27 agosto 2012

Pienza, uma jóia da Toscana



No topo de uma colina, Pienza é um dos vilarejos mais encantadores da Toscana com um magnifico panorama que se abre para os verdes campos do Val d'Orcia com estreitas estradas, cipestres e campos cultivados. Considerada Patrimônio Cultural pela UNESCO, pelas ruas de Pienza muitos artistas tentam reproduzir os belos recantos da cidade renascentista. 






 


Toda a cidade gira em torno da Praça Pio II circundada pela Catedral da Assunta e pelos mais importantes palácios da cidade. Chamada anteriormente de Corsignano, a cidade teve seu nome mudado para Pienza depois que Aeneas Silvius Piccolomini foi eleito como Papa Pio II em 1458.

Nascido em Pienza, o sumo pontífice tinha o sonho de transformar a sua cidade natal em cidade modelo, por isso mandou reconstruir a catedral, a prefeitura e uma residência papal. O centro de Pienza foi completamente redesenhado pelo Papa Pio II em estilo renascentista.

Embora muitos de seus projetos jamais tenham sido realizados, Pienza faz parte do chamado Parque artístico, natural e cultural do Vale D'Orcia, que tem por objetivo preservar o extraordinário patrimônio de Pienza e de seu entorno: Castiglion d'Orcia, Montalcino, San Quirico d'Orcia e Radicofani. 




O antigo palácio papal tem um grande pátio interno e varandas ao fundo que se abrem para um belo jardim e o panorama das encostas arborizadas do Monte Amiata. A torre sineira simbolizava o poder superior da igreja. O Palazzo Episcopal foi construído para hospedar os bispos que iam visitar o papa. Na época outros palácios foram construídos pelos cardeais, incentivados pelo papa para completar a cidade.



Pequena e charmosa, Pienza tem detalhes que só se descobre andando em seu entorno e em suas ruas de nomes interessantes: Via della Fortuna (Rua da fortuna), Via dell’Amore (Rua do amor), Via del Bacio (Rua do Beijo) e Via Buia (Rua Escura). Explorar a cidade significa descobrir bons restaurantes da cozinha regional e gelaterias com sorvetes de inúmeros sabores.





Nas enotecas pode-se encontrar o legítimo e famoso Brunello que é produzido na vizinha Montalcino. Nos empórios e queijarias as vitrines expoem o tradicional Cacio Pecorino de Pienza, o queijo feito com leite de pecora que é uma especialidade da cidade.

Embora o Pecorino seja fabricado em outros locais da Itália, o queijo de Pienza tem destaque por seu sabor inigualável. Dizem que essa qualidade provém das ervas dos seus campos que alimentam as ovelhas.

A cada ano em setembro é realizada a Fiera del Cacio, um evento tradicional que reúne muita música, performances, degustação de queijos e o jogo Cacio al fuso. A competição consiste em arremeso de queijos; vence quem aproximar mais perto do alvo marcado por um fuso. 




 


Mas a melhor surpresa está reservada atrás da Catedral: ao longo da muralha tem-se a mais explêndida vista panorâmica. Nos verdes campos do vale a Igreja Pieve dei Santi Vito e Modesto de Corsiniano se destaca. Isolada a alguns quilômetros da cidade, a igreja mantém seu estilo rústico e simples. Foi o local de batismo do Papa Pio II, havendo registros de cultos desde 714. Embora não tenha objetos de arte, seu valor histórico é inestimável. 


16 agosto 2012

Stilo, uma jóia da Calábria


A costa do Mar Jônico na Calábria é marcada por numerosas aldeias empoleiradas nas montanhas com vista para o mar. Surgidas na parte mais elevada, os antigos construtores visavam sobretudo a proteção das cidades contra os ataques vindos do mar. Com seus becos e ruelas estreitas, emolduradas por antigas construções e portais na parte histórica das cidades, nesses centros urbanos o tempo parece não passar. 

Dessas aldeias Stilo tem destaque sendo considerada entre "As mais belas aldeias da Itália". Encravada nas encostas do Monte Consolino, Stilo tem uma longa história envolta em mistérios e lendas. É uma das mais antigas cidades da Itália e, de acordo com historiadores, quando os Aqueus fugiram da Guerra de Troia foram parar na Calábria onde teriam fundado uma colônia grega chamada Kaulon entre 1200-1300 a.C.

