21 novembro 2011

Capalbio e os 22 arcanos do tarot




Capalbio, na região sul da Toscana, é um pequeno vilarejo medieval sobre uma colina próxima do mar Tirreno que preserva sua aparência tranquila junto à Fortaleza Aldobradesca, uma das mais antigas da Itália.

A fortaleza foi construída por famílias feudais para proteger dos ataques e invasões. É o ponto mais alto da vila que se destaca sobre os telhados das casas de pedra. A cidade só cresceu fora das muralhas a partir do século 16.








Habitada desde tempos muito antigos na Idade do Bronze, essas terras eram pouco povoadas devido à infestação de malária causada pelos pântanos. Quando os Medici receberam a cidade depois de 1555, eles fizeram uma grande plantação de pinheiros e carvalhos e tentaram combater a malária, mas a população local havia diminuído muito.

Em meados do século 18, Peter de Lorena decidiu recuperar a área, drenou os pântanos e tornou as vastas terras cultiváveis, mas Capalbio era ainda uma das áreas mais insalubres do Maremma. Somente após a Segunda Guerra Mundial foi possível reabilitar a área, graças a um decreto que recuperou e distribuiu as terras.








Capalbio se tornou uma comuna independente apenas em 1960 e atualmente é um dos locais mais bonitos da Toscana. Da antiga muralha pode-se admirar uma vista deslumbrante da região Maremma. A encantadora cidade medieval é muito animada durante todo o ano, mas principalmente no verão.

Famosa pelo seu charme, suas praias no mar Tirreno com areias macias e escuras contrastam com a água azul do mar. Sob proteção ambiental, o acesso às praias restringe o número de pessoas que podem estar nas praias ao mesmo tempo, isso porque as costas fazem parte do Oásis WWF que é responsável pela gestão e proteção do patrimônio ambiental.




  


Giardino dei Tarocchi: Uma atração da cidade é o belo Giardino dei Tarocchi - Jardim das cartas do Tarot. Localizado a poucos quilômetros de Capalbio, o jardim se tornou famoso por suas grandes esculturas criadas pela artista francesa Niki de Sant Phalle.

Retratando os 22 Arcanos principais das cartas de tarot, as estátuas decoradas com mosaicos de pedras e espelhos foram criadas desde 1979. Durante 17 anos Niki se fez acompanhar por uma equipe de artistas da arte contemporânea, especialmente por seu marido que faleceu em 1991.






A obra se tornou maior que ela imaginava e em 1997 Niki criou a Fundação Jardim Tarot com a finalidade de manter e preservar o trabalho realizado. Logo depois abriu o jardim à visitação pública.

Considerado como um trabalho único do seu tipo, a exposição das obras em uma paisagem natural e selvagem tem um significado simbólico. O acesso ao Jardim é bloqueado por uma longa parede na entrada interpretado como um sentimento de separação entre o jardim e o mundo exterior e da realidade cotidiana.






Atravessando o limiar, a estrada sobe para o grande praça central ocupada por uma fonte e dominada pelas figuras da Alta Sacerdotisa e o Mago, o primeiro grande arcano do Tarot que marca o início da trilha.

Rodeado por vegetação e os sinuosos bancos, uma espécie de anfiteatro é dominada por esculturas coloridas. De um tanque circular desce uma cachoeira que sai da boca da Sacerdotisa e desliza no poço da Roda da Fortuna, uma escultura automotora.




As estradas que se ramificam a partir da praça percorrem diferentes rotas que seguem o contorno do terreno, subindo ou descendo ao longo do cume, também tem um papel vital na obra.

No cimento do piso estão anotados pensamentos, citações, desenhos e mensagens de fé e esperança, uma vez que a rota mais que física é também espiritual.

Sobre o cume uma pequena escada leva à praça do Sol e logo depois uma figuras que retratam outras cartas como do Papa, seguido da Lua, da Temperança, dos Enamorados, do Diabo, da Torre etc.




Niki de Saint Phalle nasceu em 1930 na França e gostava da liberdade das formas e das cores, mas principalmente gostava de chocar os outros. Na mocidade ela foi uma modelo muito bonita e casou-se com o escultor suíço Jean Tinguely.  Ela demorou muito até ser aceita como artista, pois as pessoas a consideravam apenas como assistente do seu marido.







Seu grande sucesso aconteceu quando ela criou as "nanas", as gigantescas e sinuosas figuras femininas, gordinhas, coloridas e encantadoras, que estão espalhadas em vários lugares do mundo.




Em 1966 Niki inaugurou a mega-power escultura chamada HON, com 27 metros de comprimento no Museu de Arte Moderna de Estocolmo, que causou grande polêmica devido à porta de entrada da exposição.





Com artrite reumatoide ela mal conseguia andar e mexer com as mãos, mas mesmo assim deu prosseguimento à sua obra. Ela dizia que sentia isso como uma missão. Foi assim que ela transformou uma das esculturas em sua própria casa onde dormia e fazia as refeições.

