29 julho 2017

Firenze 10 Piazza Santa Croce e outras



Piazza San Firenze 

Localizada bem perto do centro, a Piazza San Firenze é uma das praças mais movimentadas da cidade. Cercada pelo Complexo San Filippo Neri, o Palazzo Gondi e o Palazzo Columbia, esse é o ponto de partida para a descoberta de interessantes praças e museus.




Complexo di San Filippo Neri

O imponente complexo, usado até recentemente como sede da Corte, tem uma bela fachada decorada por diversas esculturas. Construído encima de uma antiga igreja, à esquerda está a Igreja de San Filippo Neri erguida entre 1668/1715 e à direita a capela, construída entre 1772/1775.



Palazzo Gondi

O Palazzo Gondi, um excelente exemplo de arquitetura residencial do século 15, foi desenhado pelo arquiteto Giuliano da San Gallo em 1490. Dizem que na época Leonardo da Vinci morava numa casa, que foi destruída para expandir o canteiro de obras. E teria sido nessa velha casa que Da Vinci teria pintado a Monalisa, que hoje encontra-se no museu do Louvre. Ainda hoje o palácio pertence aos descendentes da família, sendo o piso  térreo ocupado por estabelecimentos comerciais.



Palazzo Columbia - Parlamento

Outro palácio da Piazza San Firenze é o Palazzo Columbia, que se tornou um hotel em 1865. Devido ao seu padrão luxuoso, recebia hóspedes ilustres e era  frequentado por parlamentares e senadores. Restaurado no século 19, hoje é uma das boas opções de hospedagem em Firenze.



Borgo dei Greci

Firenze tem origem romana e ainda conserva alguns de seus traços antigos. Tendo sido importante ponto para se chegar a Roma na época de Júlio Cesar, no trajeto entre a Piazza San Firenze e a Piazza Santa Croce existiu naquela época um grande anfiteatro romano construído no século 2.

O Borgo dei Greci corta a área onde antes existiu o anfiteatro. Embora já não exista mais, as ruas ainda conservam as linhas da construção. Basta seguir da Piazza dei Peruzzi até a Via Torta para constatar a meia circunferência. Na época, pequenas casas alinhavam-se ao redor do anfiteatro.

Uma construção que se destaca nessa região é a Torre dei Peruzzi, que foi construída pelos famosos banqueiros da família Peruzzi. Situado de frente para a Piazzeta Peruzzi, nas demais construções pode-se perceber o estilo medieval que sobreviveu.



Piazza Santa Croce

Embora esteja situada um pouco distante dos pontos turísticos mais populares, a Piazza Santa Croce é famosa entre os fiorentinos. A entrada da praça é marcada por uma bela fonte, que foi restaurada recentemente e voltou a jorrar água. 

Ao redor da Piazza Santa Croce encontram-se as famosas lojas fiorentinas que vendem acessórios e roupas de couro. Nas imediações da praça também encontram-se lojas de artesanato e antiguidades. É também o local onde são realizadas muitas festas, festas, shows e onde acontece os animados mercadinhos na época do Natal.



Calcio Storico

É também na Piazza Santa Croce que acontece o Calcio Storico Fiorentino. É realizado todos os anos em 24 de junho - dia de San Giovanni, quando a praça se transforma numa grande arena. Realizado desde o século 15, o evento esteve suspenso em 1739 e só recomeçou em 1930. Embora o espetáculo seja um pouco violento, é uma tradição da cidade.



Palazzo dell'Antella

Destaca-se na praça o Palazzo dell'Antella, que nasceu da fusão de várias casas no século 15. No início do século 17 o palácio foi dado como um dote para o Senador Nicholas dell'Antella, que ampliou a propriedade e definiu sua ampla fachada. A fim de dar uma aparência uniforme para a propriedade, ele mandou pintar os afrescos com alegorias que exaltasse o governo dos Medicis.

As pinturas foram feitas 1619/1620 por uma equipe de treze jovens artistas liderados por Giovanni da San Giovanni.  Comprado em 1925, o novo proprietário mandou restaurar as pinturas. Uma nova intervenção foi feita entre 1991/1992, sendo agora considerado como Patrimônio Artístico Nacional. O palácio possui salas com afrescos e também um jardim secreto.



