29 junho 2012

Lago di Garda, um dos mais belos lagos do mundo


Uma das maravilhas da Itália é o imenso Lago di Garda entre as regiões da Lombardia, Veneto e Trentino Alto Adige. Considerado um dos mais belos lagos do mundo e o maior da Itália, o lago está situado entre as províncias de Brescia e Verona, sendo margeado por belas aldeias com seus parques e resorts. 
 
Também chamado Benaco, o Lago di Garda tem uma fascinante história contada por castelos e ruínas de antigas vilas romanas. De norte a sul são 50 km em linha reta e para dar uma volta completa no lago são aproximadamente 160 km de circunferência. Em alguns locais o lago chega a ter até 350 metros de profundidade.
 

Na época dos antigos romanos o lago era um destino de luxo durante o verão, principalmente das famílias ricas de Verona. Nas margens do lago e, principalmente ao sul nas cidades de Sirmione e Desenzano del Garda, existem várias ruínas de uma vila romana. 
 
O principal marco histórico de Sirmione é a Grotte di Catullo, que são ruínas de um local onde provavelmente tenha vivido em 55 a.C. o poeta Gaius Valerius Catullo, que dedicou seus poemas à cidade que ele chamou de  "a jóia de todas as peninsulas". 
 
Sirmione tornou-se popular devido às termas descobertas perto das ruínas romanas, que talvez tenha sido um balneário e não uma casa de campo. Hoje as águas ricas em minerais brotam a uma temperatura elevada e são usadas para tratamentos de saúde. 
 

A maior ilha do lago é a Isola del Garda que faz parte da cidade de San Felice del Benaco. Habitada desde o período romano, a ilha teve diversos nomes de acordo com seus proprietários. Durante 600 anos a ilha teve um mosteiro onde vivia uma comunidade religiosa em retiro.
 
A partir de 1780 a ilha passou para domínios particulares e hoje é de propriedade da família Cavazza, tendo destaque a bela mansão rodeada de jardins que são abertos ao público para visitas. Existem outras ilhas menores tendo destaque a Isola San Biaggio, também conhecida como Ilha dos Coelhos pertence a San Felice del Benaco e Isola dell'Olivo, Isola di Sogno e Isola di Trimelone que pertencem a Verona. 
 
 
Na margem do lago que pertence a Brescia, do sul ao norte há várias praias e resorts como Sirmione, Desenzano, Lido de Lonato, Padenghe sul Garda, Moniga del Garda, Manerba del Garda, San Felice del Benaco, Salò, Gardone Riviera, Toscolano, Maderno e Bogliaco. 
 
A partir de Gargnano a sinuosa estrada com trechos margeados de pinheiros e outros escavados na rocha, passa por longas galerias, túneis e sobre altos penhascos até chegar a Tignale e Tremosine.
 
 
A parte norte do lago é mais estreita e cercada por altas montanhas onde estão Limone sul Garda, Riva del Garda e Torbole. Essa área é muito frequentada por jovens de toda Europa que praticam escaladas, windsurf e outros esportes aquáticos. 
 
O dia é marcado por dois padrões de vento distintos - um vento frio que vem das montanhas ao norte no início da manhã e o vento mais quente que sopra do sul na parte da tarde. Pela manhã o vento pode ser bastante forte, produzindo ondas adequadas para pilotos qualificados.

Andar acima do Lago Garda é uma fabulosa experiência, seja indo de aldeia em aldeia entre as vinhas ou alcançando os picos que se elevam na parte norte. Na aldeia de Arco acima de Riva del Garda concentram-se os esportistas que gostam de escaladas. Os adeptos de Mountain bike consideram essa região um dos melhores lugares para testar graus de dificuldade. 
 

No outro lado, na margem do lago que pertence a Verona estão as cidades de Malcesine, Brenzone, Torri del Benaco, Garda, Bardolino, Lazise e Peschiera del Garda. Do norte ao sul, a estrada sinuosa margea o lago sobre penhascos passando por várias galerias e longos túneis até chegar a Malcesine. 