Com a destruição da cidade nos anos 270 a.C. os moradores sairam à procura de um novo lugar mais seguro para a reconstrução da cidade e encontraram a comunidade dos monges basilianos e eremitas que pregavam nas grutas do Monte Consolino. No tempo em que viveu São Basílio, os monges buscavam um estilo de vida na mais completa penitência e separados do mundo. Eram os Anacoretas que iam para lugares distantes e desertos, vivendo solitários em cavernas.

A Ordem Basiliana é considerada a mais antiga comunidade religiosa existente no mundo. A vivência e a prática da espiritualidade desta comunidade fundamenta-se no ensinamento e no projeto de vida cristã comunitária de São Basílio Magno, que viveu entre 330-379. Ele foi um dos padres gregos mais destacados da antiguidade cristã e um dos maiores doutores da igreja de toda a história. 




Reutilizando pedras das ruínas de Kaulon, da qual só restão as fundações no sítio arqueológico, os monges bizantinos construiram a La Cattolica, um templo bizantino estilo medieval do século 9 que é considerado monumento nacional. Construído junto às rochas, o interior do templo já foi completamente coberto com afrescos no século 11, restando apenas alguns vestígios descobertos em 1927. 

Existem algumas inscrições em árabe e estudiosos afirmam que poderia ter sido utilizado como um oratório muçulmano. Após a conquista dos normandos, foi um dos mais importantes mosteiros basilianos do sul da Itália, mantendo o seu esplendor até o século 15 com uma rica biblioteca e numerosos tesouros de arte. No século 17 o mosteiro foi atacado e os monges decidiram mudar levando consigo as relíquias de São Basílio. Atualmente é utilizada pela Igreja Ortodoxa da Romênia na Itália. 

Igreja San Giovanni Tirestis

Igreja San Nicola Tolentino
Igreja San Domenico

Igreja San Francesco


A Igreja de San Nicola da Tolentino também foi construída pelos monges e, apesar de suas atuais condições precárias, a pequena igreja ainda conserva a cúpula em estilo trullo. Da igreja há uma bela vista do mar e das colinas perto da igreja. Decorada com belos estuques, a Igreja de San Giovanni Therestys foi construída em 1625. Em seu interior estão os restos dos monges basílios que dedicaram a igreja para seu santo.

O Duomo de Stilo foi construído no século 14 sendo um dos mais antigos da região e a Igreja de San Francesco de 1450 ainda mantém sua torre com um grande sino. A Igreja do convento de San Domenico foi construída pelo Dominicanos nos anos 1600, tendo sido a casa do monge Tommaso Campanella durante a sua juventude. 



A Procissão do Pão Bento é uma das celebrações religiosas mais importantes de Stilo. Realizada no sábado santo que antecede a páscoa, a procissão de enterro do Cristo circula a cidade precedida dos irmãos da congregação que vestem uma túnica branca e uma coroa de espinhos na testa. A população leva nas mãos o "Gucciadate", um pão redondo bento ou numa cruz feita de bambus, que depois das cerimônias irá proteger os campos.


Um monumento na praça em frente à Igreja de San Francesco faz homenagem ao filósofo Giovanni Campanella que após ingressar no convento adotou o nome de Tommaso Campanella.  Nascido nas imediações de Stilo em 1568 era filho de um pobre sapateiro mas muito estudioso, tendo se tornado poeta, teólogo, professor, filósofo e astrólogo.

Influenciado pelas ideias de Hermes, o criador da alquimia, dos tratados de magia e astrologia, ele defendeu algumas teorias. Ao incitar o povo para as mudanças na Calábria, foi preso aos 31 anos sob acusação de heresia e conspiração. Embora jamais tenha assumido culpa nas acusações, foi condenado a 27 anos de prisão. Durante seu tempo na prisão escreveu inúmeros trabalhos literários que foram considerados suspeitos. Posto em liberdade e novamente preso e julgado no Santo Ofício em Roma, só foi libertado aos 66 anos.

Por temer as perseguições, ele fugiu para a França onde foi recebido por Luis XIII e pelo Cardeal Richelieu que mandava mais que o próprio rei. Nessa época Campanella conviveu por algum tempo com Jean Baptiste Morin, que era o conselheiro astrológico do cardeal e do rei.



