29 março 2011

Cascia, a cidade de Santa Rita



Cascia, na região da Umbria, é a cidade natal de Santa Rita de Cascia nascida em 1381. A cada ano em 21 e 22 de maio acontecem celebrações e ritos que atraem gente do mundo inteiro. Nascida no dia 22 de maio de 1381 em Rocca Porena, um pequeno povoado de Cascia, seus pais eram idosos e seu nascimento foi um milagre.

Rita de Cascia tinha grande desejo de consagrar-se à vida religiosa, mas seus pais optaram em casá-la com um homem
violento e envolvido em crimes. Através de muitas orações ele se converteu, mudou totalmente a sua vida e durante o matrimônio tiveram 2 filhos. Anos depois, os antigos inimigos do marido o mataram e seus filhos alimentavam o desejo de vingança. Mas Rita rogou a Deus que retirasse esse desejo do coração de seus filhos ou os levasse para o céu.

Em menos de um ano os filhos de Rita morreram e sozinha no mundo Rita decidiu entrar no mosteiro de Santa Maria Madalena. Porém, sendo viúva e não sendo virgem, não foi aceita. Certo dia ouviu um chamado por seu nome e, ao atender a porta, ela viu seus santos protetores: Santo Agostinho, São Nicolau Tolentino e São João Batista. Acompanhando os santos ela chegou e entrou junto com eles no convento.

Na manhã seguinte as freiras ficaram surpresas ao encontrar Rita rezando na capela, embora todas as portas
estivessem trancadas. Para colocar em prova a sua vocação, a madre superiora a incumbiu de regar um galho seco por 2 vezes em todos os dias. Obediente, Rita cumpriu a missão mas teve tanto carinho que a videira floresceu. Em suas orações Rita pediu a Jesus que permitisse sentir a dor de sua crucificação, logo um espinho se destacou da coroa de Cristo e atingiu sua fronte, transformando numa fétida ferida.





Em 1450 o Papa Nicolau V proclamou o Ano Santo e Rita queria participar para pedir perdão de seus pecados, porém a
ferida fétida a impedia. Ela rezou e pediu a Jesus que a curasse para ir a Roma e logo ficou curada. Depois de muitos anos em seu leito de morte ela pediu a uma amiga que buscasse em sua casa em Rocca Porena uma linda rosa. Todos pensaram que Rita estava delirando já que era época de um inverno muito rigoroso. Mas para espanto de todos no jardim da casa uma linda rosa havia florescido. Ao receber a rosa, Rita faleceu aos 76 anos de idade.

O Santuário de Santa Rita em Cascia recebe milhares de fieis todos os anos, principalmente em 22 de maio no dia
consagrado à santa cujo corpo permanece intacto na cripta dedicada a ela. Foi canonizada e declarada santa pelo Papa Leão XIII em 1900. Muitos fatos extraordinários e milagres de Deus são atribuídos à intercessão de Santa Rita conhecida como a Santa dos assuntos impossíveis.





A cidade de Cascia, como todos os centros da Umbria, é de origem muito antiga. Fundada antes do nascimento de Roma
foi um centro romano de grande importância. Desta fase se tem o esplêndido templo de Villa S. Silvestro e outros achados arqueológicos conservados no Museu do Palácio Santi.

A cidade de Cascia viveu seu período de máximo esplendor na Idade
Média e, pela arquitetura desta fase, Cascia tornou-se uma cidade artística. Dessa época são as igrejas góticas de San Francesco e de Sant'Agostino, ambas edificadas no 1300.

A colegiada de Santa
Maria edificada pelos Longobardos conserva um crucifixo linear de 1400. Atualmente Cascia possui um visual moderno, tendo se organizado para viabilizar e receber milhares de pelegrinos devotos de Santa Rita que visitam a cidade.


22 março 2011

Genova a cidade de Colombo



Gênova, na região da Liguria, é um importante porto marítimo no melhor ponto do mar Mediterrâneo e o maior da Itália. A cidade é muito antiga e consta que foi destruída em 209 a.C. tendo sido reconstruída pelos romanos que usavam o porto. Terra de origem de Cristovão Colombo, Gênova foi a capital européia da cultura nas comemorações dos 500 anos da viagem de Colombo à América, quando foi totalmente revitalizada. Devido ao seu passado glorioso é chamada de La Superba (a soberba).



O navegador Cristóvão Colombo, reverenciado como filho ilustre de Gênova, nasceu numa casa na Porta Soprana, antigo portão leste da cidade. Gênova se projetou no século 12, vencendo os piratas sarracenos que agiam na costa da Ligúria. Naquela época os mercadores fizeram fama e fortuna em Bizâncio (Istambul) e Bruges (Bèlgica) e foi a vocação marítima dos genoveses que levou a Espanha a financiar a viagem que o traria Colombo até as Américas. Também foi pelo Porto de Gênova que passaram os imigrantes italianos que se dirigiam para a América no século 19.