Palazzo Cocchi-Serristori

Outro de destaque é Palazzo Cocchi-Serristori, que hoje pertence à prefeitura de Firenze. Segundo historiadores, o palácio foi comprado pela família Cocchi em 1463. Foi habitada pelo médico Antonio Cocchi e depois pela filha de Luigi Serristori, daí permaneceu o nome do palácio.



Basílica Santa Croce

A Basílica de Santa Croce é uma das igrejas mais bonitas de Firenze. Batizada como a "igreja de todos os cidadãos florentinos", as obras de construção foram feitas pelo famoso arquiteto Arnolfo di Cambio e pagas pelos cidadãos no final do século 13, tendo sido erguida onde já existia uma igreja franciscana.

Na época essa era uma área pobre e pouca habitada, mas ideal para acomodar a multidão de peregrinos que vinham assistir as representações sagradas, mas também os torneios antigos. Construída em estilo gótico entre 1294/1443, a fachada coberta por mármores branco/verde só foi concluída no século 19.

Ao lado da igreja na parte externa foi feito um grandioso monumento para homenagear Dante Alighieri, cujo corpo foi sepultado em Ravenna. Através do claustro é possível apreciar a bela Capella Pazzi concebida por Brunelleschi, uma joia da arquitetura renascentista.







Em seu interior há obras artísticas de Donatello e belas capelas concebidas por Michelozzo, ricamente decoradas com afrescos, que dedicadas às famílias fiorentinas que patrocinaram a construção da igreja. Aliás, essa igreja é um precioso museu. Além das capelas dedicadas aos nobres, nas laterais estão sepultadas 276 personalidades das artes, tal como Michelangelo, Ghiberti, Machiavelli, Galileo Galilei e outros.



Museo dell'Opera di Santa Croce

O complexo de Santa Croce é muito grande. No refeitório há um grande afresco da Última Ceia feito em 1360, cronologicamente o primeiro do ciclo de cenáculos de Firenze. O Museo Dell'Opera di Santa Croce, inaugurado em 1959, contém lindíssimas obras de arte da escola florentina.

Além dos maravilhosos afrescos, há também uma coleção da escola de Della Robbia e uma magnífica escultura de bronze dourado feita por Donatello. A obra-prima do museu é o Crucifixo de Cimabue, colocado no refeitório no século 14.



Biblioteca Central

Às margens do rio Arno encontra-se a Biblioteca Central, que é uma das mais importantes da Itália e da Europa.  Nesse lugar pode-se encontrar livros raros e manuscritos valiosos. O acervo é enorme, com milhares de volumes.

A biblioteca foi fundada em 1714, quando o famoso cientista italiano Antonio Malyabechi legou sua coleção de livros a Firenze. Em 1861 a biblioteca foi fundida com outras bibliotecas e rebatizada a Biblioteca Nacional Central, tendo recebido as coleções que antes ficavam na Galleria Uffizi.




Museo Galileo Galilei

O tour começa no Museu dedicado a Galileo Galilei, que está instalado num belo palácio medieval do século 11, bem ao lado da Piazza dela Signoria. O museu foi fundado em 1657, tendo 18 salas, 1300 peças e reúne todos os tipos de ferramentas e instrumentos científicos desde renascimento até o século 20.

Considerado um dos museus mais importantes do seu campo, ele oferece uma viagem à descoberta da ciência moderna, do universo, da tecnologia e da física. No primeiro andar está a coleção doada pela família Medici, que foi iniciada por Cosimo de Medici I. No segundo andar está a coleção da família Lorena.




Nas salas seguintes encontram-se instrumentos para medir o tempo, como relógios, calendários, instrumentos astronômicos anteriores à invenção do telescópio e outros objetos, entre os quais o primeiro barômetro de mercúrio inventado em 1634.

Também são interessantes os quatro globos do famoso cosmógrafo veneziano Vincenzo Maria Coronelli. Os enormes globos mostram o mundo como era conhecido naquela época. Há também instrumentos náuticos e marinhos e aqueles dedicados à ciência da guerra. 




Uma das salas é dedicada às glórias de Galileu, onde estão muitos dos seus experimentos fielmente reproduzidos e objetos originais. Entre os itens mais valiosos do museu, encontra-se o telescópio com o qual Galileu descobriu em 1609 os Montes Apeninos Lunares e os satélites de Júpiter.