Porta Stefanina
Porta Reale
Fonte Gebbia ou dos Golfinhos

No início da Idade Média Stilo foi cercada por muralhas e torres, tendo cinco portas de acesso: Porta Reale, Porta Terra, Porta Scanza Li Gutti, Porta Stefanina e Porta Cacari, das quais apenas três ainda permanecem. Porém as muralhas e outros artifícios de defesa não impediram que cidade fosse invadida e conquistada por vários povos. Depois dos bizantinos chegaram os normandos, suevos, angevins, aragoneses, espanhóis e os Bourbons.

Nesses séculos foram construídos palácios e monumentos, entre eles a Fonte dos Golfinhos ou Fonte Gebbia com esculturas de influência árabe. Dizem que era um local de banho artisticamente decorado onde existia uma pedra de granito formando um assento que servia para algum Califa sentar e discursar para os seus empregados. Era conhecida como "Pedra do Califa" mas nada resta dela. 



Por séculos Stilo manteve grande importância estratégica, por isso nos anos 1200 foi construído o Castelo Normanno no alto da colina onde fosse possível controlar toda a cidade e o vale até o Mar Jônico. Cercado por vários pontos de guarda e defesa espalhados ao longo da encosta, do castelo só restam ruínas. Do alto tem-se uma bela vista panorâmica.

O limite inferior das fortificações começava sobre a parte superior da Igreja Cattólica Bizantina. As prisões do castelo eram escavadas nas rochas sob o castelo onde só se entrava ou saia através de um guincho. Todas as torres tinham cortes nas paredes por onde eram jogadas pedras ou derramado óleo fervendo para se defenderem de invasores.

Umas das lendas que envolve o castelo é que na parte central do castelo havia uma capela mas não era permitida a entrada de mulheres. No entanto, numa certa época foram justamente as mulheres salvaram a cidade. Segundo a lenda na época das invasões sarracenas, por sugestão do patrono San Giorgio o povo apavorado se refugiou na montanha. Persistindo o cerco e faltando alimentos e água, o santo ordenou que todas as mulheres que estivessem amamentando crianças reunissem o leite materno em um recipiente.

Depois que se formou um grande queijo, eles fizeram-no rolar pelas encostas da montanha. Julgando que o povo tivesse tanta comida que estivesse jogando-a fora, os sarracenos reconheceram que não conseguiriam tomar a cidade pela fome e resolveram retirar-se da cidade. O ponto onde o queijo de leite materno caiu passou a ser chamado Vinciguerra, um nome que ainda hoje permanece.


 
 

Apesar do terremoto de 1783 que provocou graves danos à cidade, restam ainda belos palácios históricos. Imponentes mansões e prédios dominam o centro e as imediações de Stilo e alguns preservam afrescos e pinturas sobre tela e esculturas. 

Parte integrante da história de Stilo, Ferdinandea tem um passado glorioso. Em meio à densa floresta, no início de 1800 o rei Fernando de Bourbon II escolheu o local como sua residência de verão sendo depois ocupada por importantes figuras. O vasto complexo de Bourbon foi concebido com um lindo jardim, lago, capela e um grande acervo de obras de arte.


Em memória ao seu glorioso passado, no início de agosto Stilo adquire ares medievais durante o famoso Palio de Ribusa, uma das bonitas e tradicionais manifestações culturais da Calábria. Com inúmeros espetáculos, desfiles em trajes medievais, jogos, torneios e performances dos Sbandieratori, a origem do Palio remonta às feiras que eram organizadas no início da primavera durante a Idade Média.

Durante o Palio o entorno da encantadora cidade velha é iluminado por tochas. Nas praças e ruas há peças de teatro, espetáculos de música e exposições, malabaristas, acrobatas, trovadores, comediantes, bruxas, atiradores com besta e arco, além da simulação de lutas e duelos que relembram as vicissitudes da nobreza de Stilo e os antigos torneios.  

As ruas do centro da cidade se tornam um mercado animado com seus laboratórios e oficinas onde só circula o Ribuso, uma moeda especialmente criada para o evento. As antigas aldeias do condado: Guardavalle, Pazzano, Stignano, Camini, Riace e Stilo se unem em provas de força e destreza e, no último dia, os representantes das seis cidades disputam o Palio, um estandarte artisticamente trabalhado. No clima medieval das tabernas antigas, deliciosos pratos típicos e bebidas fazem o deleite dos paladares. 