No entorno do porto da 5a. maior cidade italiana, foi edificado um dos mais vistosos aquários da Europa. O Aquário de Gênova é o maior aquário da Itália e o 2º maior da Europa. Construído para a Expo'92 Genova, o Aquário é uma perspectiva científica, centro cultural e educacional. Com a missão de educar e sensibilizar a opinião pública em matéria de conservação, manejo e uso responsável dos ambientes aquáticos, é um dos pontos turísticos mais visitados em Gênova.







Embora se localize no meio da Riviera Italiana, entre San Remo e Viareggio, Gênova é agitada pelas suas indústrias e comércio, mas também pelo turismo além de ser um porto de onde partem os turistas para a Sardegna e outras cidades da Europa. Encravada entre os montes Apeninos e a costa da Ligúria, quem sobe pelos becos que convergem até o porto em direção à piazza de Ferrari, marcada por uma fonte circular de 1936, encontra a catedral do século 13 consagrada a São Lourenço, também chamada de Duomo.

Atrás da fachada monumental, ornamentada por listas de mármore cinza e rosado, San Lorenzo esconde a capela dedicada a São João Batista, padroeiro da cidade. Passando pela Piazza Ferrari se avista o Palazzo Ducale, antiga casa dos doges genoveses, que funciona como centro cultural. Na via Garibaldi, os palácios foram erguidos pelas famílias que controlaram a cidade, como os Doria, os Grimaldi, os Spinola e os Di Negro.





Hoje, ao lado de Piazza De Ferrari existem inúmeros edifícios de escritórios, sedes de bancos, seguradoras e outras empresas privadas, sendo o centro financeiro e de negócios de Gênova, que os genoveses chamam de City. O Palazzo Rosso está na Via Garibaldi , é uma das mais importantes galerias de fotos da cidade, junto com as galerias do Palazzo Bianco e Palazzo Doria Tursi, construído em 1671. O Palazzo Bianco é um dos principais prédios de Gênova na Via Garibaldi.

Na Via 20 Settembre a cidade tem ares de metrópole, onde as lojas encravadas sob galerias protegem os pedestres do vento no inverno, que gela os becos e avenidas.
Genova é totalmente uma obra de arte, com seus afrescos, pinturas e obras de arte nos museus, além dos palácios, vils, praças e galerias de arte. A cidade tem uma tradição da música folclórica em dialeto genovês, como o trallalero e várias canções, incluindo a conhecida peça " Ma se ghe Penso".





O Pesto Genovês é uma das especialidades da Ligúria, logicamente feito com o melhor manjericão da região de Gênova, que compõe as massas que rivalizam com os pescados, e também os Pinolis é uma especialidade da região. O "Cappun Magru" é basicamente uma salada feita com muitos ingredientes, da culinária da Ligúria. Além de colorido e saboroso, é um prato que envolve mistério e fascinio devido suas várias origens históricas.











16 março 2011

Carnaval de Veneza



O Carnaval de Veneza, embora seja bem diferente do carnaval conhecido no Brasil, é famoso por suas máscaras. Dizem que surgiu quando a nobreza se disfarçava para juntar-se ao povo nas ruas. Registradas desde 1268, as máscaras e trajes são caraterísticos do século 18 sendo mais comuns as máscaras nobile.



Na Itália ganharam conotações na “Commedia dell Arte” em personagens como Pierrot, Colombina, Pulcinella e Arlequim. O movimento inspirou o Carnaval de Veneza. Dos grandes bailes, teatros e o Carnaval de Rua, as máscaras em Veneza passaram a ser também peças decorativas, sendo uma das principais atividades econômicas e o souvenir característico.



A Commedia dell'arte foi uma forma de teatro popular improvisado, que começou no século 15 na Itália, se desenvolveu depois na França e que se manteve popular até o século 18. Chamada também de “Commedia All’improviso”, suas apresentações eram feitas pelas ruas e praças públicas ou em suas carroças em pequenos palcos improvisados.
As origens exatas desta forma de comédia são desconhecidas.

Alguns reconhecem nela a herdeira das Festas Atelanas, assim chamadas porque se realizavam na cidade de Atella, na península itálica meridional, em homenagem a Baco. As Fabulae Atellane, farsas populares, burlescas e grosseiras, eram uma das modalidades de comédia da antiguidade romana.

