06 agosto 2014

Atri, um tesouro sobre as montanhas

  


A região de Abruzzo é conhecida por seus belos resorts e por suas longas e esplêndidas praias, que são premiadas com a "Bandeira Azul" por suas instalações de primeira qualidade. Depois de um banho de mar, quem ousa explorar um pouco mais a região descobre lugares maravilhosos, como as pequenas cidades que ainda preservam um aspecto medieval e tradições que remontam a muitos séculos passados.
Um desses lugares é Atri, uma pequena cidade que, apesar de usufruir do conforto da vida moderna, ainda mantém intactas construções medievais e vestígios arqueológicos. Situada próxima à costa do Mar Adriatico, Atri é um dos lugares mais antigos e significativos da região de Abruzzo e parte de uma importante fase da história da Itália.



Povos antigos

Em Atri teria vivido uma tribo dos Ilírios, um dos mais antigos povos itálicos que habitavam várias partes da Europa entre a Idade do Bronze e a Idade do Ferro. Supõe-se que as antigas grutas nas imediações de Atri tenham sido usadas por esses povos entre os séculos 6 a 4 a.C.

Os antigos gregos chamavam esses povos de Illyrioi e a mitologia grega cita Ilírio como neto de Ares - o deus da guerra - que teria governado a Ilíria, sendo considerado o ancestral de seu povo. O que se sabe ao certo é que Atri teve na antiguidade um intenso comércio marítimo, cujas ruínas de seu velho porto encontram-se submersas pelas águas do Mar Adriático.

Chamada na época de Hatria Piceno, a cidade foi um respeitável centro comercial desde o tempo das civilizações itálicas. Na antiguidade os limites da cidade chegavam até o mar. Conforme vestígios arqueológicos na região, entre os séculos 4 e 3 a.C. haviam grandes marinheiros e prósperos comerciantes atrianos.




Moedas antigas

Atri foi uma das antigas cidades a ter sua própria moeda, existindo ainda raros exemplos fundidos em bronze. A maioria dos numismatas consideram que essas moedas tenham surgido há pelos menos 2500 anos passados. Na época as moedas eram consideradas objetos sagrados, tendo figuras de deuses pagãos a quem sempre invocavam para proteger suas famílias e sua cidade.

Os deuses eram tidos como senhores absolutos de condições climáticas, da vida e da morte, especialmente o deus Hadranus ou Hatranus do qual tem origem o nome da cidade. Interessante são os formatos das moedas, que são grandes bolachas de bronze com peso e desenhos diferenciados. Em algumas há também figuras de animais, como bezerro, lobo, cão, golfinho, galo e galinha. Outras tem figuras do cotidiano, como sapato, vaso e símbolos mitológicos como pegasus.


Arqueologia de Atri
Fonte de Atri

Fonte de Atri

Atri foi uma colônia romana a partir de 289 a.C. onde teria vivido por algum tempo Adriano, que tornou-se célebre como Imperador Romano em 117 a.C. Ele foi considerado um dos cinco melhores e mais eficientes imperadores de Roma. Durante seu governo teria construído as Thermae de Atri, que considerava como a sua segunda cidade natal. A cidade teve ainda um Teatro Romano, fontes e outras construções romanas.



Imperador Adriano e Antinous
O Imperador Adriano tinha o hábito de supervisionar pessoalmente as obras de sua administração e numa de suas viagens conheceu e se apaixonou por um belo rapaz que levou para sua corte. Ele era casado com a Imperatriz Sabina, mas viveu o mais famoso caso homossexual da antiguidade com Antinous, que era 34 anos mais novo do que ele.

Porém durante as celebrações de Osiris no Egito, época em que eram sacrificados os jovens mais belos em oferenda ao Rio Nilo para que nunca secasse, Antinous morreu afogado. Nunca se soube a verdade sobre a morte do rapaz. Alguns disseram que foi um acidente, mas outros afirmaram que Antinous teria se atirado no rio para salvar as terras de seu amado da seca.

O imperador chorou copiosamente frente a toda a corte tornando-se um escândalo do império, já que era inadmissível um guerreiro romano chorar em público. Sua bravura e poder foram colocados em descrédito, mas o imperador mandou construir um templo em Antinópolis, onde Antinous passou a ser venerado como um deus.



Rocca di Capo d'Atri

Assim como outras cidades italianas, Atri teve um acentuado declínio após a queda do Império Romano e invasões dos bárbaros. Por algum tempo foi parte de Spoleto até tornar-se em 1252 uma cidade episcopal, época em que surgiram várias igrejas. O destino de Atri mudou quando teve início a Dinastia dos Acquaviva em 1382, que governou a cidade por quase 500 anos e trouxe paz e prosperidade.

Antigamente existiam dez portais grandes que serviam de acesso à cidade, que foram sendo demolidas em diversas épocas dar lugar a outras construções. Numa das entradas da cidade está a Rocca di Capo d'Atri, uma fortaleza construída em 1392 no alto da colina que serviu para defender a cidade de eventuais ataques e controlar toda a região.






Belvedere

Belas mansões e prédios modernos margeiam a sinuosa estrada que leva até o centro histórico, que é delimitado por grandes e altas muralhas. Estrategicamente situada sobre uma colina, a parte mais antiga de Atri é um terraço com vista panorâmica para os campos verdes e para o Mar Adriático. Do Belvedere tem-se uma esplendida visão das montanhas geladas do Gran Sasso.




Villa Comunale

Um dos lugares mais bonitos da cidade é a Villa Comunale dei Capuccini, uma área arborizada com caminhos geométricos entre jardins floridos que possuem bancos para descanso espalhados por todo o parque.






Fontes, gramados verdes e árvores de várias espécies enriquecem as esculturas que trazem a arte para o convívio diário com moradores e turistas. Durante o dia ensolarado, o ar puro que sopra torna o lugar ideal para passeios. À noite todo o parque é iluminado e a fonte circular ganha cores com as luzes que lhe dão destaque. 