Entre as salas com microscópios, estudo de organismos vivos e progressos da astronomia, chama atenção um vidro em forma de ovo que dizem conter o dedo médio de Galileu, que foi recolhido depois de ter sido perdido durante os traslados dos restos mortais de Galileu para a Basílica de Santa Croce em 1737.




Nascido perto de Firenze em 1564, como um bom aquariano Galileu Galilei estudou latim, matemática, gramática, lógica, religião e medicina, mas sua vocação era de cientista. Observando um candelabro em uma missa, ele criou as leis do Pêndulo. Logo depois conseguiu provar que Aristóteles estava errado quanto a lei da queda dos corpos.

Embora fosse muito estudioso, em seu tempo livre ele ia à grandes festas e se embebedava em bares. E foi depois de uma dessas bebedeiras, que Galileo junto com alguns amigos acabou dormindo num quarto frio e gelado. Todos ficaram doentes e só Galileu sobreviveu, porém jamais se recuperou de um forte reumatismo e outros males que o acompanhou pela vida.

Aos 35 anos Galileo casou e acomodou. Com grandes descobertas feitas sobre astros, se tornou célebre. Ganhou fama ao ler horóscopos, fato que não teve muito êxito, pois prevera a longa vida de um Grão Duque, que veio a falecer em tenra idade. Assim ficou desacreditado em suas previsões.





Nessa época os telescópios eram usados apenas como brinquedo de divertimento, porém ao descobrir os anéis de Saturno Galileo ganhou a admiração do Grão Duque Cosimo de Medici II. Mesmo tendo algum prestígio, as ideias de Galileu não eram aceitas.

Por ter uma personalidade difícil, Galileu foi angariando muitos inimigos. Ao afirmar que a Terra se movia, Galileu foi intimado pelo Papa Paulo V a renunciar de suas ideias e não falar mais do assunto. Porém Galileu não obedeceu e foi julgado pela Suprema Inquisição.

Condenado a viver em prisão perpétua, no fim de sua vida, mesmo cego, Galileu construiu um relógio de pêndulo, cuja montagem foi feita por seu filho com sua orientação. Em 1642 Galileu Galilei morreu, deixando um gigantesco legado para a humanidade e o caminho livre para outros cientistas...


Museo Horne

Na Via de Benci está a Casa Horne, que pertenceu ao arquiteto Herbert Percy Horne, um inglês que morou em Firenze em 1916. Grande colecionador de obras de arte, especialmente de Giotto, Masaccio, Filipino Lipi, Giambologna, no início do século passado ele comprou o Palácio Corsi nas proximidades do Rio Arno para abrigar a sua coleção de obras de arte.

Tudo foi doado para a fundação, que transformou o palácio em museu, onde são mantidos seus móveis dos séculos 12 a 17 e expostos entre os ambientes da sala, quarto e cozinha, como queria Horne. Um lugar muito charmoso.




Piazza Beccaria

Logo adiante está a monumental Porta alla Croce no meio da Piazza Beccaria. Construída em 1284, no passado essa porta servia como entrada na cidade que cercada por uma grande muralha. Com a expansão da cidade em 1865, as muralhas foram derrubadas. A partir disso foi criada a Piazza Beccaria, tendo vários prédios iguais à sua volta. Ao final da avenida está a Torre della Zecca que fazia parte das muralhas de Firenze. 




Piazza dei Ciompi

Passando pela Piazza dei Ciompi, chama atenção a Loggia del Pesce, que foi construída em 1568 para abrigar os vendedores de carnes e peixes, que foram obrigados a sair da Ponte Vecchio. Desmontada em 1885 e reconstruída em 1955, na loggia estão os escudos dos Medicis e outros. A galeria, aberta sustentada pelos pilares, tem oito medalhões que recordam a pesca.

Nessa praça também está a antiga casa onde viveu Lorenzo Ghiberti, o famoso arquiteto e escultor que criou uma das portas do Batistério San Giovanni e muitas outras criações espalhadas pela cidade, como a escultura de San Giovanni Battista exposta num nicho externo da Igreja Orsanmichele.





Piazza Lorenzo Ghiberti / Mercato Sant'Ambrogio

Aliás, Lorenzo Ghiberti é o nome da praça onde está o Mercado Sant'Ambrogio, que é o mercado preferido dos fiorentinos, dos chefs e cozinheiros. Para os turistas é uma boa oportunidade para conhecer o dia-a-dia dos moradores da cidade. O lugar é bem tipo feira livre, com várias bancas.

