19 maio 2012

Gradara, a cidade dos amores proibidos

 
Na região de Marche, a poucos quilômetros da costa do Adriático, a encantadora vila medieval de Gradara guarda uma rara beleza. Situada numa colina de oliveiras e vinhas, a antiga cidade é caracterizada pelas duplas muralhas medievais do castelo que foi cenário de amores proibidos, intrigas e traições.

 
Do alto da torre principal descortina-se o vale e a vista para o mar. É um dos castelos mais bonitos e mais preservados  da Itália, o coração da aldeia que pode ser acessado através da imponente Porta Firau. Dentro, as muralhas podem ser percorridas através de passarelas. Fora das muralhas, belas mansões misturam-se às antigas casas que testemunharam seus 1500 anos de história.

Estrategicamente posicionada no caminho que servia de rota para o comércio e para os povos que vinham do sul da costa Adriática e seguiam para a Emilia Romagna, durante a Idade média o castelo de Gradara foi uma importante fortaleza nas batalhas entre as tropas dos Estados Papais e os senhores de Marche e da Emilia Romagna.

Sua história teve início quando os irmãos De Grifo se apropriaram das terras e ali iniciaram a construção de um castelo em 1150. Depois de 100 anos, o papa efetivou uma desapropriação de terras e as concedeu para a poderosa e nobre família Malatesta que ampliou o castelo que hoje é chamado de Castelo Malatestiano.

 
Foi nesse cenário que se desenvolveu uma história de amor cheia de intrigas, enganos e falsidade. Guido di Polenta era Senhor de Ravenna e Malatesta, também chamado Mastin Vecchio, era Senhor de Rimini. Eles viviam em constantes desavenças até que em 1275 resolveram terminar os conflitos entre seus reinos. Para selar o acordo de paz, propuseram o casamento da jovem filha de Guido com um dos filhos de Malatesta.

Malatesta tinha quatro filhos: Ramberto, o belo Paolo tido como um grande romântico, o cruel Malatestino que tinha apenas um olho e Giovanni, que era chamado de Gianciotto porque era feio e tinha uma deficiência física além de um caráter sanguinário e vingativo. Gianciotto foi escolhido para casar com Francesca mas os dois senhores receiavam que ela o rejeitasse. Por isso, tramaram apresentar o belo Paolo a Francesca e fariam o casamento por procuração concedendo Gianciotto como seu consorte, assim ela não poderia recusá-lo e teria de aceitá-lo quando ele chegasse ao reino.

Iludida e enganada, Francesca assinou o seu compromisso e, para seu desespero, na manhã do casamento Gianciotto chegou ao reino de seu pai para buscá-la, mas ela nada mais poderia fazer. Como mandava a lei ela teria de aceitar e ir morar com o marido no castelo em Gradara. Ele tinha mais de 40 anos e ela ainda vivia os doces sonhos de seus 20 anos.

 
Gianciotto era prefeito em Pesaro e sempre era obrigado a viajar. Paolo tentava desculpar-se com Francesca por ter participado do ledo engano fazendo-lhe habituais visitas e foi assim que eles se apaixonaram. Quando Gianciotto viajava, Paolo vinha visitá-la à noite. Num desses encontros, o cruel Malatestino de um olho só espionou os dois amantes durante um beijo e juras secretas de amor, não tardando para relatar o fato a Gianciotto.

Numa noite de setembro, Gianciotto fingiu que saia em viagem mas retornou à noite e surpreendeu Paolo e Francesca. Cego pelo ciúme desembainhou a espada para matar o irmão e, na tentativa de acertá-lo, surgiu Francesca à sua frente no momento em que desferia um golpe. Mortalmente feridos, os dois amantes sucumbiram. Ao longo dos séculos, pintores, escritores e poetas se inspiraram na trágica e real história de Paolo e Francesca. Dante imortalizou os infelizes amantes na Divina Comédia.