Dizia Niki que, passando pelos arcanos ela encontrou a temperança. Em 2002, Niki de Saint Phalle faleceu em virtude de problemas pulmonares decorrentes dos gases tóxicos produzidos na fabricação de suas famosas figuras de poliéster.








19 novembro 2011

Cortona: Sob o sol da Toscana





Conhecer Cortona, na região da Toscana, é ir ao encontro da arte, da história e do misticismo. Guardada no interior das muralhas etruscas a 600 metros de altitude, a cidade testemunha através dos séculos todos os acontecimentos dos Apeninos e do Lago Trasimeno. Cortona é uma antiga cidade que foi habitada pelos etruscos, um povo do qual sabe-se muito pouco mas que, apesar do seu estilo de vida simples, possuia uma organização social e política muito elevada.








Os etruscos valorizavam a participação das mulheres nos negócios e na política. A mulher etrusca não era marginalizada da vida social e participava ativamente dos banquetes, jogos ginásticos e nas danças. Por isso, gregos e latinos consideravam promíscua a cultura etrusca, que permitia essa livre situação social da mulher.


Hábeis negociadores, os etruscos detinham muita riqueza e por isso sofriam muito ataques. Isso explica as construções de grandes muralhas que cercavam as terras onde se estabeleceram. Conhecedores de diversos elementos da arquitetura, construíram pontes, canais, muralhas e arcos nas entradas das cidades mas sobretudo se destacaram na arquitetura funerária. Todas essas influências são muito marcantes em várias cidades da Toscana que eram dominadas pelos etruscos.







Situada em um cenário único, Cortona está rodeada de destinos turísticos tradicionais como Florença, Arezzo, Siena, Perugia e outros, mas por muito tempo foi totalmente desconhecida no turismo. Porém, quando Frances Mayes, exímia narradora de viagens e amante da gastronomia, descreveu em seu livro "Sob o Sol da Toscana" o incrível mundo descoberto ao comprar e reformar uma casa de campo abandonada no interior da Toscana. Na verdade ela despertou o interesse do mundo sobre Cortona, como também pelos costumes, vinhos e receitas da culinária Toscana.








Circundada por uma grande muralha, seus edifícios medievais e ruas estreitas dão à cidade uma atmosfera evocativa. A Praça da República, no centro da cidade, é dominada pela Câmara Municipal e por muitas lojinhas. As mesinhas com cadeiras na calçada convidam o turista a sentar-se para melhor apreciar a atmosfera de Cortona. Mas o melhor é quando se caminha por suas ruelas muito estreitas apreciando cada detalhe, pois a maioria dos veículos são estacionados fora das muralhas da cidade.







E é nesse cenário medieval que acontece a Cortonantiquaria, uma das mais importantes feiras de antiguidades realizada todos os anos, desde o século 18 no Palazzo Vagnotti. Sendo conhecida na Itália e no mercado internacional de antiquários, móveis antigos, gravuras, objetos de arte, jóias antigas e objetos de decoração antigos são colocados à amostra atraindo colecionadores e antiquários de todo o mundo. A feira é organizada no final do mês de agosto/ início de setembro, lotando a praça. 

  






O Palazzo Casali, que já foi residência de uma família nobre de Cortona, hoje abriga o Museu da Academia Etrusca. No castelo estão interessantes achados arqueológicos etruscos e romanos. No extremo norte da cidade, o Museu Diocesano contém obras de grandes artistas, como Luca Signorelli e de Fra Angelico. A Basílica de Santa Margherita e o Santuário Franciscano de Celle convidam o turista a uma viagem de arte e fé, além de desfrutar dos lindos resorts nas imediações de Cortona. 




18 novembro 2011

Isernia, cidade dos primeiros habitantes da Europa




Isernia na região de Molise tem uma fascinante história que se perde na virada do tempo. Considerada a primeira capital da Itália, estudos arqueológicos confirmam que a área foi habitada desde a era paleolítica.

Foi nessa localidade que surgiu a comunidade dos primeiros habitantes na Europa. A cidade situada em um vale entre duas montanhas,  guarda os restos de uma cidade dos Samnitas que remontam a 295 a.C. Ali foram descobertos antigos teatros, pórticos e templos.

 
 

 
Cidade de Nero: A cidade, que foi no passado um importante centro romano, também foi onde nasceu Lúcio Domício Aenobarbo que, depois de adotado, recebeu o nome de Nero Claudius Caesar Drusus Germanicus - o famoso Imperador Romano Nero.
 
Embora haja outras hipóteses, o Imperador Nero ficou marcado na história por ter provocado o grande incêndio de Roma no ano 64. Muitos também associaram seu governo a um período de tirania, extravagância e muitas execuções, incluindo a execução de sua mãe Agripina.
 