Ali vende-se carnes, peixes, queijos, massa fresca, grãos, azeite e muitas outras coisas. Nas bancas ao redor do mercado acha-se frutas, verduras e objetos de casa. Se estiver nesse mercado na hora do almoço, aproveite para desfrutar das tratorias que servem pratos deliciosos.




Piazza D'Azeglio / Sinagoga e Museu Ebraico

A Piazza D'Azeglio é um grande espaço arborizado onde estão muitos palácios antigos. Nas imediações encontra-se a Sinagoga e o Museo Ebraico, cuja cúpula de cobre verde é um ponto famoso da paisagem urbana. Também conhecida como Tempio Maggiore, é considerada uma das mais belas da Europa.

A comunidade judaica de Firenze é muito antiga, tendo tido o Duque Cosme - o Velho como um protetor dos judeus na cidade. A primeira sinagoga surgiu em 1572 do outro lado do rio Arno, até que em 1868 foi comprado um terreno para construir a nova sinagoga. O Templo Israelita foi inaugurado em 1882, tendo a construção revestida em mármore.




Casa Buonarotti

Nas imediações da Piazza Santa Croce encontra-se a antiga casa de Michelângelo, onde podem ser admirados seus lindos desenhos, esculturas, pinturas e outras preciosidades. Muito interessante é o vagão usado em 1873 para transportar o David para a Academia.

O museu foi organizado pela bisneta de Michelangelo Buonarroti, tendo organizado ao longo dos anos muitas peças e obras do artista, assim como desenhos e primeiros trabalhos. Restaurado e reorganizado em 1964, a Casa Buonarroti mantém ainda o mobiliário original do século 17.  





Sendo uma das principais atrações turísticas de Florença, nas 22 salas do museu estão preservadas obras e detalhes da vida de Michelângelo. Nascido na cidade de Caprese em 06 de março de 1475 e registrado como Michele Angelo di Lodovico Buonarroti Simoni, o artista passou parte de sua infância e adolescência na cidade de Firenze.

Com Domenico Ghirlandaio ele aprendeu a pintar afrescos. Patrocinado por Lorenzo - o Magnífico, com 16 anos foi estudar escultura nos jardins da família Médici. Suas esculturas passaram a ser tão admiradas, que foi chamado para decorar a Capela Sistina em Roma, onde passou a maior parte de sua vida. Falecido em 1564 aos 88 anos, seus restos mortais repousam na Basílica de Santa Croce.




09 julho 2017

Firenze 11 Galleria dell'Academia



Piazza della Libertà

Embora a Piazza della Libertà esteja um pouco distante do centro e não faça parte dos itinerários turísticos, ela é uma das praças mais bonitas de Firenze. No passado era através da Porta San Gallo que chegavam em Firenze os viajantes e comerciantes vindos do Oriente.





Construída em 1285, a grande Porta San Gallo ainda está lá, competindo no meio da praça com o Arco do Triunfo que foi construído em 1738 após a extinção do governo dos Medicis. Tendo jardins em volta de uma fonte, a praça é cercada por vários prédios em estilos semelhantes. Após o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, a praça passou a ser chamada Piazza della Libertà.




Museo Stibbert

Um pouco adiante da Piazza della Libertà encontra-se o Museu Stibbert, que nasceu da coleção de Frederick Stibbert. Filho de uma mãe toscana, ele era um importante homem de negócios e tinha paixão pelas coisas antigas. Por isso se tornou um colecionador de obras de arte de todo o tipo, como armaduras, quadros, esculturas, pratarias, armas etc. Tendo um verdadeiro antiquário, tinha o prazer de exibir suas peças, por isso transformou a casa num museu.





No final de 1800  Stibbert restaurou a Villa Montughi, um importante exemplo de estilo do século 19, onde trabalharam alguns dos melhores artistas florentinos da época. No local há uma coleção com mais de 50.000 peças, que inclui vários objetos de arte, como pinturas, porcelanas, armaduras e mobiliário antigo.





A parte mais impressionante da coleção é a coleção de armaduras, na qual constam armaduras japonesas, otomanas e europeias. Uma peça interessante é a roupa que Napoleão vestiu em Milão, quando foi coroado o Rei da Itália em 1805. Há ainda um jardim com  curiosos monumentos, esculturas e um templo egípcio.