 
Depois de dois séculos, o castelo testemunhou mais uma trágica história quando esteve sob os domínio da família Sforza. Giovanni Sforza morou no castelo por ocasião de seu casamento com Lucrecia Borgia em 1492, envolvendo-se numa sórdida história de muitas intrígas. Com a ajuda do seu primo que era cardeal ele conseguiu negociar seu casamento. Ele tinha 26 anos e Lucrécia de 13 anos era filha ilegítima de Rodrigo Borgia - o Papa Alexandre VI.

O contrato de casamento estipulava que Lucrecia permaneceria em Roma e não iria consumar o casamento por um ano, porém o rico dote seria pago. Quando Lucrecia foi para Gradara ela estava acostumada com a vida privilegiada na corte papal do Vaticano. Naturalmente ela não se adaptou à vida provinciana de Gradara e após 2 anos o casal retornou para Roma. 
 
Nessa época Giovanni já não via motivos políticos para continuar casado com Lucrécia mas devido à sua situação financeira decadente também não queria anular o casamento e devolver o dote. Por isso o Papa Alexandre VI e seu filho Cesare Borgia tramavam matá-lo para negociar um novo casamento para Lucrécia com um rico comerciante.

Giovanni fugiu de Roma e o Papa pediu a anulação do casamento em nome de Lucrécia dando a Giovanni apenas duas alternativas: ou ele devolvia o dote ou se declarava impotente. Em resposta Giovanni acusou Lucrecia de incesto com seu pai e com seu irmão seu irmão Cesare Borgia, algo que veio a criar uma sombra na história do Vaticano e um exemplo popular da depravação atribuída à família, apesar de nenhuma comprovação.

O casamento acabou por ser anulado quando Giovanni alegou que Lucrécia nunca teria permitido qualquer contato sexual. Isso lhe permitiu manter o dote mas foi acusado de impotência. Ele assinou um depoimento de que Lucrécia era virgem, porém logo depois ela apareceu grávida tendo sido atribuído como prova de incesto. 
 
Cesare Borgia reconheceu o filho, mas passou a perseguir Giovanni de todas as formas. Lucrécia Bórgia entrou para a história como a mulher mais bonita e sedutora de Roma, que envenava seus amantes com um estranho pó que mantinha guardado dentro de um anel. Aos 21 anos ela se tornou duquesa de Ferrara em seu terceiro casamento. Admirada por seu refinado sentido político, em Ferrara foi adorada e apelidada de "A Mãe do Povo".

O Museu Histórico de Gradara contém uma coleção de documentos históricos, armas, figurinos e antiguidades originais além de instrumentos de tortura que permitem conhecer a história de Gradara e vivenciar a atmosfera intrigante da Idade Média descobrindo os hábitos e costumes daquela época. A antiga vila de Gradara esconde uma rede de antigos túneis subterrâneos e cavernas que guardam muitos mistérios e segredos de sua história.

De acordo com historiadores, os túneis eram utilizados na Idade Média como rotas secretas de fuga quando havia algum perigo no castelo. As cavernas serviam como centros de heresias e pontos de encontro secretos de culto bizantino, devido à influência de Ravenna nas proximidades. Na Fortaleza de Gradara pode-se visitar uma das cavernas e também o quarto de Francesca onde há um alçapão que provavelmente era utilizado por seu amante.

A estratégica fortaleza permaneceu em poder da Igreja em 1641 até a unificação do Reino da Itália. O portão fortificado e muralhas mantém as insígnias e brasões de armas das famílias que se alternaram no poder: os Sforza, os Della Rovere, os Borgia, os Farnese e os Medici.  

 
Nessa atmosfera fascinante, Gradara mantém um calendário de eventos durante todo o ano com inúmeras exposições, feiras, festas e festivais, entre eles, o Festival  "Assedio al Castello" que acontece em julho, uma reconstituição do terrível cerco ocorrido em 1446 quando Franscesco Sforza tentou sem sucesso conquistar a fortaleza.  A batalha é revivida com um impressionante espetáculo pirotécnico e musical, seguido pela festa "A noite do Fogo" com músicos, danças medievais e artistas de todos os tipos que celebram junto ao povo a defesa vitoriosa da fortaleza.     