A cidade de Garda tornou-se importante e provavelmente deu seu nome ao lago por causa da posição estratégica que ocupava nas praias do sudeste. Muito antes, muitos vestígios históricos foram descobertos na área da cidade e nas encostas circundantes. Influências dos venezianos ainda podem ser vistas em partes da cidade velha. Chamada de Riviera das Oliveiras, os festivais de verão estão relacionados às atividades de pesca. Na aldeia de Marciaga perto Garda há também bons locais para escalada. 
 
 
Malcesine é um labirinto de ruelas estreitas e históricas com um castelo que tem grandes torres. Porém o mais interessante de Malcesine é o Monte Baldo que ergue-se por trás da cidade onde se chega através de um teleférico. 
 
O teleférico tem duas estações: a primeira vai de Malcesine a San Michele a quase 470 metros de altitude e tem uma extensão de 1512 metros de comprimento. A segunda vai de San Michele ao Monte Baldo a quase 1190 metros de altitude e tem 2813 metros de comprimento.

O percurso é concluído em 10 minutos e as cabines rotativas permitem observar a região em 360º. O pico do Monte Baldo tem 2.218 metros de altitude e do alto tem-se uma vista panorâmica do Lago de Garda e das cidades mais próximas. No verão inúmeros turistas com bicicletas ou material para caminhadas sobem o monte através do teleférico e saem pelas trilhas para explorar a região. No inverno, os turistas aproveitam a neve para esquiar, porém dependendo do tempo prejudica a visibilidade no lago devido à neblina.   


O Lago de Garda também é local de muitos sabores. Do Trento Alto-Ádige saem os melhores vinhos branco-seco e espumantes. Garda e Bardolino produzem os melhores vinhos do Vêneto. E da região da Lombardia, o Classico Garda e DOCs de Brescia oferecem vinhos tintos e brancos.

As vinhas de Bardolino cobrem a área montanhosa atrás do litoral do Lago Garda, tendo uma variedade de vinhos DOC e está próximo de Valpolicella que no dialeto da região significa "vale das muitas cantinas". 
 
É possível fazer uma viagem ao redor das vinhas na Rota do Vinho Bardolino ou visitar o Museu do Vinho na zona rural de Bardolino que está aberto nos meses de verão. A Festa dell'Uva marca o final da temporada de verão, sendo abundante as barracas que servem alimentos e bebidas que culmina com a premiação dos melhores vinhos.
 
 
As oliveiras aparecem em diversas partes do Lago Garda, embora a principal concentração esteja ao sul. Assim como o vinho, as azeitonas e o Azeite Virgem Extra tem seu próprio sistema de classificação e ainda hoje a colheita da azeitona ainda é feita à mão sobre as colinas íngremes. 
 
Há um Museu do Azeite em Cisano, na estrada entre Bardolino e Lazise. As exposições abrangem as fases de produção de azeite, com exemplos de ferramentas e documentos históricos e está aberto maioria dos dias do ano. Foi o primeiro Museu do azeite na Itália.

Os Limões têm sido cultivados em toda costa leste do Lago Garda desde o século 15, mas provavelmente Limone sul Garda tenha tido destaque por suas Casas de limão ou "Sardi" que ainda visíveis. Há um museu interessante da Casa do Limão.
 

O Lago de Garda foi cenário de muitas guerras, principalmente na parte sul do lago. Disputado pelos romanos, às margens do Lago de Garda foi travada a Batalha de Benacus no ano de 269 entre o exército do Imperador romano Claudius II e tribos germânicas. 

Na época de Napoleão e durante o renascimento em 1859 ocorreu a Batalha de Solferino que foi decisiva para a independência e unificação da Itália. O caráter sangrento dessa batalha deu início à criação da Cruz Vermelha Internacional e à Convenção de Genebra. 

Logo depois da batalha o empresário francês Jean-Henri Dunant chegou à Solferino e testemunhou os horrores da batalha da noite de 24 junho 1859. Em um único dia 40.000 soldados estavam feridos ou mortos. Chocado com as consequências terríveis da guerra, pelo sofrimento e falta de assistência aos soldados, Henri Dunand dedicou-se a organizar uma ajuda humanitária motivando voluntários a prestar ajuda sem discriminação. 

De volta a sua casa em Genebra, ele escreveu um livro "Uma Lembrança de Solferino" e enviou cópias do livro para as principais figuras políticas e militares em toda a Europa. Defendendo a formação de uma organização de socorro voluntário, ele conseguiu unir médicos neutros e hospitais de campanha. Todos os países europeus, Brasil, Estados Unidos e México participaram da conferência diplomática oficial. Em 22 de agosto de 1864, a conferência aprovou a primeira Convenção de Genebra.