No entanto o Imperador Nero tinha aversão às guerras e grande habilidade para negociar a paz com os seus opositores. Enquanto a corte se desdobrava para atender aos seus caprichos, Nero era detestado por grande parte da população.

Segundo alguns autores, ele sequer soube dos muitos feitos que lhe foram atribuídos. Seu grande pecado foi deixar-se dominar pela ambição da grandeza e do poder. De sua história há muitos monumentos arqueológicos.
 


 
 
 
Ponte Cardarelli: Um dos grandes destaques da cidade é a Ponte Cardarelli.  Construída em 1887, a ponte é um importante acesso à cidade.  Medindo 57 metros de altura e 130 metros de comprimento, ela traz uma sensação de deslumbramento quando apreciada através do vale.
 
Durante a Segunda Guerra Mundial, bombardeios aéreos mataram 1/3 da população de Isernia e destruíram mais da metade da cidade. Muitos monumentos sofreram grandes avarias, dentre eles a Ponte Cardarelli que foi reconstruída após a guerra com as mesmas características originais.
 
 
 
 
 
 
Centro histórico: O centro histórico ainda mantém intacta a estrutura do mapa da cidade romana, com uma infinidade de becos e pequenas ruas. Situada numa região propensa a terremotos, em sua história a cidade já enfrentou a destruição de muitos monumentos e construções históricas devido a abalos sísmicos.
 


 
 
Fraterna Fontana: A fonte, que remonta ao século 13,  é o monumento mais famoso da cidade. Foi construída no período romano e dedicada ao Papa Celestino V que nasceu em Isernia. Dizem que as pedras da fonte vieram da área onde morou a família de Pôncio Pilatos, que também era natural de Isernia.

Pôncio Pilatos é citado na bíblia como o responsável pela tortura e morte de Jesus Cristo, já que na época ele lavou as mãos diante da condenação. Como prefeito da Judéia, Pilatos tinha o poder de interferir nos julgamentos, mas nada fez. 

Na época a Palestina passava por momentos de violência, o que levou ao julgamento das questões com extremo rigor. Muitas lendas dão conta de que Pilatos acabou se convertendo ao cristianismo junto com sua esposa Prócula, que é venerada como santa na Igreja Ortodoxa. Depois do seu suicídio, muitos disseram que a culpa pela morte de Jesus o perseguia.
 






Castelos: Nas imediações da cidade há muitos castelos que existem desde a Idade Média. Alguns permanecem fechados ou são de propriedade privada e só podem ser admirados na parte exterior. Uma dessas construções gigantescas é o Castello di Pescolanciano. Outra é o Castello Pignatelli di Monteroduni.






Palácios: Há inúmeros palácios antigos, que serviram de residência para famílias nobres, como o Palácio San Francesco construído em 1222, o Palácio Pansini construído no ano 800, o Palácio D'Avalos construído em 1694 e os Palácios De Lellis, Jadopi, Pecori, Marinelli, Milan, Cimorelli, Mansini, Orlando, além do Palácio Episcopal e o Palácio da Universidade, alguns totalmente restaurados.





Cattedrale di San Pietro: A Cattedrale di San Pietro, na bela Piazza Andrea d'Isernia tem uma bela vista sobre o Vale do Sandro e do Mainarde. Originalmente foi construída no local de um templo pagão, mas depois de ser destruída pelo terremoto em 1805, foi reconstruída no estilo neoclássico. À esquerda da igreja há uma enorme campanário, que foi construído sobre as ruínas do fórum romano, com quatro estátuas romanas nos cantos.


 





Santuário da Madonna Addolorata di Castelpetroso: Em Isernia está o famoso Santuário da Madonna Addolorata di Castelpetroso, onde supostamente a Virgem Maria teria aparecido para duas pastoras de ovelhas. O santuário tem sete capelas que representam as sete dores da Virgem com uma cúpula de 54 metros de altura.
 


Abadia medieval de San Vincenzo di Volturno
 



Ermida dos Santos Médicos Cosimo e Damiano: Outro local de peregrinação é a Ermida dos Santos Médicos Cosimo e Damiano. Contruída no topo de uma colina, a ermida é um destino para os peregrinos no mês de setembro.

Essa ermida fica sobre as ruínas do templo onde era adorado Príapo, deus da virilidade na mitologia grega. No passado haviam procissões que usavam símbolos fálicos nas celebrações, que também está presente na torre da igreja.





Arte da renda de bilro: Uma das tradições de Isernia é a produção de rendas feitas sobre o tombolo. A arte da renda de bilro data do início de 400 e, segundo a tradição, foram as freiras espanholas do convento beneditino de S. Maria delle Monache que difundiram a arte em 1503.

As rendas de Isernia são famosas em todo mundo devido ao fino acabamento que a torna muito elegante. Na pequena praça, ao lado do centro histórico, as senhoras tilitam magistralmente os bilros...


 
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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.