O calendário cheio de shows de verão oferece ainda muitos projetos interessantes, desde o recolhimento das portas de fechamento da aldeia "Quinta-feira no Castelo" para a abertura da noite do Rock. Em 19 de maio a fortaleza de Gradara retorna 600 anos no tempo e abre suas portas para realizar a Noite dos Museus. É uma oportunidade para admirar a beleza da fortaleza iluminada especialmente para essa ocasião. E para quem quiser conhecer ou estudar sobre a aplicação técnica da esgrima, há cursos e palestras ministrados por especialistas e mestres em esgrima.  


Graças à sua proximidade com o mar, atualmente Gradara é um destino turístico de renome tendo uma tradição culinária muito antiga. As pousadas e restaurantes oferecem diversas especialidades regionais e a gestão familiar da maioria dos restaurantes garante uma comida caseira bem elaborada e saudável, acompanhada de bons vinhos e do azeite produzido na região.

Um prato típico de Gradara é o Passatelli, preparado com pão e queijo parmesão ralado, casca de limão e noz-moscada, criando um sabor delicado. Para promover e valorizar as riquezas alimentares da terra, na época de verão são realizados festivais gastronômicos como o "Mangialafoglia" dedicado ao menu de vegetais e o "Solsfizio do Castelo" dedicado à redescoberta dos sabores antigos nos restaurantes com menu temático no centro histórico, uma verdadeira viagem de volta no tempo para reviver a Idade Média.

17 maio 2012

Taormina é puro encanto e charme










Charmosa e encantadora, Taormina é uma das cidades turísticas de destaque na costa da Sicília. Encravada sobre um ponto estratégico, das encostas do Monte Tauro se tem uma bela vista panorâmica para o Mar Jônico e o Vulcão Etna, tendo a seus pés as belas praias de Giardini Naxos, Mazzaro, Spisone, Mazzeo e Letojanni.
 


 
 


Taormina se torna muito movimentada no verão sendo um destino preferido por ricos turistas italianos o que torna a hospedagem e os restaurantes mais caros nessa época. O que dá destaque a essas praias são suas águas mornas e cristalinas que se espreguiçam sobre as praias cascalhadas de puro encanto e águas com alto teor de sal. As praias são acessíveis pela estrada sinuosa que desce de Taormina ou através do teleférico que chega à praia de Mazzarò.

Grande parte das praias pertencem aos resorts à beira mar mas há um espaço popular na Isola Bella ou Ilha Bela. Chamada pelos sicilianos de Isula Bedda, tem um caminho estreito sobre o mar que leva a uma praia estreita, porém aberta ao público.

A ilha pertenceu à Sra. Florence Trevelyan que veio da Inglaterra. Ela construiu uma pequena casa de frente para o mar e importou plantas exóticas que prosperaram sob o clima do Mediterrâneo formando um belo jardim. Tendo passado a outros proprietários, até 1990 era uma propriedade particular, porém foi adquirida pela cidade e transformada em uma reserva natural protegida.



  
 
 
 
 
 

Subindo a estrada que serpenteia a montanha, um belo cenário vai se descortinando. O centro histórico é um mundo de ruas estreitas e tranquilas, vielas, varandas cheias de flores e interessantes elementos decorativos. A Porta Messina é a antiga entrada cidade que dá início ao Corso Umberto I, que é a principal rua da cidade e termina na antiga Porta Catania.

O Corso Umberto I era chamado pelos romanos de Via Valeria. Essa é uma rua para passear, fazer compras, admirar as inúmeras lojinhas de souvenirs, arte, artesanato, antiquários além de muitas coisas interessantes. É um paraíso para os turistas, que podem se refrescar com a famosa granita de limão siciliano, de café ou de várias frutas. Também há restaurantes e bares onde se pode saborear deliciosas receitas sicilianas com frutos do mar.