No passado essa área pertencia aos jesuitas que em 1569 ali construiram a Igreja de San Leonardo e o Convento dos Capuchinhos e onde viveram por quase 300 anos. No início dos anos de 1900 tornou-se uma casa de repouso para idosos até serem demolidos em 1961. Também era onde existia a Porta dos Capuchinhos. Tudo o que restou da igreja e do convento foi enviado para o museu da catedral, tendo surgido no local o atual Hotel du Parc. 







O labirinto de ruas estreitas conservam ainda o antigo aspecto medieval, sendo que em algumas só é permitida a passagem de pedestres. Algumas ruas são tão estreitas que só permitem a passagem de uma pessoa por vez; uma delas é a Ruetta Stretta.









Arcos medievais e pórticos trazem um certo charme e aspecto romântico, enquanto balcões cheios de flores dão um colorido especial às ruas da cidade. A história de Atri está estampada por todos os lados. Cada construção, por menor que seja, tem sempre algo para contar. Apesar de terem sido restaurados internamente, prédios residenciais, palácios e igrejas ainda mantém o aspecto externo medieval.



Piazza Acquaviva

Uma das maiores áreas livres da cidade é a Piazza Acquaviva. Rodeada por vários palácios, entre eles tem destaque o Palazzo Ducale, o Palazzo Illuminati, o Palazzo Valforte e a Capela San Liberatore.





O Palazzo Illuminati, que é a maior construção da cidade, foi construído em 1882 e atualmente é a sede do tribunal. O Palazzo Valforte, construído no século 18, tem seu nome derivado do proprietário das vinhas Valforte.



Palazzo Ducale

O Palazzo Ducale, onde atualmente funciona a Câmara Municipal de Atri, foi no passado a residência oficial dos Duques Acquaviva. Eles pertenciam à nobre família italiana Acquaviva que detinha algumas posses feudais na região de Marche e da Umbria e muitos privilégios devido às suas importantes relações com reis e governantes.

Antonio Acquaviva tornou-se o primeiro Duque de Atri ao comprar do Rei Ladislau de Nápoles as terras em torno de Atri por um preço razoável em 1382. Sucedido através dos tempos por seus inúmeros herdeiros, após a morte da Duquesa Isabella Acquaviva que não tinha herdeiros, o ducado foi transferido em 1760 para o reino de Nápoles.




O palácio foi construído sobre as ruínas de um antigo teatro romano e reconstruído diversas vezes. Com diversos aposentos, atualmente algumas salas do palácio são destinadas a uma galeria de arte e guardam documentos e peças históricas que permitiram reconstruir a história da Itália central.

Os afrescos que decoravam os quartos dos duques e duquesas com seus retratos se deterioraram ou foram destruídos, tendo sido alguns recuperados. Na torre há um antigo relógio que marca cada quarto de hora. No pátio do palácio existe o busto do beato Rodolfo Acquaviva que costumava fazer pregações na pequena Capela San Liberatore e foi martirizado na Índia.



Capela San Liberatore

Ligada ao palácio desde o século 13, a Capela San Liberatore foi no passado um local reservado para oração dos cardeais e duques Acquaviva. Foi restaurada diversas vezes, mantendo atualmente um memorial aos mortos na guerra. Após a restauração entre 1918/1922 ganhou a inscrição em latim na fachada: "Deo vivunt pro patria Mortui".


Catedral

Catedral
Outra praça de destaque na cidade é a Piazza del Duomo, onde tem destaque a Catedral de Santa Maria Assunta. A simplicidade da fachada da catedral dá destaque à porta principal e à rosácea no alto. Em seu interior há um ciclo de afrescos do século 15.





Construída entre 1260/1284 sobre antigas termas romanas, ainda podem ser vistas partes dos mosaicos originais dos banhos no assoalho da catedral através de um painel de vidro. Um claustro medieval se conecta à catedral e tem uma fonte romana no jardim.



 

Em 15 de agosto acontece a festa dedicada à Santa Maria Assunta. Na véspera há um grande desfile, shows medievais e a abertura da Porta Santa ao lado da igreja, que só abre nessa ocasião. Chamada de Porta do Perdão, essa é a oportunidade para os fiéis receberem indulgências.

Além das festividades religiosas, o evento traduz outras tradições da região. Outra celebração de destaque é a Festa de Corpus Christi, quando os moradores da cidade preparam os tradicionais tapetes florais pelas ruas onde irá passar a procissão.


Igreja Santa Riparata

Igreja de Santa Riparata: 

Ao lado da catedral está a Igreja barroca de Santa Riparata, construída em 1355 e reformada em estilo barroco em 1741. Na fachada da igreja há uma imagem da santa feita no século 14, que se tornou padroeira da cidade por ter libertado Atri de invasores sarracenos. A Santa carrega numa das mãos uma miniatura da cidade.

A cada ano a santa é homenageada com uma procissão que ocorre geralmente em 08 de outubro e também depois da Páscoa, quando é realizado o Banquete da Paz. O interior da igreja é pequeno e muito simples, tendo um altar com a imagem de Cristo e da Senhora das Dores que sempre é levada em procissão na Sexta-Feira Santa. Um dos tesouros da igreja é um grande dossel esculpido em madeira em 1690.




Teatro Comunale 
Em frente à catedral está o Teatro Comunale. Construído em 1881 e inspirado no Teatro La Scala de Milão, o interior do teatro é elegante e confortável. À frente do prédio existem mesinhas de um café que dá charme à praça. No alto do prédio tem destaque o brasão de Atri.

Junto ao teatro funciona o Museu Arquivo Di Jorio, que contém livros de música, manuscritos e diversas documentações relacionadas ao compositor Antonio Di Jorio, que compôs inúmeras músicas, sinfonias, óperas e canções do folclore de Abruzzo.