02 agosto 2012

Catanzaro, a cidade entre dois mares




Conhecida como a Cidade dos Mares, Catanzaro ao sul da Itália teve vários nomes através de sua longa história. Os gregos chamavam a cidade de Katantza'rion e na época romana era chamada de Chatacium. Quando os sarracenos estiveram na cidade entre os anos 900 a 1.000 era chamada QaTanSáar. Os bizantinos diziam Rocha de Nicéforo e os normandos Cathacem. Sob o reino de Nápoles era chamada Cathanzario. Depois da unificação italiana passou a ser chamada Catanzaro. 







Cidade das Três Colinas: Assentada sobre três montes na região da Calábria, Catanzaro era conhecida como a Cidade das Três Colinas:
  • Monte San Trifone hoje chamado San Rocco, de onde pode-se ver os subúrbios ao sul da cidade e do Golfo de Squillace.    
  • Monte del Vescovato hoje a Praça da Catedral.   
  • Monte do Castello hoje chamado Monte San Giovanni ou Monte do Castelo é o ponto mais alto, onde estão as ruínas do castelo.  
Ao longo dos séculos, sua localização estratégica permitiu tornar-se um importante centro de negócios tendo hoje uma moderna infra-estrutura. Devido à sua localização, segura e alta, foi a terra escolhida por vários povos que tentaram dominá-la, como os normandos, venezianos e os sarracenos que foram os primeiros a dar início ao desenvolvimento da cidade em suas regiões mais altas no século 9.





Viaduto Morandi: Uma das maiores construções de Catanzaro são as altas e modernas pontes que cruzam a cidade, principalmente o Viaduto Morandi que é um dos mais altos da Europa.  O arco de concreto armado, é um verdadeiro monumento de engenharia e arquitetura que tornou-se um símbolo da cidade e de identificação da Calábria no mundo. À noite a ponte se torna magnificamente iluminada.  









Monumentos: Com várias praças, fontes e antigos palácios, a cidade possui uma moderna infra-estrutura como o novo Teatro Politeama de 2002. Uma das obras mais significativas da cidade é a Fontana del Cavatore, uma estátua de bronze cavando água nas pedras; uma obra de arte napolitana do século 20. Além dos monumentos, ao longo dos séculos Catanzaro foi enriquecida por muitos parques e jardins tendo destaque o Jardim Botânico e o parque da Villa Margherita. 






La Notte Piccante: Distinguida por sua rica tradição cultural, shows e apresentações teatrais, os eventos realizados regularmente fazem de Catanzaro um local de muitas emoções onde a culinária sempre teve destaque com seus sabores mediterrânicos, fortes e aromáticos. Um evento tradicional de Catanzaro são as celebrações da Páscoa precedidas da procissão no centro histórico em volta das sete igrejas.

Mas o principal evento é "La Notte Piccante" que é realizado em setembro e ressalta as tradições culinárias e folclóricas catanzareses. O evento inclui uma série de eventos, exposições, performances, degustações e concertos, sendo a ocasião que todos os museus e igrejas históricas são abertos ao público. Os concertos geralmente estão na Piazza Duomo e Piazza da Prefeitura.
O evento tem como tema a cor vermelha típica de Catanzaro, tendo grande destaque a pimenta, o vinho local vermelho e o tradicional Morzeddhu. Servido no pão pitta, recheado com carne, miúdos e dobradinha de bezerro (diuneddhi), preparado com pimenta em conserva, orégano, louro, sal e vinho tinto, Morzello ou Morzeddhu é um símbolo de Catanzaro.





Festas religiosas: Outra tradição de Catanzaro são as festas religiosas em suas inúmeras igrejas, entre elas a Catedral construída em 1121. Destruída por terremoto em 1638 e pelos bombardeios de 1943 durante a Segunda Guerra Mundial, a catedral foi restaurada em 1960, sendo dedicada a Santa Maria Assunta e SS. Pietro e Paolo.







Devido aos vários terremotos, a cidade mantém poucos traços dos tempos antigos. Um terremoto em 1783 causou avarias em muitas igrejas e em outros patrimônios históricos, mas ainda mantém a Basílica dell'Imacollata de 1254, a Igreja do Rosário de 1499, a Igreja de San Giovanni Batista de 1532.

A Igreja de Sant'Omobono é uma pequena capela do século 11, além das Igrejas de San Rocco, San Francesco, Santa Maria del Carmine, Santa Maria de Portosalvo e a Igreja del Monte dei Morti. 