Em Taormina há vários hotéis e pousadas entre eles o Hotel San Domenico, um mosteiro convertido em hotel em 1896. Esse hotel é famoso por seus belos jardins que foram construídos com a intenção de parecer uma grande varanda de flores. Em sua lista de hóspedes figuram grandes personalidades como reis, artistas e escritores famosos.



 

 

 A movimentada Piazza 9 Aprile pode ser considerada a área mais elegante de Taormina. A praça é chamada de 9 de abril porque nesse dia em 1860, durante uma missa na Catedral, havia um boato de que Garibaldi teria desembarcado para iniciar a libertação da Sicília. 

A notícia se provou falsa pois Garibaldi desembarcaria apenas um mês depois em 9 de maio, mas o nome permaneceu dedicado à praça mais bonita da cidade. Com bares ao ar livre e artistas que tentam capturar um tema para sua pintura, da varanda da Praça 9 abril pode-se admirar um magnífico panorama. 


 
 

 



Também há belos palácios ao longo do Corso Umberto I e nas imediações, como o Palazzo Ciampoli, o Palazzo Duca di Santo Stefano e a Câmara Municipal. O Palazzo Corvaja era onde o parlamento de nobres se reuniram em 1410.

Foi escolhido como residência de verão da rainha espanhola Blanche de Navarra, que na época governava a Sicília. O nome atual do palácio está relacionado à nobre família Corvaja que ali viveu de 1538-1945. Atualmente é um espaço para eventos culturais. Nas encostas de frente para o mar há lindos hotéis e elegantes residências.  



 




Muito populares na Sicília desde o século 19, os "carrettu siciliano" se tornaram obsoletos para transporte mas ainda persistem como iconografia popular siciliana. Trazidos para a Sicilia pelos antigos gregos, eles tiveram muita popularidade em 1920 quando eram utilizados em terrenos acidentados para transportar cargas leves, pessoas e nas ocasiões festivas. Adornados com esculturas e bucólicas decorações em cores vivas, assim como em outras cidades da Sicília em Taormina há um desfile em algumas épocas do ano na Praça 9 de abril. Miniaturas são vendidas em lojas e restaurantes. 




Habitada desde a Idade do Bronze, diz a lenda que os marinheiros gregos que passaram pela costa leste da Sicília se esqueceram de fazer sacrifícios em honra de Poseidon. Irritado, o deus dos mares naufraugou todas as embarcações e somente Theocles sobreviveu chegando até uma praia. Maravilhado com aquelas terras, ele retornou para a Grécia e contou o que tinha visto persuadindo seus compatriotas a se estabelecer na ilha.

Nascia assim a primeira colônia grega da Sicília em 736 a.C. chamada de Naxos e que se tornou um importante centro religioso de origem grega onde existiu um Oráculo de Delfos e um altar dedicado ao deus Apolo aonde se oferecia sacrifícios. Ao topo da montanha mais alta na área, no Monte Venere, há rumores de que tenha existido um templo dedicado à deusa Afrodite.

Por ser aliada de Atenas, Taormina foi destruída pelas tropas do tirano de Siracusa em 403 a.C. que era aliado de Esparta. Os habitantes fugiram para o Monte Tauro que deu origem a uma nova cidade chamada Tauromenium e posteriormente Taormina. A cidade tem fortes influências de diferentes povos mas especialmente herdadas dos gregos, bizantinos e árabes. Isso se torna evidente em seu brasão representado pelo Centauro da mitologia grega e nas artes. 

 



 
Taormina esteve sob domínio de inúmeros povos mas viveu seu tempo de prosperidade e privilégios sob o domínio romano. O Teatro Grego-romano é um ponto turístico e orgulho de Taormina. Construído no século 3 a.C., famoso por sua beleza e seu panorama, os gregos o construíram para apresentações culturais, como teatro e música, porém os romanos passaram a utilizá-lo para espetáculos sanguinários de lutas entre gladiadores e animais.