Espaço Cultural Igreja San Agostino

Bem próximo à catedral está a antiga Igreja San Agostino que foi construída no século 13. Feita em forma reta com tijolos aparentes, o belo portal na entrada tem estilo gótico e desenhos de plantas. No topo tem a bênção do Pai Eterno e logo abaixo a figura de San Agostino com um livro nas mãos.

Em cada lado da porta estão as imagens de Santa Catarina de Alexandria e San Agostino de Mônaco. Restaurada em torno dos anos de 1970, a igreja deixou de ter funções religiosas para tornar-se um espaço cultural, servindo como salão de exposições, conferências e apresentações. Todas as imagens e objetos religiosos foram enviados para o Museu da Catedral.


Museu da Catedral

 


Museus

No antigo mosteiro beneditino próximo à Catedral está o Museo Capitolare, que é um dos museus mais interessantes de Atri. Dividido em várias seções e com espaço dedicado à pintura, inclui no acervo inúmeras peças em prata e cerâmica. Reconstruído nos anos 1994, antigos móveis e oratórios fazem parte de uma coleção.

O Museu Etinográfico, situado na Piazza San Pietro, possui uma impressionante coleção com mais de 2000 peças retiradas das antigas culturas industriais e agro-pastoral. Há evidências de decoradores, estucadores e ferramentas de estuque, além de uma seção dedicada à música de vários programas de rádio e instrumentos musicais, inclusive alguns instrumentos muito antigos.

O Museo Civico Archeologico é dividido em várias seções, que recontam a pré-história da região de Abruzzo através de artefatos usados pelos homens primitivos, tal como cerâmicas, vasos, machados de bronze e outros ferramentas, lanças, punhais e outros armamentos muito antigos. Os vestígios arqueológicos de Atri estão presentes em vários lugares, tanto dentro quanto fora da cidade.



Igreja San Nicola  

No pequeno espaço do centro histórico existem inúmeras igrejas antigas construídas entre os séculos 12/13. Uma das igrejas mais antigas de Atri é a Igreja de San Nicola. Construída em 1181 próxima ao Palazzo Ducale, sua estrutura se manteve inalterada ao longo dos séculos apesar de sido incluída a torre sineira. Seu interior é escuro como era de costume na era medieval. 

Perto do Palazzo Ducale existe também a pequena Igreja della Santissima Trinità. Construída no século 13 é também chamada de Igreja de San Rocco, o protetor contra as pestes e doenças malígnas da pele. Apesar de ter sido restaurada nos séculos seguintes, muitas vezes a igreja permanece fechada. Com um estilo muito simples, só é reconhecida como igreja pela cruz que ostenta no alto.


Igreja San Francesco 
Entre as duas principais praças da cidade está a bela Igreja de San Francesco. Construída originalmente em 1226, foi reconstruída em estilo barroco em 1715 tendo 8 capelas em seu interior.

Sob a escadaria barroca na fachada há uma réplica da Gruta de Lourdes, que traz um cenário de paz ao café que sempre espalha mesinhas à sua frente. Por detrás da igreja existe ainda restos da antiga igreja medieval, além do Arco dos franciscanos que liga a igreja e o convento.



Igreja Santa Clara

Muito antiga também é a Igreja de Santa Chiara e Convento das Clarissas. Construída em 1260 nas proximidades da catedral, durante os séculos a igreja passou por diversas restaurações. A fachada da igreja é simples, mas o interior é maravilhoso.

Trabalhado em estuque e detalhes em dourado, as pinturas são da escola napolitana do final do século 17. Ainda hoje as Clarissas vivem em clausura e nunca saem do convento, exceto em casos muito excepcionais. Mas segundo a tradição, sempre que as procissões passam diante da igreja as portas são abertas.




Igreja San Giovanni Battista 
Essa igreja é também chamada Igreja San Domenico, por ter sido construída em 1296 junto à antiga Porta San Domenico. Com uma pequena escadaria na entrada, sua fachada é muito simples mas tem um lindo afresco "Glória de San Domenico" em seu interior que lhe dá um grande esplendor.



Igreja Santo Spirito / Santa Rita

Também chamada de Igreja de Santa Rita, a Igreja Santo Spirito é um marco do Largo Santo Spirito. Depois da Igreja de Santa Rita na cidade de Cascia, é a segunda igreja de maior veneração à santa na Itália.

Situada numa das entradas da cidade, foi construída entre 1750/1810 tendo em destaque a torre sineira reta com três sinos que pode ser vista de vários lugares. A cada ano em 22 de maio há uma grande celebração com procissão, quando uma chuva de pétalas de rosas caem das varandas saudando a passagem da santa.



Calanchi

Fora da cidade pode-se apreciar os famosos Calanchi, que são formações rochosas que compõem uma reserva natural formada pela erosão das águas. Passando por trilhas, pode-se apreciar essas formações que encantam por seus formatos.

Apesar da aparência externa sugerir não haver espécies vegetais, nela podem ser encontradas flores selvagens, alcaparras e o alcaçuz. É um lugar ideal para aves de rapina e, graças às várias lagoas, há diversos outros tipos de salamandras, sapos raros, lagartos e alguns mamíferos. No verão há inúmeras excursões e visitas guiadas. 



Pan Ducale

A região de Abruzzo tem aromas e sabores muito especiais, que estão presentes em diversas receitas tradicionais. Uma receita tradicional é o "Pan Ducale", uma especialidade feita com amêndoas que dizem ter sido criada pelos cozinheiros dos Duques Acquaviva de Atri. E foi tão apreciada que acabou se tornando um doce típico da região de Abruzzo.

Uma boa oportunidade de apreciar as especialidades da cidade é durante o "Atri a Tavola", um evento realizado em dois dias no mês de julho quando restaurantes apresentam deliciosos pratos da culinária regional. É a oportunidade de conhecer o famoso Maccheroni alla Chitarra e outras iguarias acompanhadas dos excelentes vinhos abruzzesi.