28 junho 2012

Voando sobre as Dolomitas da Basilicata



No coração da Basilicata, há 15 milhões de anos emergiram do mar as imponentes Dolomitas de Lucânia com suas torres espetaculares. O tempo, a chuva e o vento esculpiram as formas de arenito que na tradição popular recebeu nomes especiais: Águia dourada,  Bigorna, Grande mãe e Pequena coruja.

Embora não haja muita vegetação, em alguns locais inacessíveis os falcões fazem seu ninho. O Parque Natural de Gallipoli Cognato e Dolomitas da Lucânia tem grande valor ecológico. Perto dos picos das Dolomitas estão as cidades de Castelmezzano e Pietrapertosa, que são consideradas entre as mais belas aldeias da Itália. 


Castelmezzano

Castelmezzano: A chegada na pequena aldeia de Castelmezzano é bastante incomum, feita através de um túnel escavado na rocha depois de atravessar um desfiladeiro. Tipicamente medieval, um aglomerado de casas com telhados de lajes de arenito está imbutido nas rochas e muitas escadas íngremes convidam para uma subida às alturas para desfrutar das paisagens das Dolomitas.

Castelmezzano foi um local onde se instalaram os povos da Magna Grécia no século 5 a.C. Ocupada por diversos povos ao longo de sua história, depois da unificação do Reino da Itália em 1861 a cidade tornou-se um local de bandidagem.  Por sua posição geográfica e seus bosques, foi no passado um dos maiores lugares de refúgio dos bandidos.

O coração da cidade é a Praça Caizzo onde está a Igreja Matriz de Santa Maria dell'Olmo. Construída em 1544, a forma atual da igreja é resultado da reconstrução depois do terremoto de 1980.


Vários palácios com sacadas com grades de ferro forjado e belos portais de pedra estão ao longo da via principal. Fora da aldeia, pontes de pedra levam até o Vale de Caperrino onde existem antigos moinhos de pedra. Do vale, através de uma única ponte de arco de pedra, pode-se ir a Pietrapertosa nas proximidades.


Pietrapertosa

Pietrapertosa: A cidade preserva sua aparência medieval com casas típicas que se adaptam a rocha. Com ruas e becos sem saída, as muitas escadas são um exemplo da simbiose entre a aldeia e as rochas que se tornou no passado uma fortaleza natural contra eventuais intrusos. Belos palácios guardam ainda inscrições e emblemas da nobreza.

É a cidade mais alta da Basilicata que foi fundada em torno do ano 1.000 como uma fortaleza, sendo ainda visíveis partes do arco de entrada e uma torre vigia. A Igreja Matriz é dedicada a São Tiago Maior e tem grande valor artístico. Nos arredores da cidade, o Convento de São Francisco foi construído sobre os restos de uma fortaleza romana ao lado de uma Igreja. 






Caminho das Sete Pedras: Entre as cidades de Castelmezzano e Pietrapertosa há uma estrada pavimentada de aproximadamente 10 km que recorta as montanhas. Mas também há um antigo percurso chamado de Caminho das Sete Pedras, que é um resgate das antigas tradições dos camponeses que percorriam caminhando cerca de 2 km entre as duas cidades. 


Subindo e descendo colinas, o caminho se inspira nas histórias transmitidas oralmente entre gerações e na imaginação coletiva que são a base do texto "Vito com as bruxas". Ao longo do caminho a narração se traduz em formas visuais e sonoras.

São sete etapas e cada uma delas propõe uma palavra chave que dá sentido à história: destino, magia, bruxaria, bruxas, voar, dançar e delirar. Cada etapa inclui um espaço que narra uma sequência da história revelada pela magia da natureza. A paisagem das montanhas, florestas, riachos e vales é deslumbrante.





Volo dell'Angelo: Quem aprecia uma grande aventura, o trajeto de ida e volta de Castelmezzano a Pietrapertosa pode ser feito voando através de uma roldana presa em um cabo de aço que permite uma viagem em total segurança. A emocionante aventura, permite desfrutar da euforia do vôo e apreciar a paisagem vista apenas pelas aves e talvez pelos anjos, por isso o sistema é chamado "Volo dell'Angelo". 