Os gregos tiveram o cuidado de manter a belíssima vista para o mar, mas os romanos a fecharam para que não atrapalhasse as apresentações na arena. O teatro tem capacidade para 5.000 espectadores e um palco com excelente acústica. No século 12 uma família de nobres espanhóis construiu seu palácio sobre uma parte do teatro. Recentemente o teatro recebeu importantes obras sendo atualmente utilizado para apresentações de artísticas, cerimônias e premiações. Em agosto de 2011 fêz parte da programação do Taormina Music. 

 

 

Existem diversos monumentos romanos na cidade, entre eles o Naumachia que significa batalha naval. Com 122 metros e elevação de 5 metros, acreditava-se que o monumento fosse uma arena cheia de água para encenar batalhas marítimas. No entanto, descobriu-se que era apenas um monumental reservatório de água. Dos antigos monumentos destacam-se as entradas da cidade: Porta Messina, Porta Catânia e a Porta di Mezzo. 


O Duomo é a principal igreja de Taormina que foi construída nos anos 1400 com uma aparência de fortaleza. A Praça da Sé era um lugar popular entre os homens ilustres que visitavam Taormina e ali se reuniam. No centro da praça, a bela fonte erguida nos anos 1600 contém a escultura do centauro que é um símbolo de Taormina ladeada por quatro fontes com a figura mitológica de pegasus.




A Igreja de San Pancrázio, que é o padroeiro de Taormina, foi construída no século 16 fora das muralhas da Porta Messina sobre as ruínas de um templo grego dedicado a Júpiter Serápis. Segundo a tradição, San Pancrázio teria sido enviado para ser o primeiro bispo de Taormina. No entanto, ele foi apedrejado até a morte pelos opositores do cristianismo. 


 
 
Uma das igrejas mais visitadas é o Santuário della Madonna Rocca. Situado no topo do Monte Tauro, é parcialmente encravado na própria rocha e foi construído em 1640 aproveitando a estrutura da rocha que forma uma gruta.
 
 



A Igreja de San Agostino foi construída no século 15 pelo povo de Taormina. Originalmente era dedicada a San Sebastiano que salvou a cidade de uma praga, porém quando chegaram os frades Agostinianos foi transformada em mosteiro e mudou seu nome. 




A Igreja de Santa Catarina foi construída provavelmente nos anos 1660 pelas inscrições existentes na cripta. Ela foi construída sobre as ruínas do Teatro romano Odeon e há decorações com conchas do mar. A Igreja Anglicana de San Giorgio foi construída em 1920 por iniciativa de muitos ingleses que passavam um tempo em Taormina, porém a mais central é a Igreja de San Giuseppe.



 

Eternamente fumegante, o Etna também chamado de Mongibeddu é um dos famosos vulcões ainda ativos no mundo. É o o ponto culminante da Sicília com 3.340 metros e o vulcão ativo mais alto da Europa, que permanece quase sempre coberto de neve podendo ser visto de longe.

Atualmente tem apresentado constantes erupções o que interrompe as excursões muito próximas, mas em geral há visitantes durante todo o ano. No inverno, as encostas do Etna viram pistas de esqui.

De Taormina partem excursões até a boca do vulcão, um curto percurso até chegar ao último abrigo da montanha, a Torre Filósofo, onde se encontram os guias geólogos que acompanham os visitantes caminhando por trilhas até o topo das três crateras do vulcão.

Temido e igualmente respeitado desde a antiguidade, o Etna não oferece apenas perigo mas também uma terra fértil que produz castanheiras, limoeiros, oliveiras, vinhas e pistache. Quem vive nas imediações sabe do evidente risco que o Etna representa e desde os tempos antigos evocam a proteção divina através de procissões e orações. Toda a região em torno do Etna é cercada por pequenas cidades, tão provincianas que durante a sesta do almoço não se vê ninguém nas ruas.