O evento inclui ainda apresentações musicais, danças folclóricas e eventos culturais, como visitas guiadas aos principais pontos turísticos da cidade. No Mercado do gosto pode-se degustar e adquirir produtos típicos, como presuntos, queijos, pães, massas, vinhos, azeites, molhos, convervas, doces, frutas, legumes, artesanato, ervas aromáticas e medicinais, como o famoso Alcaçuz de Atri.




La Notte dei Faugni

Na região de Abruzzo existem tradições que se misturam com crenças e lendas. Uma das celebrações que tem grande destaque é a tradicional festa popular "La Notte dei Faugni". Realizada na madrugada do dia 07 de dezembro de cada ano, a tradição nasceu da fusão de um costume camponês pagão com a festa religiosa em honra da Imaculada Conceição.



La Notte dei Faugni
Antigamente os camponeses acendiam fogos antes do solstício de inverno para homenagear Fauno, uma divindade pagã associada com a fertilidade da terra. Esse rito continua ser repetido ainda hoje, quando as pessoas acendem os feixes de juncos numa grande fogueira em frente à catedral e seguem em procissão pela cidade precedida por Nossa Senhora da Conceição.

A festa termina com o "Ballo della Pupa" ou "Dança da Pupa", quando um fantoche é movimentado por um dançarino que roda pela praça ao som de músicas folclóricas, enquanto diversos fogos de artificio são disparados do fantoche. Desde alguns anos os bares, clubes e restaurantes da cidade tem permanecido abertos durante toda a noite da festa, quando também acontecem concertos de músicas variadas.



16 maio 2014

Torino, discreta e elegante ( parte 1 )





Torino é uma das maiores cidades italianas e capital do Piemonte. Discreta e elegante, é a sede de grandes empresas como a FIAT sendo considerada uma das cidades mais ricas da Itália. Situada no Vale do rio Po, durante o inverno os ventos gelados que sopram dos Alpes deixam a cidade coberta de neve. Mas a cidade nunca perde o esplendor presente em seus elegantes palácios, praças e inúmeras igrejas distribuídos num perfeito planejamento urbano criado pelos romanos há pelo menos 2.000 anos.


Piazza Castello

Conhecer a cidade significa passar por caminhos percorridos por grandes mestres da arte e da arquitetura, que transformaram a cidade numa verdadeira obra de arte que espelha o seu passado. E o melhor na cidade é caminhar, pois muitas atrações estão numa mesma área da cidade. Em cada esquina há palácios que recontam a história de reis e rainhas, mas também de grandes heróis que lutaram pela unificação e independência da Itália.






A Piazza Castello é o coração da cidade, concentrando os principais palácios antigos de Torino e para onde convergem as principais ruas da cidade, como a Via Garibaldi, Via Po, Via Pietro Micca e Via Roma através da qual se vislumbra a Porta medieval Decumana. Esse espaço foi criado em 1587 e concentrava as residências da nobre família Savoia ou Sabóia que governou Torino por vários séculos.




Saboia: a família Real

As terras dos duques de Saboia englobavam parte do sul da França e parte do norte da Itália, onde ainda pode-se encontrar muitos palácios, mansões e castelos que foram residências da nobre família. O título de nobreza teve início em 1003 quando Henrique II, Imperador do Sacro Império Romano Germânico, nomeou Umberto de Saboia como Conde de Aosta.

O título nobiliarquico era transmitido através de seus descendentes, tendo a família Sabóia se tornado marcante na história da Itália. Também tiveram destaque em outros reinos, já que os duques estreitavam laços com outras famílias nobres para garantir aliados e negociar o casamento de seus filhos com a linhagem nobre da Europa.

Muitos casaram-se com herdeiros de outros reinos, como Carlo III casado com a filha do rei de Portugal, Bona de Savoia casada com o duque de Milão Galeazzo Maria Sforza, Vittorio Amadeo I casado Christine Marie de France, Vittorio Emanuele I casado com Maria Teresa da Áustria e outros.

Vittorio Emanuele II de Saboia foi o primeiro rei da Itália unificada em 1861. Com a morte do rei ascendeu ao trono seu filho Umberto I, que foi assassinado quando estava numa cerimônia em Monza. Em 1900 foi sucedido por Vittorio Emanuele III, que abdicou em favor de seu filho Umberto II. Entretanto, através de um referendum foi proclamada a República Italiana em 1946, finalizando a monarquia na Itália e a dinastia que prevaleceu sobre Torino por quase 1.000 anos.




Palazzo Madama

O Palazzo Madama e Casaforte degli Acaja marca o ponto central da Piazza Castello. A construção foi feita no local onde havia a Porta Pretoriana, uma das entradas nas muralhas da era romana. O palácio serviu como residência da família Saboia, tendo a duquesa Christine Marie de France dado impulso decorativo e artístico ao palácio em 1630, cuja obra foi continuada por sua nora Marie Jeanne Sabóia. Em homenagem a ela o palácio recebeu o nome de Palazzo Madama.




Palazzo Madama - fachada posterior 
Interessante é o contraste das duas construções interligadas. Na parte posterior foi mantida a antiga fortaleza medieval na cor marrom. A entrada principal, finalizada entre 1718-1721, é uma construção clássica na cor beje. Aliás, salvo raras exceções é muito comum em Torino a predominância das cores marrom e beje em diversas construções. E talvez seja essa sobriedade que torna a cidade elegante e sofisticada.







Os monumentos que compõem o palácio foram acrescentados em várias épocas. Atualmente o palácio é a sede do Museo Civico de Arte Antiga, que reúne um extenso acervo de peças do final da Idade Média até o século 18. São milhares de peças artísticas, louças finas, joias e obras de arte que encantam os turistas que passeiam desde o seu subsolo até os demais andares.





Palazzo Reale

Em um dos lados da praça está o Palazzo Reale, que é um dos mais antigos e mais suntuosos palácios de Torino. Foi usado na antiguidade pelos bispos, até que em 1646 eles foram alocados em outro local para dar lugar à primeira e a mais importante das residências dos Duques de Saboia no Piemonte.