Piazza San Marco / Igreja San Marco

Rodeada por elegantes construções, a Piazza San Marco tem um amplo espaço, sendo o local onde estão importantes construções de Firenze. Em destaque a Igreja e o Convento San Marco, que foi encomendada por Cosimo - o Velho  no século 15. A encantadora igreja, que tem o interior todo trabalhado com afrescos e detalhes dourados, só foi terminada em 1780. Além de linda, essa igreja faz parte de um interessante acontecimento.

Há vários séculos nessa igreja tinha um famoso sino atribuído a Verrocchio, chamado pelo florentinos de "La Piagnona" ou "o bebê que chora". A história do sino está ligada ao Frade Savonarola. Dizem que o sino tocou a rebate quando ocorreu a prisão do frade em 1498, por isso o sino foi condenado ao exílio na Igreja de San Salvatore al Monte, onde nunca mais voltou a tocar. Em 2000, após mais de 500 anos, o sino foi perdoado e regressou ao mosteiro de San Marco.





La Fiorita de Maio / Fra Savonarola

Todo ano em 23 do mês de maio acontece a "Fiorita", uma celebração em memória de Fra Girolamo Savonarola, o frei dominicano que se tornou um fanático puritano e ditador moral de Firenze. Flores são colocadas exatamente no local onde ele foi queimado. Em seguida, uma procissão em trajes de época segue até o Ponte Vecchio, onde foram jogadas as cinzas de Savonarola e onde também são jogadas flores.

Para a população da época, Fra Girolano Savonarola era um visionário, profeta e pregador. Obssecado com a maldade humana e convencido de que a ira de Deus estava prestes a cair sobre a terra, em agosto de 1490 Savonarola começou a fazer seus sermões no púlpito da igreja de San Marco com a interpretação do Apocalipse. Assim Savonarola foi se tornando cada vez mais famoso.

Seus sermões foram exercendo uma influência crescente sobre o povo. Embora os Médici se mostrassem sempre mecenas generosos do mosteiro, Savonarola fazia críticas quanto ao governo da cidade. Também desaprovava as especulações financeiras da época e criticava os empresários, assim como denunciava os abusos na vida eclesiástica, da imoralidade de grande parte do clero, sobretudo a vida imoral de muitos membros da  Cúria romana, dos  príncipes  e dos cortesãos.

Reprovava severamente a imoralidade, as piadas, a frivolidade da poesia, o sexo, a homossexualidade. Condenava o jogo, as joias e roupas finas, a vida de prazeres dos fiorentinos e o luxo de todo tipo, as pinturas de nu, as imagens de divindades pagãs e toda a cultura humanista do Renascimento italiano.


execução do Frade Girolamo Savonarola em 23 de maio 1498

Savonarola colocou um fim aos carnavais e festivais tradicionalmente apreciados e os substituiu por festas religiosas. Na famosa ”fogueira das vaidades“  em 7 de fevereiro de 1497, ele ordenou a queima de mesas de jogos, baralhos de cartas, máscaras de carnaval, espelhos, enfeites, estátuas nuas, livros e imagens supostamente indecentes e tudo que fosse produto da vaidade e dos desejos.

Não surpreendentemente, Savonarola fez muitos inimigos poderosos. Entre eles estava o papa Alexandre VI, que tinha boas razões para se sentir desconfortável com a denúncia do luxo da Igreja e seus líderes, o que culminou com a sua excomunhão.  Condenados como hereges, no Domingo de Ramos em 1498 Savonarola foi preso pelas autoridades fiorentinas junto com outros dois frades.

Na manhã do dia 23 de maio, diante de uma multidão de fiorentinos reunida na Piazza della Signoria, foi erguida uma plataforma. Sob insultos, Savonarola e seus dois companheiros foram cruelmente torturados, enforcados e depois queimados. Alguns contam que durante a queima um braço de Savonarola se destacou da corda e a sua mão direita parecia levantar dois dedos, como se quisesse abençoar o povo ingrato de Firenze...





Museu San Marco

O Museu San Marco ocupa a parte antiga do mosteiro dominicano, onde se encontra a maior coleção do mundo de obras de Fra Angelico, que viveu nesse local por muitos anos. No local também encontram-se muitas obras de Ghirlandaio e Paolo Uccello, mas também um famoso retrato de Fra Girolamo Savonarola que viveu no mosteiro por algum tempo.

