18 setembro 2010

Pompeia, as ruinas do vulcão Vesuvio

 
Pompéia, Stabia e Herculano, no golfo de Napoles, são cidades em ruinas que surprendem aos visitantes. O culto aos deuses greco-romanos Apolo, Júpiter, Vênus e à deusa egípcia Ísis estão ainda representados pelos grandes templos. Pompéia tinha uma economia próspera e eficiente, baseada na vinicultura e na produção de lã, além de diversas oficinas de mosaicistas, tintureiros, marceneiros, marmoristas e pintores. Uma cidade culta e próspera.

 

Em 24 de agosto de 79 o vulcão Vesúvio em sua maior erupção surpreendeu a população estimada em quase 20.000 habitantes, que não sabia que aquela montanha era um vulcão ativo. A explosão do Vesúvio foi tão violenta que pode ser observada desde Roma a 200 km de Pompéia. 

Eles jamais poderiam supor que numa erupção as pedras incandescentes pudessem cair sobre a cidade como balas de pequenos canhões, numa distância de 25 km. Os que sobreviveram à queda das pedras morreram asfixiados pelo gás tóxico lançado pelo Vesúvio e, após três dias, as três cidades estavam soterradas. Os que sobreviveram escapando por embarcações, quando retornaram nada mais encontraram.

 

Após ter sumido do mapa no ano de 79, Pompéia permaneceu enterrada até o século 18. Quase 1700 anos depois, escavações revelaram objetos de arte, pinturas e mosaicos espalhados por mais de 1 milhão de metros cúbicos de construção: os coloridos afrescos da Vila dos Mistérios, o mosaico Cave Canem no chão da Casa do Poeta Trágico, os grafites nas ruas, o Templo de Apolo e seu relógio solar, a Taberna de Herculano, o Teatro pequeno de Pompéia, o Horto dos fuggiaschi etc. Recentemente as escavações foram retomadas revelando termas, padarias, templos, teatros, mansões e um sistema hidráulico para transportar a água por toda a cidade, depois que a água era trazida por um aqueduto do rio Abellinum a 28 quilômetros de distância.

 

Pompéia é a estrutura cultural mais visitada da Itália. Localizada a 25 quilômetros do Vesúvio, a cidade que foi literalmente varrida do mapa mostra todos os seus vestígios que revelam como era a vida na cidade naquele tempo, com as ruas de pedra que até hoje conservam as marcas das carruagens romanas. A rara característica do fato de ter sido encoberta somente por cinzas, e não por lava, mostra uma impressionante cidade conservada.

 

De fato os corpos encontrados petrificados, ainda nas mesmas posições da época, constituem-se uma visão mórbida e triste e registram até mesmo a expressão facial de horror e surpresa. As pinturas e afrescos mantiveram-se praticamente com a mesma vivacidade de suas cores originais e, excetuando-se as madeiras que se queimaram, todas as alvenarias e pedras das construções permaneceram intactas.

 

Segundo narrou um historiador da época, Plínio o Jovem que assistiu à erupção a distância, era possível ouvir o lamento das mulheres, o choro das crianças e o grito dos homens. A cidade que pertenceu ao berço da moderna civilização ocidental - as cidades romanas - tem uma fascinante similaridade com as metrópoles atuais: ruas pavimentadas e planejamento urbano projetado para prover uma cidade extremamente organizada. As ruas desembocam sempre num templo e ainda são visíveis os sinais vermelhos pintados nas paredes que anunciavam a próxima luta de gladiadores e slogans políticos para a próxima eleição que jamais se realizou, como também os murais de mulheres nuas no bordel Vico del Lupanare.

 

As ruinas dão a visão de vilas, fontes, templos, edifícios públicos e uma grandiosidade que assinalam a fartura que Pompéia vivia, com casas e mansões luxuosas que possuiam átrios ajardinados, iluminação natural, ventilação e ótimas instalações. Os templos para os deuses romanos conviviam com os bordéis com desenhos obscenos de posições sexuais que o cliente apontava para pedir deteminado serviço. Havia um clube chamado Terma onde os habitantes reuniam-se à noite sob lâmpadas a óleo.

 

Das construções monumentais tem destaque um anfiteatro com capacidade para 5000 pessoas além de banhos e banheiros públicos, mercado, opções de lazer, termas, salão de jogos, teatro e prostíbulos. Os boêmios frequentavam as tavernas que se prolongavam por uma rua através de um balcão. Entretanto, durante o domínio dos romanos, em vez de teatros e musicais dos tempos dos gregos, eles preferiam as lutas sanguinárias dos gladiadores que gozavam de popularidade semelhante à dos astros do esporte dos tempos atuais e tinham até torcida organizada.

 

Há apenas 15 anos foram descobertas as antigas termas de Pompéia bem preservadas, com seus mosaicos, afrescos e piscinas com cascata. As saunas chamadas tepidarium, laconium e caldarium, cada uma era mais quente que a outra, com grandes janelas abertas para a Baía de Nápoles. Uma piscina externa era mantida aquecida por uma fornalha onde trabalhavam escravos chamados fornacatores. Os trabalhos de restauração das Termas Suburbanas, batizadas como as termas do prazer devido aos seus afrescos eróticos e aos banhos promíscuos, só foram formalmente concluídos recentemente.

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.