O palácio era o símbolo do poder da dinastia e local da política do reino de Saboia. Sua importância está relacionada ao seu significado histórico, por ter sido a residência do primeiro rei da Itália. Detalhe interessante é a entrada que é delimitada por grades e um portão ladeado pelos dióscuros Castor e Pollux, dois deuses gêmeos da mitologia grega que representam a vida material e espiritual. Na parte central há um pátio enorme com arcadas nas cores marrom e beje, que dá a dimensão do palácio que tem ainda os jardins reais adornados com uma grande fonte, vasos e estátuas.


  



Adentrando no palácio pode-se notar as decorações que celebram a dinastia real em suas principais salas. Seus aposentos são suntuosos e retratam o gosto eclético da realeza. Segundo contam, o palácio foi remodelado diversas vezes principalmente em épocas de casamentos reais. Cada casamento dava origem a uma nova decoração.





Grandes artistas que trabalharam no palácio ao longo dos séculos tornaram a decoração com alto nível de sofisticação. Grandes pinturas e estátuas ilustram momentos e personagens da história da família real. Em 1862 foi construída a escadaria de honra para celebrar o nascimento da nova nação e para tornar o palácio digno de receber um rei.

    

  Palazzo Reale (click nas fotos para ampliá-las)


O grande salão de baile é decorado com tapeçarias retratando histórias de Dom Quixote. Na majestosa sala do trono há inscrições em ouro de várias épocas. A elegante sala de jantar, a sala de café e os quartos contém igualmente aplicações em ouro e afrescos nas paredes, obras de arte, tapeçarias e uma valiosa coleção de vasos chineses que pertenceram aos duques.




 Armeria Reale

Ao lado do Palazzo Reale está a Armeria Reale, onde está exposta uma das mais ricas coleções de armas e armaduras antigas do mundo. A ideia de criar uma Armeria Reale foi do Duque Carlo Alberto di Saboia, que reuniu centenas de armas, armaduras e moedas antigas tendo sido aberta ao público em 1837. A coleção foi enriquecida com doações provenientes de outros colecionadores, tendo algumas peças em destaque por seu valor histórico.





Instalada no prédio ao lado do Palazzo Madama, na coleção da Armeria Reale está a espada usada por Napoleão na Batalha de Marengo, armas usadas pelo Imperador Carlo V, armaduras usadas pelos duques na Idade Média e uma coleção de centenas de bandeiras usadas por exércitos e relacionadas com a história de Sabóia. O mobiliário da exposição foi especialmente desenhado para essa finalidade em 1838.



Igreja San Lorenzo

Ao lado do Palazzo Real está a bela Igreja Real de San Lorenzo. Se não fosse pela cúpula ninguém poderia imaginar que ali houvesse uma igreja, pois a fachada é como um prédio comum com diversas janelas. Segundo contam, o Duque Emanuele Filiberto di Saboia venceu uma batalha na França em 10 de agosto, exatamente no dia dedicado a San Lorenzo. Com isso ele prometeu construir uma igreja dedicada ao santo nas imediações do palácio real.



Igreja Real San Lorenzo


A Igreja San Lorenzo foi projetada e construída por Guarino Guarini entre 1668/1680, que além de arquiteto era um sacerdote teatino. Por isso, ele mesmo fez a inauguração e consagração final da igreja. Dentro há várias capelas construídas por outros arquitetos, mas o curioso é a cúpula da igreja que tem características inovadoras para a época. 



Catedral de Torino

Da Piazza Castello pode-se ver as torres da Catedral de Torino e da Capella della Sindoni ou Capela do Santo Sudário, que tem sua entrada pela rua paralela onde existia na antiguidade um teatro romano. Essa é uma área sagrada por ter existido ali três igrejas que foram demolidas em 1490 dando lugar à Catedral construída entre 1491/1498.




A construção da Catedral de Torino foi relativamente rápida, mas a cúpula da igreja iniciada em 1668 demorou 28 anos para ser concluída. Dedicada a San Giovanni Battista, que é o padroeiro da cidade, todos os anos na semana de 24 de junho já várias atividades que envolvem a cidade. Teatro de rua, jogos, concertos, eventos esportivos e o desfile histórico marcam as festividades, que terminam com o show pirotécnico às margens do rio Po.




Santo Sudário

Na Capella della Sindoni, que é conectada ao palácio, está uma das relíquias do cristianismo: o Santo Sudário. Segundo a tradição católica, o Santo Sudário é um pedaço de linho que teria sido usado para cobrir o corpo de Jesus crucificado, onde restou vestígios de seu martírio. Na Idade Média a relíquia foi utilizada como símbolo de proteção.

A relíquia chegou em Torino pelas mãos de uma hóspede da família Saboia em 1418, que esteve de posse da relíquia por vários séculos até ser doada para a cidade. Atualmente a relíquia permanece hermeticamente trancada numa caixa e raramente é exibida ao público, mas pode-se ver uma réplica fotográfica. No Museu de Ciência e História há um amplo acervo sobre a história do Santo Sudário.



Igreja de Maria Consoladora

Igreja de Maria Consoladora
Quando o Império Romano entrou em decadência, floresceu o cristianismo em Torino. San Massimo, o primeiro bispo de Torino, foi incansável pregador da fé cristã na cidade que era dominada pelo paganismo. A família Sabóia incentivou a construção de igrejas e hoje encontramos inúmeras na cidade, muitas bem perto de outras. Também há muitos museus religiosos dedicados a personalidades santas que se dedicaram à assistência social.

Uma igreja que tem destaque em Torino é o Santuário della Consolata, que é uma das mais antigas de Torino. Ela foi construída fora das muralhas da antiga cidade e na época do ataque a Torino em 1706 sofreu algumas avarias. No alto da cúpula há uma placa comemorativa devido a igreja não ter sido destruída. O santuário era um  lugar de oração de muitos santos do Piemonte.



