23 fevereiro 2012

Gorizia, uma ponte entre culturas

 



Ao sopé dos Alpes, na fronteira entre a Itália e a Eslovênia, situa-se Gorizia numa planície com vista para os Morros Collio conhecidos pelo seu excelente vinho. Protegida dos ventos frios que afetam a maioria das cidades vizinhas, Gorizia mantém um clima mediterrânico ao longo do ano. Popular resort da região do Friuli, a cidade engloba uma ampla variedade de paisagens, assim como vestígios históricos e artísticos que mostram influências alemãs, eslavas e latinas. 



  
 
 


O nome da cidade vem do esloveno Gorica, que significa pequena colina. Originada a partir da torre vigia de um castelo para controlar o rio Isonzo, Gorizia era uma pequena vila perto da Via Gemina, a antiga estrada romana que ligava Aquileia e Emona. Apesar de muitos monumentos terem sido destruídos durante as guerras, há inúmeros palácios, igrejas e belas praças.

A Piazza della Vittoria, conhecida pelos Eslovenos como Travnik que significa Prado, é o centro tradicional da cidade onde se realizam a maioria dos eventos. Na praça, a igreja de San Inazio de Loyola é a mais importante de Gorizia, construída pelos jesuítas entre 1680-1725 e restaurada muitas vezes, além da Fonte de Netuno e diversos palácios.




 
 


O Castelo de Gorizia do século 11 é o coração antigo da cidade. Situado na colina, proporciona uma bela vista sobre Gorizia, seus arredores e parte da Eslovênia. Perto do castelo há importantes museus, como o Museu de Moda e Artes Aplicadas, a galeria de imagens e a coleção arqueológica.

Cidade medieval que remonta ao século 10, Gorizia foi no passado uma das cidades mais ricas do Império Austro-Húngaro. Com muitos parques e áreas verdes, as colinas a oeste de Gorizia foram cenário de intensos combates entre o exército italiano e o Austro-Húngaro.







 

Monumento em Oslavia: A própria cidade foi seriamente danificada e a maioria dos seus habitantes fugiram em 1916, ficando a cidade sob controle do Império Austro-Húngaro. Em 1918 a cidade foi ocupada pelas tropas italianas tornando-se oficialmente parte da Itália em 1920.

Perto da cidade, em Oslavia, está o santuário dedicado aos mais de 57.000 mortos na 1a. Guerra Mundial. Construído em 1938, no imponente monumento cilíndrico estão os restos mortais de soldados italianos sendo a maioria de pessoas desconhecidas. Todas as noites o sino toca em honra dos mortos e em 8 de agosto de cada ano há uma cerimônia em memória destes soldados.











Durante o regime fascista na Itália todas as organizações eslovenas foram dissolvidas e proibido o uso público da língua eslovena. Muitos eslovenos emigraram para outros locais, principalmente para a América do Sul, mas os que permaneceram estiveram sob o domínio dos alemães nazistas durante a 2a. Guerra Mundial.

Após a ocupação nazista em setembro de 1943, a maioria dos judeus que moravam em Gorizia tentaram refugiar-se em outras cidades. Durante o holocausto, muitos judeus de Gorizia foram capturados e enviados para os campos de concentração em Auschwitz.


Após a guerra, a cidade foi dividida: uma parte da cidade ficou incorporada à Itália e outra parte de vários bairros periféricos com seus monumentos foram entregues à antiga República Socialista da Iugoslávia. Importantes marcos da cidade como o Mosteiro Kostanjevica, o Castelo Kromberk, a Sveta Gora - local de peregrinação, o antigo cemitério judeu e a estação ferroviária do norte foram mantidos no outro lado da fronteira.



Estação transalpina





Do lado da Eslovênia, a outra parte é chamada de Nova Gorica. Apesar de ser uma cidade fronteiriça, Gorizia não foi atravessada pela fronteira. Essa imagem decorre principalmente da presença em território esloveno de edifícios antigos, uma vez que pertenciam a Gorizia que inclui a antiga estação ferroviária da linha que ligava a cidade de Gorizia ao Império Austro-Húngaro na capital Viena.

Embora a situação em Gorizia tenha sido muitas vezes comparada com a de Berlim durante a Guerra Fria, a Itália e a Iugoslávia sempre tiveram boas relações. Os eventos culturais e desportivos favoreceram o espírito de convivência harmoniosa que permaneceu até a dissolução da Iugoslávia. Até 2007 a praça era dividida por uma fronteira internacional entre Itália e Eslovênia. A livre circulação foi aprovada a 100 metros de distância da praça.

Em frente ao edifício da estação há uma grande praça decorada com um mosaico que é uma representação metafórica e poética da explosão pacífica do marco que, até pouco tempo atrás, marcou a fronteira entre Gorizia e Nova Gorica; agora simboliza a integração europeia. Dentro do edifício da estação ferroviária funciona o Museu de Fronteiras, uma exposição sobre a história de Gorizia no período de 1945-2004. 



 



Vinícolas: Gorizia é um destino turístico para os amantes do vinho. O ponto de referência são empresas locais que oferecem passeios e roteiros turísticos dedicados à descoberta dos tesouros das vinícolas, da cultura do vinho em adegas com salas de degustação, pequenas tabernas e fazendas.

A cidade está  inserida entre duas áreas de produção de vinhos DOC das mais prestigiadas na Itália: o Collio e Isonzo que são reconhecidas internacionalmente pela qualidade de seus vinhos brancos de excelência, graças à fertilidade do solo especial das encostas.








Gusti di Frontiera: Gorizia é também uma terra de incríveis sabores. Na última semana de setembro, a cidade se transforma em uma ponte entre cntre culturas convidando todas as tradições culinárias da Europa e das 20 regiões italianas em toda a sua supreendente variedade.

Durante três dias diversos países como França, Eslovênia, Alemanha, Áustria, Croácia, Sérvia, Montenegro, Albânia e regiões da Itália apresentam o melhor da gastronomia e do vinho durante o Festival "Gusti di Frontiera".




 

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.