No segundo andar estão as celas dos velhos monges, decoradas com belos afrescos pintados por Fra Angelico entre 1438 e 1446. Também pode-se visitar a fabulosa biblioteca de 1437, que possui manuscritos valiosíssimos que pertenceram à família Médici e a outras personalidades como Pico della Mirandola e Agnolo Poliziano.



Università degli Studi Firenze

Na Piazza San Marco encontra-se uma das sedes da Università di Firenze, que é uma das mais antigas da Itália. Fundada em 1321, por muitos anos a universidade manteve apenas o curso de Teologia, mas atualmente oferece diversos cursos de graduação. Da universidade faz parte o mais importante museu naturalista italiano e um dos maiores a nível internacional, bem como um dos mais antigos: o Museu de História Natural. Fundado em 1775 pelo Grão-Duque Pietro Leopoldo, o museu inclui uma biblioteca e achados de valor científico extraordinário. 




Orto Botânico

Nas proximidades da universidade está o Jardim Botânico, que foi fundado por Cosimo I de Medici em 1545, sendo o terceiro jardim botânico mais antigo do mundo. Hoje faz parte do Museu de História Natural. É também nessa zona que está o Museu de Arqueologia, considerado um dos mais antigos museus do gênero. Foi inaugurado pelo rei Vittorio Emanuele II em 1871. Atualmente a seção sobre o Egito antigo vem crescendo com adição de novas peças. Existe também um Museu Preistorico, que situa-se perto da Piazza Santa Maria Nuova.





Galleria dell'Accademia

É também na Piazza San Marco que se encontra a famosa Galleria dell'Accademia. Fundada em 1563, a academia foi a primeira escola europeia a ensinar técnicas de desenho, pintura e escultura, sendo a escola de belas artes mais antiga do mundo. A coleção exposta em 1784 visava proporcionar aos estudantes da academia material de estudo e de cópia. Posteriormente passou a ser chamada de Galleria dell'Accademia. Foi fundada pelo Grão-Duque Pedro Leopoldo de Lorena e transformada em museu em 1873.






David de Michelângelo

O museu recebeu as obras mais importantes de Michelangelo, sendo mais famosa a escultura original de David, um colossal nu clássico que representa o herói bíblico vencedor do gigante Golias. É impressionante o realismo anatômico da obra.

Iniciada em 1501 e concluída em 1504, a escultura de 5,17 metros de altura foi instalada inicialmente em frente ao Palazzo Vecchio, o que tornou Michelangelo aos 29 anos, o mais importante escultor do seu tempo. Porém, para protegê-la contra intempéries e poluição, a escultura foi transferida para o museu da academia, restando no local uma réplica.





Outras obras-primas de Michelângelo são: uma estátua de São Matheus concluída em 1508 e os Quatro Prigioneiri esculpidos entre 1521 e 1523 e destinados ao túmulo do papa Júlio II. Oferecidos aos Medici pelo primo de Michelangelo, esta obra é uma das mais dramáticas do seu autor, apresentando a figura num esforço muscular para se libertarem da pedra.






No acervo da galeria consta ainda de uma importante coleção de pintura dos séculos 15/16 de artistas fiorentinos contemporâneos de Michelangelo, como Fra Bartolomeo, Filippino Lippi, Bronzino e Ridolfo de Ghirlandaio. Entre as obras mais importantes figuram a "Madonna del Mare" atribuída a Botticelli  e "Vênus e Cupido" de Jacopo Pontormo baseada num desenho preparatório de Michelangelo.





Piazza della Annunziata  

Depois de enfrentar a multidão de visitantes em frente à Galleria dell'Accademia, seguindo uma pequena rua chega-se à Piazza della Annunziata, que é uma das praças mais estilosas de Firenze. Aliás, quando a praça foi projetada essa era a intenção. Admirada por sua elegância e harmonia de suas cores, o nome da praça teve origem no antigo oratório construído em 1233 e dedicado à Virgem Maria. Devido à constante peregrinação, foi criada a basílica.