Igreja dei Santi Martiri

Há também outras igrejas suntuosas, como a Igreja de San Domenico, San Filippo Neri, Corpus Domini, Trinità e muitas outras. Entre essas a Igreja dos Santos Martíres erguida em 1577 tem destaque devido ao seu elegante acabamento. E quem quiser resgatar antigas tradições, na Igreja della Misericórdia pelo menos em um domingo do mês há a celebração da missa em latim acompanhada por canto gregoriano.



Basílica dell'Ausiliatrice

 A Basílica dell'Ausiliatrice ou Basílica de Santa Maria Auxiliadora está num ponto mais distante do centro da cidade, mas é muito interessante. Foi construída em 1865, no local onde funcionava o Lar dos Meninos Pobres fundado por Dom Bosco.

Em sua vida o santo dedicou-se à educação de jovens e fundou a Congregação dos Salesianos, tendo sido aclamado como o Mestre da Juventude e Padroeiro dos Aprendizes. Na capela estão os restos mortais de Dom Bosco falecido em 1888 e outras relíquias de 6.000 santos.

Dizem que Dom Bosco tinha premonições e visões que lhe apareciam em sonhos, que começaram depois dele ter tido uma visão Virgem Maria. Ele não sabia lidar muito com esse poder sobrenatural e o Papa Pio IX que era seu confessor recomendou que escrevesse seus sonhos e premonições.

E foi devido a um sonho que Dom Bosco previu que entre os paralelos 15 e 20 haveria de surgir um lugar de muita riqueza próximo a um lago. Intérpretes atribuíram essa premonição à fundação de Brasília em 1960, a capital brasileira que tem Dom Bosco como um de seus padroeiros.




Teatro Regio
Em um dos lados da Piazza Castello está o Teatro Regio, que foi construído entre 1713/1749. Em sua história o teatro recebeu grandes mestres da música, tendo passado por diversas restaurações e modificações a longo dos séculos. Numa época foi destruído por um incêndio e depois pelos bombardeios da Segunda Guerra Mundial.

Torino foi duramente castigada pelos efeitos das guerras e muito do que se vê hoje teve de ser reconstruído.  O teatro permaneceu fechado para reformas por um longo tempo e foi reinaugurado em 1973 com uma ópera de Giuseppe Verdi. Embora sua fachada externa seja comum, o interior do teatro exala um charme irresistível com sua decoração em veludo vermelho que contrasta com a cascata de luzes sobre a plateia.



Teatro Carignano

Teatro Carignano

 
Teatro Alfieri

A poucos metros da Piazza Castelo chega-se a Piazza Carignano onde existe o antigo Teatro Carignano, que é um dos mais antigos e importantes teatros da Itália. Segundo contam, no local havia em 1615 um local de entretenimento que foi comprado por Emanuele Filiberto, um dos primos do duque de Savoia. Depois de sua morte seu filho encomendou o teatro que continha diversos afrescos. Tendo passado por diversas restaurações, chama atenção o teto que contém o afresco o "Triunfo de Baco". Existe ainda o antigo teatro Alfieri que atualmente funciona com exibição de cinema.




Palazzo Carignano / Piazza Carignano
Na Piazza Carignano está o belo Palazzo Carignano, que foi uma residência de Emanuele Filiberto di Sabóia Carignano e Caterina D'Este, filha do Duque de Ferrara. Entre 1679-1684 o duque encomendou ao célebre arquiteto Guarino Guarini uma construção que tivesse o estilo de típico do barroco piemontês. O projeto resultou no elegante prédio em tijolos marrons com um interior esplendidamente afrescado e decorado com estuque, que deu à praça uma elegância aristocrática.



Palazzo Carignano / Piazza Carlo Alberto

O palácio possui um enorme pátio central que tem saída para a Piazza Carlo Alberto, onde existe outra fachada em estilo eclético. Atualmente é a sede do Museo Nazionale del Rissorgimento Italiano, que possui dezenas de salas retratando os heróis da independência e unificação italiana, sendo uma delas dedicada a  Guiseppe Garibaldi. Cada seção se concentra em um tema, tendo obras de artes, documentos e narrações multimídia que compreende o século 18 até o final da Segunda Guerra Mundial.



Biblioteca Nazionale

Na Piazza Carlo Alberto também está o imponente prédio da Biblioteca Nazionale. O acervo da biblioteca teve início em 1720 pelo Duque Vittorio Amadeo II de Sabóia que desejava apoiar os estudos científicos e também criar a escola para os príncipes. É uma das maiores bibliotecas da Itália, que contém milhares de obras raras em seu acervo, sendo que muitas obras foram destruídas por um incêndio em 1904 e depois pela guerra.



Museu Egípcio

Nas imediações da Piazza Carignano está o Museu de antiguidades egipcias, mais conhecido como Museo Egizio, que possui a maior coleção de antiguidades egípcias do mundo fora do Egito. Situado no Palazzo dell'Accademia delle Scienze, percorrer o museu significa passar por milhares peças do antigo mundo, como joias, estátuas de deuses, papiros, tumbas, túmulos, múmias, sarcófagos e restos de templos que permitem um mergulho na civilização faraônica.



Museu Egípcio



 




O museu teve início a partir de 1800 com os artefatos encontrados por um arqueólogo que doou seus achados para Torino e algumas peças compradas de colecionadores pelo Duque Carlo Felice em 1824. Depois disso, foram adquiridas outras peças e o próprio diretor do museu liderou uma grande campanha para outras escavações no Egito. Isso resultou em mais de 30.000 peças em exposição.



Molle Antonelliana 

Um símbolo de Torino conhecido em todo mundo é a Molle Antonelliana, cuja torre de 167 metros se sobressai entre os prédios. Seu nome provém do arquiteto Alessandro Antonelli que a projetou e assumiu sua construção entre 1863 e 1897, tendo sido marcada por vários acontecimentos infelizes.