Os personagens eram interpretados por atores usando máscaras, tinham propósitos humorísticos e ridicularizavam militares, banqueiros, negociantes, nobres e plebeus com a finalidade de entreter o público, provocando o riso através da música, dança, acrobacias e diálogos recheados de ironia e humor.

Os personagens da Commedia dell'arte eram divididos em classes: os zanni (servos) que eram os personagens de classe social mais baixa; os vecchi que representam os de classe social mais abastada e os innamorati, que eram os amantes apaixonados.

o Arlecchino e a Colombina

O Arlecchino era um palhaço, um dos servos; acróbata, amoral e glutão. Ele ama a colombina mas ela apenas o faz de idiota. A Colombina é a contrapartida feminina do Arlecchino. Usualmente retratada como inteligente e habilidosa, era uma das servas que levava bilhetinhos e fazia intrigas.




O Brighella e o Capitano

O Brighella, um trapaceiro, de pouca moral e desmerecedor de confiança. Era retratado como agressivo, dissimulado e egoísta. O Capitano, forte e imponente, mas não necessariamente heróico, geralmente com uniforme militar, mas de forma exagerada e desnecessariamente pomposa. Conta vantagens como guerreiro e conquistador, mas acaba desmentido.

O Dottore e o Pantalone

O doutor era visto como o homem intelectual, mas era uma falsa impressão. Ele é o mais velho e rico dos vecchi, pedante, avarento e sem o menor sucesso com as mulheres. O Pantalone é um dos vecchi, rico e muito avarento, o arquétipo do velho pão-duro. Não se preocupa com mais nada além de dinheiro. O cavanhaque branco e o manto negro sobre o casaco vermelho, possui uma filha casadoira ou é ele próprio um cortejador tardio.

O Pierrot e o Pulcinella

O Pedrolino também é conhecido como Pierrot, é o servo fiel. Ele é forte, confiável, honesto e devotado a seu mestre. Ele também é charmoso e carismático e usa roupas brancas folgadas com um lenço no pescoço. O Pulcinella é esquisito, inspirador de pena, vulnerável e geralmente desfigurado. Na maioria das vezes, um corcunda. Muitas vezes, não é capaz de falar e, por isso, comunica-se através de sinais e sons estranhos Sua personalidade pode ser a de um tolo ou de um enganador. Tem a voz estridente e sua máscara tem um nariz grande e curvo, como o bico de um papagaio. Na França é chamado Polichinelo.

O Scaramuccia e o Scapino

O Scaramuccia e também conhecido como Scaramouche, é um pilantra. Usa uma máscara de veludo negro, assim como também são suas roupas e seu chapéu. Um bufão, geralmente retratado como um contador de mentiras. O Scapino tende a fazer uma confusão de tudo o que se compromete e metaforicamente foge de um pensamento, atividade ou interesse amoroso para outro. Astuto, adapta as coisas aos seus interesses.


O coviello tocava seu bandolim e fazia parodias;
podia ser astuto e sagaz, mas também estúpido ou inteligente.

10 março 2011

San Marino, um país dentro de outro país



San Marino é um país que tem uma estranha característica: é um país dentro de outro país, isso porque San Marino está dentro do território da Itália. Ocupando uma pequena área entre as regiões italianas montanhosas da Emilia Romagna e Marche, San Marino é uma República Independente da Europa, sendo a menor e a mais antiga república constitucional do mundo.





Assim como a
maioria das cidades históricas e medievais, San Marino está no alto de um monte. A cidade é cercada por muralhas e fortalezas que acompanham a inclinação da montanha.



Marinus foi o fundador da República no ano 301. Diz a tradição que ele era um escultor de
pedras na Ilha de Rab, hoje a Croácia, se tornou diácono e foi ordenado pelo Bispo de Rimini. Porém uma mulher louca o acusou de ser seu ex-marido, e ele fugiu para o Monte Titano para viver como um eremita. Lá, ele construiu uma capela e um mosteiro, a partir de onde cresceu o Estado.



Do Pico de La Rocca, o ponto mais alto do monte com 750m de altitude, é possível ver até o Mar
Adriático a 10 Km de distância, onde se tem uma vista incrível da região. No total são 3 torres: Rocca Guaita, Rocca Cesta e Rocca Montale. Pode-se chegar no centro histórico atravessando a Porta de San Francesco na muralha da cidade.


Na Piazza della Libertá está o Palazzo Pubblico em estilo neogótico, e sempre
em direção ao alto, passa-se pela Basilica de San Marino em estilo neoclássico e ruas estreitas medievais repletas de lojas. Um produto típico do país é o Licor de San Marino, vendido em garrafas decoradas. Outra é La Torta di Tre Monti, uma torta feita de waffer recheada de creme de avelã e coberta com chocolate.











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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.