Essa é a sensação que se tem voando suspenso no vazio a mais de 1.400 metros de altura entre o céu e a terra, a 120 km por hora. É uma espécie de bungee jumping porém com a sensação de voar cruzando o vazio até a próxima plataforma. O atrativo turístico que funciona apenas durante uma temporada do ano, visa criar novas experiências e emoções ao descobrir a verdadeira alma das Dolomitas de Lucânia. 






A primeira etapa inicia subindo as encostas das dolomitas. Um percurso longo e íngreme leva ao cume onde está a estação de partida que guarda os capacetes e cordas. Munido com os equipamentos, da rampa mergulha-se no precipício suspenso pelo fio. Com a força do vento no rosto, pode-se saborear a experiência única de pertencer à natureza. 

Essa é uma experiência cheia de emoções e arrepios de adrenalina. Graças ao sistema de rolamentos, a chegada é suavizada. O segundo vôo para retornar é feito através de outra estação que proporciona uma nova experiência devido ao cabo em um ponto diferente do vale. A vontade é de que o vôo durasse mais tempo e talvez tenha sido essa sensação que Ícaro sentiu quando desafiou os deuses e voou até o sol...
Leia sobre Ícaro em meu blog Mitologia Grega



26 junho 2012

Santa Agata di Goti, a cidade sobre penhascos




Sant'Agata de Goti é uma antiga cidade medieval na região da Campania, um local tranquilo e rodeado por colinas que tem duas partes: a nova e a antiga. Elas são ligadas por uma ponte sobre um desfiladeiro arborizado, sendo que na parte nova da cidade há belas vilas. Na parte antiga muitas casas e igrejas foram construídas sobre um penhasco. 





O prazer de explorar o bairro medieval está no labirinto de ruas e becos estreitos alinhados sobre a pedra polida em milhões de anos, onde é restrita a circulação de veículos. Os pórticos, que são as grandes varandas em frente aos palácios, se abrem para as muitas e pequenas praças onde existem muitos barzinhos e restaurantes. Além das pizzarias, os belos pratos de massas tem uma característica típica da cidade além das maravilhosas tortas e licores caseiros cujo segredo das receitas são guardados a sete chaves. 





Igrejas: Na parte antiga da cidade estão a Igreja gótica da Annunziata, a Igreja de São Francisco, a antiga Igreja de Santa Lucia e a Igreja de Santa Menna. Santa Ágata de Goti, que dá seu nome à cidade, nasceu na Catania e foi martirizada no ano 251. Celebrada em 05 de fevereiro, é considerada a santa padroeira dos mártires e protetora dos seios, das amas de leite, dos terremotos e erupções vulcânicas.  

 




Santa Agata - protetora dos seios e contra os terremotos: Segundo as lendas, Ágata ou Agueda era cristã e recusou-se a adorar os ídolos romanos, especialmente Vênus e Júpiter, por isso ela teve seus seios cortados. Essa é a razão porque a imagem de Santa Àgata traz os seios numa bandeja. 

Contam que depois de um dramático interrogatório, Quintianus condenou-a a morrer nua em uma cama de brasas. Porém no momento exato em que seu corpo iria ser colocado nas brasas, a terra tremeu fortemente e as paredes do palácio começaram a desmoronar, por isso ela é considerada protetora contra os terremotos.
 




Pôncio Pilatos: Nas imediações de Santa Agata di Goti estão os restos arqueológicos de Saticula, uma cidade do extinto povo samnita. Os samnitas pertenciam a um dos povos italianos que tentaram vencer os romanos. Em 82 a.C. o ditador romano Lucius Cornelius realizou uma campanha de limpeza étnica contra os adversários de Roma fazendo desaparecer as cidades dos Samnitas e em consequência a dispersão e extinção desse povo.

Pôncio Pilatos, prefeito da província romana da Judéia, pertencia a uma das tribos do povo Samnita. Conhecido como o comandante do julgamento de Jesus, de acordo com os quatro evangelhos, Pilatos não suportou a pressão dos romanos para que condenasse Jesus e tentou eximir-se da responsabilidade pela decisão da crucificação. Em um gesto simbólico, ele mergulhou suas mãos numa bacia com água dizendo: Lavo as minhas mãos...