Molle Antonelliana

Molle Antonelliana
Inicialmente deveria ser uma sinagoga, porém um terremoto obrigou ao arquiteto a fazer mudanças no projeto. Como o projeto estava demorando muito e tinha superado a previsão de custos, a comunidade judaica desistiu do projeto e só foi continuada devido ao governo da cidade.

Antes havia um gênio alado na extremidade da torre, que foi derrubado por um tornado e substituído por uma estrela. Quase cinquenta anos depois um novo tornado derrubou parte da torre que teve de ser reconstruída. Ao final tornou-se uma obra prima, tendo sido uma das primeiras construções da cidade iluminadas por chamas a gás.



Museu do Cinema
Atualmente a Molle é a sede do Museu Nacional do Cinema italiano, onde estão os primeiros filmes italianos e algumas relíquias de grande valor. Torino foi a primeira capital do cinema italiano, onde foram criadas as primeiras produções cinematográficas.




Dispondo de confortáveis poltronas e fones de ouvido individuais, pode-se assistir alguns sets de grandes filmes. O lugar é encantador, tendo no centro um elevador panorâmico que ergue os visitantes até a cúpula a 85 metros de altura em menos de 1 minuto.


Museu do Cinema
Perto da Molle, no prédio da emissora RAI está o Museo della Radio e della Televisione, que conta a fascinante história do rádio e da televisão desde as invenções de Guglielmo Marconi até os dias atuais. O museu é uma homenagem ao italiano Marconi que foi considerado o inventor oficial do rádio e do telégrafo em 1909, onde pode-se consultar os arquivos digitais.



La Fetta di Polenta

Alessandro Antonelli era um arquiteto tão criativo e ousado, que certa vez tendo um pequeno terreno de forma triangular e não conseguindo convencer ao proprietário do terreno adjacente a vendê-lo, Antonelli quis demonstrar que era capaz de construir algo no lugar. Se não tinha espaço em largura ele aproveitaria a altura.




E foi dessa forma que ele construiu em 1840 um prédio de 6 andares numa forma triangular, que ganhou uma pintura externa na cor amarela. Daí em diante passou a ser chamado "La Fetta di Polenta" ou "Fatia de Polenta". Depois de concluído, o prédio era tão estreito que ninguém queria morar nele por medo que ele viesse desabar. Para provar que era seguro Antonelli viveu algum tempo com sua esposa no edifício, que desafiou o regras clássicas em termos de construção.
  


Arte e Arquitetura

As construções de Torino são um deleite para os olhos daqueles que apreciam formas e estilos arquitetônicos e artísticos. Em toda cidade há detalhes interessantes que tornam a cidade uma verdadeira galeria de arte. A história da arte em Torino foi influenciada pelos movimentos artísticos e culturais da Europa, mas principalmente pela influência dos Duques de Sabóia que patrocinaram pintores, escritores, poetas e arquitetos que criaram a identidade de Torino.





Palazzo della Città

 

Uma rua estreita liga a Piazza Castello até a Piazza Palazzo della Città, sendo rodeada de pórticos. O centro da praça é marcado por um monumento dedicado a Amadeus VI de Sabóia, vulgarmente conhecido como Conde Verde porque usava sempre uma capa dessa cor. Localizado na parte central da antiga cidade romana, o palácio era a câmara municipal, com a torre cívica e o relógio.
Conhecida na antiguidade como Piazza dele Erbe, essa praça era dedicada ao comércio de legumes, verduras e ervas. Da mesma forma, a Piazza del grano só comercializava grãos e pão. A Piazza del legno só madeiras. A Piazza del burro só manteiga etc. Todas elas situavam-se próximas e foram sendo absorvidas pelas construções posteriores.




Fonte Piazza Solferino


 Pinacoteca Albertina

O duque Vittorio Amadeus III di Saboia tinha paixão pelas artes e em sua época fundou várias academias e galerias de arte. A Academia Albertina conhecida em todo o mundo surgiu em 1778, que na época era conhecida como Academia Real de Belas Artes. A partir dessa época foram surgindo dezenas de museus e galerias de arte que estão espalhados por toda a cidade.



Galeria Sabauda

Imperdível é o Museu de Arte Moderna e Contemporânea que funciona no "Castello di Rivoli", mas por ser fora da cidade muitas pessoas desistem de ir até o castelo. Entretanto tem muito a ver no centro da cidade, como a galeria do Palazzo Bricherasio, a exposição do Palazzo Benso Cavour, a Galeria Sabauda e uma dezenas de museus e várias pinacotecas. Dependendo da época encontra-se exposições em praças e ruas que se transformam em verdadeiras galerias de arte.



Luci d'Artista

No final do ano a grande atração é a exposição temporária "Luci d'Artista", quando diversos artistas criam verdadeiras obras de arte com luzes por toda cidade dando realce às ruas, arcadas, árvores, monumentos, palácios e igrejas. Muitas construções e monumentos que passam despercebidos durante o ano, se destacam com os reflexos das luzes coloridas. 



Luci d'Artista

Luci d'Artista

Algumas obras são itinerantes e são transportadas a diferentes lugares através de reboques. O evento é tão esperado que há até cerimônia de lançamento. Nessa época também acontece o Mercadinho de Natal, que é a oportunidade de apreciar muitos artesanatos típicos, comidas e vinhos.



Pórticos da Via Po
Um detalhe fascinante de Torino são os 18 km de pórticos, que permitem percorrer algumas ruas da cidade protegido do sol, da chuva e da neve. Embora haja pórticos em outras cidades da Itália, alguns detalhes tornam os pórticos de Torino únicos.



Pórticos da Via Pietro Micca

Segundo contam, os primeiros pórticos da cidade tiveram início nos anos de 1600, que depois foram aparecendo em outras ruas e praças da cidade. Saindo da Piazza Castello, as ruas que partem em diferentes direções possuem os famosos pórticos, como a Via Po, Via Roma, Via Pietro Micca, Via Garibaldi e outras nas imediações.



