estudos sobre as bactérias.

Muito amado pelas pessoas pobres, por serem tratadas gratuitamente pelo médico, ele foi retratado com um traje romano, tendo uma esfera na mão representando o mundo. Segundo uma crença antiga, a estátua apenas soltará a pesada esfera quando um cidadão honesto passar sob o arco...

Na loja abaixo do prédio está o caffè mais antigo de Verona, que sempre foi frequentado por profissionais, homens de letras, artistas e políticos, e especialmente idosos, que vinham diariamente discutir política, arte e acima de tudo, fazer críticas.

Chama atenção o baixo-relevo na fachada, onde se vê uma mulher sentada com uma bandeira, símbolo da cidade de Verona durante o governo de Veneza, que representa Verona descansando segura na sombra da Sereníssima República de Veneza. Ali está escrito: "Fide et Charitate in aeternum non deficiam" (Fé e caridade, nunca deixarei acabar).


Domus Nova ou Palazzo dei Giudici

O Palazzo Domus Nova, também conhecido o Palazzo dei Giudici ou Palácio da Justiça, foi construído pela República Veneziana no século 13. Tendo servido como residência para os juízes venezianos, o palácio era ligado ao Palazzo della Ragione pelo Arco della Costa ou Arco da Costela.


Arco della Costa

Na verdade o arco é uma passarela, que permitia aos magistrados transitarem entre o Palazzo Domus Nova e o Palazzo della Ragione sem ser preciso sair em via pública, onde poderiam ser interceptados por corruptos ou sofrer atentados.

Chamado de Arco della Costa, seu nome deve-se a uma costela que há séculos está dependurada ali. Não se sabe ao certo, nem quando e nem porque o osso foi ali colocado. Permanece o mistério que desperta curiosidade, até porque existe outro osso similar colocado na Catedral e numa capela da Igreja de Santa Anastasia...



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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.