25 junho 2012

Isole Tremiti, um paraíso no Mar Adriático


As ilhas Tremiti fazem parte de um arquipélago no Mar Adriático sendo composto de 5 ilhas:
  • San Nicola que é a sede administrativa, 
  • San Domino que é voltada ao turismo e 
  • Cretaccio, Capraia e Pianosa que são ilhas desabitadas. 

As ilhas fazem parte da região da Puglia e são acessíveis por via marítima através de barcos que partem de Rhodes, Peschici, Vieste, Manfredonia, sendo mais perto o percurso que sai de Termoli. Também há helicóptero que parte da Foggia.  

De rara beleza, o mar tem águas límpidas e azuis, com belas paisagens que atraem muitos turistas. É onde se pode mergulhar e descobrir grutas e cavernas durante os passeios de bote ou de barco, um paraíso para os mergulhadores. As ilhas fazem parte do Parque Nacional de Gargano e seu nome Tremiti significa Tremores, talvez relacionado a abalos sísmicos do passado. 


Além do espetáculo natural, as ilhas tem aspectos históricos interessantes e muitas lendas. Segundo a mitologia grega, Diomede que foi um dos herois mais valentes da Guerra de Troia e também Rei de Argos, teria desaparecido misteriosamente nas ilhas do Adriático, por isso originalmente as ilhas eram chamadas Insulae Diomedee. Leia sobre Diomede em meu blog Mitologia Grega.

Achados arqueológicos indicaram a presença humana nessas ilhas desde os tempos pré-históricos, além de vestígios de gregos e romanos. As ilhas foram um local de confinamento desde a antiguidade. Dizem que o Imperador Augustus teria exilado sua neta de 20 anos nessas ilhas sob acusação de adultério. Um monge teria encontrado um túmulo de 2.000 anos com moedas de ouro e apetrechos gregos. 

A descoberta de diversos naufrágios nas imediações indicam sua importância estratégica para a navegação comercial ao longo dos séculos. Há inúmeras histórias e lendas sobre piratas que atacavam e saqueavam essas ilhas. Na Idade Média o arquipélago foi governado pela Abadia de Santa Maria a Mare fundada pelos beneditinos. Após duzentos anos de administração, eles tinham acumulado uma riqueza fabulosa, tesouros imensos e grandes propriedades e imóveis.

Em 1321, astutos piratas resolveram atacar a ilha de San Nicola de onde tinham ouvido falar dos grandes tesouros pertencentes aos frades. Porém sabiam que os frades eram corajosos e tinham enfrentado e vencido outros invasores, por isso resolveram usar de astúcia ao invés da força.

Disfarçados de pescadores, dois piratas chegaram chorando na praia dizendo que precisam realizar o funeral cristão para os amigos que haviam morrido devido a um acidente no mar. Já era noite e alguns monges foram à praia e com tochas eles viram pessoas que pendiam dos barcos. Um caixão de tábuas estava na proa do navio sendo falsamente velado por marinheiros, por isso os monges autorizaram que trouxesse o caixão até a praia.

Em uma procissão os piratas carregaram o caixão para levá-lo à igreja rezando junto com os monges. O rito cristão da bênção do corpo havia começado na igreja da abadia, quando ouviu-se um grito; era o sinal de ataque. Com punhais e espadas os piratas atacaram os frades carregando todo o tesouro existente em San Nicola. Por mais de trinta anos, ninguém teve ousadia de aproximar das Ilhas Tremiti até que o mosteiro foi transformado em uma fortaleza. 


Em 1783 a abadia foi suprimida e o rei Fernando Bourbon IV de Nápoles instituiu ali uma colônia penal. Em 1843 muitas pessoas errantes de Nápoles, chamados de "Lazzaroni",  foram levadas para repovoar as ilhas onde se tornaram pescadores, por isso é comum o dialeto napolitano na ilha. Em 1911 cerca de 1.300 líbios opositores foram confinados a Tremiti. Depois de um ano, cerca de um terço dessas pessoas morreram principalmente de tifo.