Parque Arqueológico: No Parque Arqueológico de Scolacium perto de Catanzaro Lido pouco resta da cidade pré-romana. O que permanece visível mostra um sistema da colônia romana com os vestígios de monumentos mais importantes, antigas estradas pavimentadas, aquedutos, mausoléus, o teatro e o anfiteatro romano.

Até o princípio dos anos 1800 a cidade era uma fortaleza cercada por muralhas e torres. Desta época restam apenas a Porta San Agostino e Porta di Strato, que são os últimos vestígios das muralhas medievais que foram demolidas em 1805.

As ruinas do Castelo Normando e um tour pelos inúmeros museus de Catanzaro permitem explorar muito de sua história. Significativa herança é preservada no Museu Arqueológico Provincial, Museo rissorgimento, La Casa della Memoria e outros.  

Descobertas arqueológicas mostram que desde a Idade do Ferro floresceram na região os povos de Vitulo, assim chamados porque eles adoravam a estátua de um bezerro que os gregos nomeavam de Italoi ou adoradores do bezerro. Eles eram regidos pelo famoso rei italiano Italo, um ancestral dos troianos, daí surgindo o nome Itália.







Golfo Squillace: Catanzaro teve origem na era da Magna Grécia e supõe-se que o heroi Ulisses da mitologia grega tenha desembarcado no Golfo de Squillace. Com vista para o Mar Jônico, a pouca distância da cidade estão 8 km de praias e um porto de pesca.

No verão o litoral de Soverato se torna um ponto turístico, especialmente para os jovens devido às inúmeras opções de diversão. Localizada no istmo de Catanzaro, que é a mais estreita faixa de terra da Itália, apenas 30 km separam o Mar Jônico do Mar Tirreno. Em dias claros é possível ver os dois mares e as ilhas Eólias, por isso é chamada Cidade de dois Mares.  

 


Museu da Seda: Catanzaro também era conhecida como a Cidade "VVV", referindo-se a três características distintas da cidade:
  • "V" de San Vitaliano que é o padroeiro da cidade.
  • "V" de vento, devido aos fortes ventos que sopram do mar Jônico e Silas, dando um clima agradável durante o verão.  
  • "V" de veludo, por ter sido um importante centro de tecidos de seda, damascados e brocados desde a época bizantina.  




O pequeno Museu da Seda de Catanzaro e outro em San Floro descrevem as várias fases de processamento da seda e brocados, com máquinas para reproduzir desenhos, pentes, pás, paineis e documentos que comprovam o esplendor da seda de Catanzaro. Exemplos da arte têxtil podem ser vistos na Igreja Monte dei Morti, onde as amostras são armazenadas em veludos chamados "Catanzaro Púrpura".

O desenvolvimento da arte da seda em Catanzaro é um mistério, visto que na época todo o sul da Itália estava sob o domínio bizantino. Alguns estudiosos acreditam que o próprio significado do nome original da cidade Katantzárion, poderia ser rastreado do grego Katartizen que significa preparar, embalar ou algum processo em um terraço de frente para as montanhas (Kata+Anzar).






Acredita-se que a arte da seda foi introduzida em Catanzaro em 1072 através de uma casta que vivia nas cidades orientais. De acordo com uma tradição de Catanzaro, os primeiros centros europeus que trabalhavam a seda eram italianos, entre o final do século 9 e início do século 10. No início do século 15 a seda teve grande expansão, pois Catanzaro tinha todos os recursos: a água abundante, o vento para remover o cheiro e o sol para secar a seda.

Porém no século 17 cairia em decadência. A terrível epidemia que se abateu sobre Catanzaro em 1668 atingiu 16.000 habitantes de Catanzaro, reduzindo significativamente a produção de seda fina. Invadida por muitos ratos vindos em navios do Oriente, as ruas da cidade transformaram-se em um campo de cadáveres das vítimas da peste.

Em vista disso, as oficinas de seda foram queimadas, cujas chamas altíssimas podiam ser avistadas a quilômetros de distância. A pobreza se alastrou em Catanzaro como um vírus secundário, aliada à perda da memória de tempos áureos e do rasto das técnicas e dos padrões dos tecelões de seda. E assim, ninguém jamais conseguiria reconstituir os seus segredos...


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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.