Pórticos do Corso Vittorio Emanuele

Interessante na Via Po é que até a Piazza Vittorio Veneto os pórticos são contínuos somente do lado esquerdo, o que não acontece do lado direito. A explicação é que na época os pórticos tinham por objetivo proteger a nobreza dos intempéries da natureza quando circulassem pela cidade.



Via Roma

Quem percorre a Via Roma, descobre o lugar das lojas mais elegantes de Torino protegidas pelos pórticos. Ela liga a Piazza Castello à Piazza San Carlo, que é uma das praças mais bonitas e elegantes de Torino. Talvez seja por isso que ela é chamada de "Salotto de Torino" ou "Sala de Estar de Torino".





Piazza San Carlo

A praça foi criada em 1638, quando belos palácios foram construídos para celebrar a nomeação de Torino como a capital do governo. No centro o monumento equestre de 1838 retrata o Duque Emanuele Filiberto de Sabóia. 

A praça sempre foi local de eventos importantes, tendo sob suas arcadas antigos cafés que foram frequentados por grandes personagens da história italiana e artistas de renomes. As duas igrejas gêmeas, uma dedicada a Santa Cristina em 1639 e a outra a San Carlo Borromeo em 1619, marcam a continuação da Via Roma tendo nos fundos grandes estátuas sobre fontes. 

Ao final da Via Roma chega-se à Piazza Carlo Felice onde está a Stazione de Porta Nuova, de onde partem trens para diversos lugares da Itália. Nas imediações da Porta Nuova está a GAM Torino - Galeria de Arte Moderna, que é o segundo maior museu de arte moderna na Itália. No acervo estão milhares de esculturas, pinturas, gravuras, manuscritos e vídeos tornando-se um lugar imperdível para os amantes da arte.



Via Garibaldi 
Essa é a rua mais antiga da cidade. Em tempos passados era chamada de Via Dora Grossa, sendo hoje reservada apenas para pedestres onde pode-se caminhar tranquilamente para admirar diversas lojas, algumas igrejas e palácios. Ao final da Via Garibaldi está a Piazza Statuto, que é uma das praças mais importantes de Torino.



Piazza Statuto
Na Idade Média a Piazza Statuto era um dos quatro pontos de acesso à cidade. Rodeada por belos prédios com pórticos, ao centro da praça ergue-se o monumento dedicado ao Traforo Ferroviario del Frejus, um túnel que liga a Itália à França. Em formato de uma pirâmide de pedras, o monumento contém um gênio alado no topo e titãs em mármore parecem descer da torre. De acordo com correntes filosóficas da época, representa a razão triunfando sobre a força. No entanto a praça é alvo de crenças.

Geralmente as portas das cidades eram planejadas levando em conta a direção de alguma cidade, mas também utilizava-se algumas crenças para defini-las. Em Torino as quatro portas da cidade se abriam para os quatro pontos cardeais. A hipótese é de que tudo conectado ao positivo é perfeito e com o negativo é imperfeito.



Monumento da Piazza Statuto

Segundo contam, a  porta principal era aberta para o Leste, que era considerado de influência positiva por ser onde nasce o sol. Esse ponto está na direção da Basílica de Superga. No Oeste acontece o por do sol e, por ser considerado o lugar onde começa a escuridão, era considerado um negativo e de mau agouro. Esse ponto está na direção da Porta Susa, que é a nova estação ferroviária de onde partem os comboios de alta velocidade para Paris e Barcelona.

O oeste era considerado um local mal-assombrado, porque também teria sido um local de julgamento e execução dos condenados e onde começava o grande cemitério da cidade. Muitos acreditam que ali está um dos vértices do triângulo da magia negra, situado em um obelisco próximo ao monumento ao Frejus. Antigos registros falam da presença de diversos esotéricos na cidade, entre eles Nostradamus nos anos de 1500 e Cagliostro nos anos de 1770, que se interessavam em estudar enigmas da cidade. 
  
Na verdade o tal obelisco marca o paralelo 45º, mas muitos acreditam que exista algo de nefasto nesse ponto da cidade, por ser o lugar onde está a Cittadella e o ponto de partida para os velhos túneis subterrâneos abaixo da cidade que serviram de refúgio durante os bombardeios da guerra. Coincidência ou não, justamente nas imediações da Piazza Statuto estão os museus que falam de guerras, armas de guerra, conflitos, prisões e holocausto. 
 

Museu dela Resistenza
Na região da Piazza Statuto está o Museo della Resistenza, della Deportazione, della Guerra, dei Diritti e delle Libertá, o Museo Storico Nazionale dell'Artiglieria que mantém diversos canhões, armas e artilharia das guerras, o Museo dei Carceri Le Nuove que é constituído de diversas celas que foram usadas para aprisionar inimigos capturados e outros que eram contra o regime facista. Ou seja, esses são lugares que mantém a lembrança de tristezas e sofrimentos.











Outro é o Museu Civico Pietro Micca e dell'Assedio di Torino del 1706, que homenageia o herói que deu a própria vida em favor de Torino. Quando os franceses se preparavam para explodir as paredes da Cittadella, tiveram suas ações frustradas por Pietro Micca que atacou a guarda francesa, morrendo nos subterrâneos com a explosão da bomba que carregava consigo. Nas salas de exposição estão diversos objetos e os modelos das antigas galerias subterrâneas.

A cada ano em setembro é realizada a reconstituição histórica que homenageia os militares que se distinguiram no confronto de 1706 através de um desfile pelas ruas da cidade e encenações da batalha histórica. Outro evento cívico da cidade é a Festa da Liberazione que acontece em 25 de abril e marca o fim da Segunda Guerra Mundial e da libertação do fascismo.



Related Posts with Thumbnails

Seguidores

Related Posts with Thumbnails

Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.