Durante a era fascista o arquipélago continuou a ser usado para reclusão e detenção de prisioneiros políticos e homossexuais. Embora não houvesse nenhuma lei que proibisse a homossexualidade, na época de Mussolini ele dizia que: "Na Itália, há apenas homens de verdade". Muitos homossexuais ou suspeitos de homossexualidade foram presos e deportados. Devido às difíceis condições na ilha, muitos morreram.

Até 1943 havia a triste presença de muitos infortúnios nas ilhas que atualmente deu lugar a muitas cores, festas e luzes que atraem milhares de turistas todos os anos. Com acomodações confortáveis e com todas as distrações para divertir os turistas, as lendárias Ilhas Tremiti se tornaram famosas entre outras existentes em torno da Itália. 

San Domino tem uma bela atmosfera feita pela natureza que sabiamente emergiu em sua totalidade. Terra, mar e céu criam uma sintonia para tornar essa ilha diferente de todas as outras. Quase sempre coberta de florestas, os vales verdes são perfumados pelos pinheiros de Aleppo. Por causa da fertilidade e espontaneidade das flores de todas as cores, os monges beneditinos chamavam a ilha de Horto do Paraíso. Na área plana central, conhecida como a Planície do Éden, há vinhas, pomares e cereais.

O litoral é recortado com baías, promontórios e falésias, destacando-se a pedra do Elefante e da pirâmide. De barco é possível visitar a Gruta delle Viole, o Bue Marino, das Andorinhas e também as praias de Cala delle Arene, Cala Matano e o Pagliai que só podem ser alcançadas por mar. Cala delle Arene é a única praia real no arquipélago. A grande lacuna formada é a entrada para a Caverna de violetas, chamada assim devido às violetas que florescem na primavera nas paredes internas. 

San Domino começou a ser habitada em 1935 devido a mudança de algumas famílias vindas de San Nicola. É a ilha mais desenvolvida para o turismo, com hotéis, pousadas, campings, restaurantes e a única que tem areia na praia. O turismo em San Domino nasceu à sombra da floresta de pinheiros, graças aos proprietários e gerentes de hotéis que conseguiram deixar intactas as belezas da natureza que transmitem a paz que os turistas buscam nessas ilhas. Este é o reino do mar cobalto que aparecem nas falésias e nas maravilhosas grutas.  


A Ilha San Nicola é o centro histórico, religioso e administrativo do arquipélago. Pelos numerosos vestígios de um passado antigo e glorioso, a ilha é considerada um museu a céu aberto. San Nicola é onde reside a maioria da população e o local de um mosteiro onde o monge Nicolò foi enterrado. Diz a lenda que toda vez que alguém tentava remover seus restos mortais para fora da ilha, armava-se uma violenta tempestade impedindo a navegação ao redor da ilha.

Da Capela de Santa Maria a Mare, chamada Mittigradi, a imagem é levada em 15 de agosto na procissão. Na Torre dos Cavaleiros da Cruz há uma pedra esculpida com uma inscrição ainda legível: " Coteret confriget" que significa algo como uma ameaça a quem ultrapassar os limites.



As ilhas Cretaccio, Capraia e Pianosa são desabitadas. Cretaccio é a menor das ilhas, uma massa de rocha de argila amarela com quase 30 metros de altura. Por sua própria natureza está desaparecendo devido à erosão, sendo de difícil acesso. Suas encostas são extremamente frágeis e irregulares. Capraia já foi um local de cultivo de caperi ou alcaparras, de onde originou seu nome. Ao lado do farol está a melhor obra de arquitetura natural do arquipélago: o Architiello, um arco rochoso de 6 metros de altura. 

Pianosa tem seu nome originado de sua estrutura plana; é a ilha mais distante com altitude máxima de 15 metros. Às vezes, durante as tempestades, chega a ser completamente coberta pelas ondas. A ilha só é visível quando se chega bem perto. É o coração do Parque Marinho Tremiti para o repovoamento de espécies de peixes e uma renovação fecunda ambiental.

Nessa ilha é permitida apenas as visitas com caráter científico sendo proibida qualquer forma de pesca. Também há várias restrições de acesso, mergulho e pesca em outras áreas em torno do arquipélago, que dependem de prévia autorização da Capitania. As restrições visam evitar acidentes devido à erosão e deslizamentos de terra que algumas vezes podem ocorrer em algumas áreas.

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.