Basílica della Santíssima Annunziata

A Basílica ocupa a parte frontal da praça. Diz a tradição que em 1081 havia uma pequena capela, que tinha sido construída para agradecer à Virgem Maria, pela vitória após a cidade ter sido cercada por Henry IV. Em meados de 1200, quando foi criada a Ordem dos Servos de Maria, o oratório que ficava fora das muralhas da cidade se tornou um ponto de referência nas colinas que rodeavam Firenze.

Em 1252 os monges decidiram expandir e embelezar a capela, colocando as arcadas frontais e obras de arte dedicadas à gloriosa Virgem Maria durante a Anunciação. Devido ao cansaço, Fra Bartolomeo que estava pintando o quadro, acabou adormecendo. Porém, quando ele acordou, descobriu os detalhes que faltavam estavam concluídos. Assim o frade concluiu que um anjo o teria ajudado a terminar a obra, que foi chamada de "Anunciação Milagrosa".





O quadro se tornou um objeto de devoção para os fieis e acabou atraindo peregrinos de outras cidades. Assim, a igreja cresceu em importância e magnitude. Em 1447, com a ajuda de Piero di Cosimo Medici, os frades criaram o claustro.

Todos os anos, em 07 de setembro, a praça se enche para celebrar o Festival Rificolona, um evento fiorentino popular, que homenageia a natividade da Virgem Maria. Na oportunidade as pessoas levam lanternas lanternas de papel coloridas e iluminadas por velas. A procissão que passa por várias ruas termina na praça. Ao longo do tempo, as lanternas tornaram-se objetos para exibição e prêmios são dados para aquelas mais originais.




Museu ospedale degli Innocenti

Em cada um dos lados da praça existem duas construções idênticas que foram erguidas no século 15. Com grandes arcadas, o Ospedale degli Inocennti foi a primeira instituição da Italia e da Europa a se dedicar exclusivamente ao cuidado das crianças abandonadas.

Tendo sido um importante legado do comerciante Francesco Datini, a partir de 1419 o arquiteto Filippo Brunelleschi cuidou da construção, mas as primeiras crianças só foram recebidas no orfanato a partir de 1445.

Ainda hoje embaixo do pórtico do Spedale degli Innocenti é possível ver uma abertura, onde antigamente eram abandonados os recém nascidos. Em seu interior foi organizado um museu, que conta a história da instituição.





Fonte di Tacca ou Fontana dei Mostri Marini

A fonte criada por Pietro Taccà, contém esculturas de criaturas que evocam imagens do filme "O Monstro da Lagoa Negra". Originalmente a fonte era destinada ao Porto de Livorno, mas o Grão Duque insistiu que permanecessem em Firenze, por isso em Livorno foi colocado apenas uma cópia.





Palazzo Grifoni / Palazzo Budini Gattai

Um monumento em homenagem ao Grão Duque Ferdinando I feito em 1608 marca o centro da praça e está à frente dois prédios iguais: o Palazzo Grifoni e o Palazzo Budini. Em 1563 o famoso arquiteto Bartolommeo Ammanati começou a construção do Palazzo Grifoni, misturando cores. Algum tempo depois, para manter a harmonia simétrica da praça o Palazzo Gattai foi restaurado para se tornar mais parecido com o outro Palazzo Grifoni.

Um detalhe não escapa da atenção de quem sempre passa por aqui; no Palazzo Grifoni há uma janela que está sempre aberta. Dizem que o fato está relacionado com uma história de amor de um casal recém-casado. Depois de se mudar para o palácio, uma esposa teve que dizer adeus a seu marido chamado para a guerra. Com isso, dia após dia ela ficava na janela esperando seu marido, algo que nunca aconteceu. Quando ela morreu a janela foi fechada. Porém estranhos fenômenos começaram a se manifestar e só cessaram quando decidiram deixar a janela sempre aberta...





Museo Leonardo da Vinci

Logo adiante na Via dei Servi está o Museu Leonardo da Vinci, onde estão expostas as maravilhosas invenções do gênio da renascença. Nascido em Vinci no ano de 1452, Leonardo Da Vinci estava à frente do seu tempo.

A sala principal contém mais de 40 máquinas reproduzidas em tamanho real de acordo com os seus planos. Na sala dedicada à anatomia pode-se assistir a uma projeção que apresenta os seus estudos sobre o corpo humano e a sua aplicação em escultura e pintura. Também inclui reproduções das suas pinturas mais famosas.



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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.