 

Taormina ganhou grande destaque quando o artista alemão Otto Geleng esteve em Taormina nos anos de 1880 e fêz vários quadros capturando cenários espetaculares de Taormina. Ele era um apaixonado por ruínas gregas e retratou cenários únicos e desconhecidos. Posteriormente quando suas pinturas foram expostas em Berlim e Paris, muitos críticos acusaram Geleng de ter uma imaginação sem limites, pois consideravam que não existiam tais cenários.

Geleng desafiou todos a irem para Taormina com ele, prometendo que pagaria todas as despesas caso não estivesse dizendo a verdade. A Otto Geleng foi dedicada uma rua da cidade que leva seu nome. A partir disso, a aldeia de pescadores e agricultores se transformou em um reduto de comerciantes, hoteleiros, construtores, artistas mas também foco de muitos escândalos.

Com seu cenário encantado, Taormina tornou-se um lugar de refúgio para artistas, escritores e músicos. No século 19 era considerado um resort de inverno para as classes altas e intelectuais da Europa, tendo recebido importantes personalidades. O primeiro turista importante foi Goethe que exaltou a cidade em seu livro "Viagem italiano" e também Friedrich Nietzsche, Guy de Maupassant, o Czar Nicolau I, Gustav Klimt , Sigmund Freud e muitos outros banqueiros, magnatas e aristocratas de todo o mundo.

 



E foi particularmente atraente para o escritor inglês David Herbert Lawrence que tornou a cidade conhecida pelo mundo. Casado com Frieda Von Richthofen, eles viajaram o mundo até que em 1920 chegaram em Taormina. Ele já havia estado em outros lugares tranquilos que o inspiravam, mas Taormina era insuperável. O casal instalou numa casa na Via Fontana Vecchia que hoje tem seu nome, a Via DH Lawrence, onde há uma placa comemorativa: "David Herbert Lawrence viveu aqui".


De sua varanda Lawrence podia admirar a bela paisagem do mar e a costa calabresa. Por causa das paredes grossas, a temperatura no interior da casa era confortável durante todo o ano. Isso inspirava o escritor que enaltecia as belezas de Taormina, considerando-a como um verdadeiro paraíso cheio de laranjeiras, limoeiros, amendoeiras e flores que se erguiam-se à bela aurora do mar e onde o sol se levantava com grande esplendor a cada manhã florida e perfumada de boungaville. Tudo era motivo de poesia, mas nem todos os dias de Lawrence eram agradáveis. 
 

 

Sua esposa tinha um temperamento imprevisível, tempestuoso, sedutor e liberal. Na Inglaterra ela era casada com um filósofo-professor e tinha 3 filhos. Mas no momento que ela conheceu Lawrence, aluno de seu marido, ela abandonou o marido e os três filhos e partiu com Lawrence pelo mundo. No entanto, ela tinha uma legião de amantes e sua infidelidade continuou em Taormina. Peppino D'Allura, um comerciante de vinhos de Taormina confessou antes de morrer ter sido um dos amantes de Frieda.

Foram os encontros entre Frieda de 42 anos e D'Allura de 24 anos que inspiraram o romance "O amante de Lady Chatterley" escrito por Lawrence. Devido ao seu conteúdo, o livro causou enorme escândalo na época e durante muito tempo depois. Nunca tinha havido uma novela romântica que retratasse uma mulher sexualmente liberada de forma tão explícita. Considerado obsceno, debatido e proibido em vários países, posteriormente seu livro foi publicado e adaptado para vários filmes.

Partindo de Taormina, alguns anos depois ele sucumbiu à tuberculose prematuramente aos 44 anos. Perseguido pela censura e deturpado em seus trabalhos criativos, na época de sua morte Lawrence tinha uma reputação de um pornógrafo que desperdiçou os seus talentos. Várias obras do artista tiveram partes censuradas antes de serem publicadas. Frieda era nascida em 11 de agosto de 1879 e morreu depois de um súbito ataque de AVC no início da manhã do seu aniversário em 11 de agosto de 1956.


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Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.