03 dezembro 2011

Bressanone - speck, pão e vinho



Bressanone ou Brixen é uma das mais antigas cidades do Tirol sul, na região Trentino-Alto Adige. Conhecida especialmente por seus resorts, estações de esqui e vinhas, é um local turístico preferido por italianos e estrangeiros, tanto no inverno quanto no verão.









Durante o inverno a temperatura cai para menos de 2 graus centígrados, quando muitos turistas se dirigem às pistas de esqui de Plose e também aquelas dos Valles e Meransen. A estância de esqui em torno das encostas do Plose é a mais longa no Alto Adige. A temporada de esqui começa logo no início de dezembro e dura até os primeiros dias de abril. No verão, o cenário alpino se torna ideal para caminhadas, trilhas, percursos de bicicleta, camping e ecoturismo.







Conquistada pelos romanos no ano 15 a.C. e depois pelo Duque da Bavaria, na antiguidade era chamada de Prihsna. Dominada pelos bispos através dos séculos, foi invadida pelas tropas de Napoleão em 1797. Nessa época, a cidade ocupada por 12.000 soldados propiciou a difusão de uma grande epidemia que dizimou muitas pessoas, obrigando Napoleão a retirar suas tropas.

Poucos anos mais tarde, Napoleão tentou retomar as terras. A tropa francesa foi vencida e Brixen voltou a fazer parte do Império Austríaco e posteriormente do Império-Austro Húngaro. Situada nos limites da Itália e Aústria, a região foi anexada ao Reino da Itália após a 1ª Guerra Mundial. Em 2001 a cidade de Bressanone celebrou seus 1.100 anos de história com um jubileu da cidade.







Com muitas tradições de sua cultura e histórias guardadas em seus museus, o centro histórico é protegido por muralhas. As entradas/saídas estão concentradas em três portas: a Porta Säben ou Sabiona, que tem acima uma figura feminina tingida de vermelho; a Porta San Michele, que era o principal acesso ao Alto Vale Pusteria e a Porta Sole que permitia acesso à estrada de Bolzano.









A cidade tem ruas bem cuidadas e belas flores que nos meses mais quentes preenchem tanto as sacadas das casas quanto os jardins que tem belas fontes nos canteiros. Cortada pelo Rio Rienza, a cidade que tem raízes medievais e outrora foi dominada pelos bispos durante séculos, tem estilo italiano com forte influência germânica onde predomina a lingua alemã. As placas indicadoras de transito e de ruas são escritas em alemão e em italiano.





O Museu da Farmácia está situado em um sobrado de quase 500 anos. A farmácia que vem passando de geração em geração, desde 1787 funciona no mesmo local. Cuidadosamente conservado, o museu mostra o desenvolvimento da profissão farmaceutica aos longo dos séculos. O Museu também oferece uma biblioteca para a pesquisa histórica e o arquivo da família Peer.







O Palazzo Vescovile foi uma das principais residências nobres do Tirol sul onde viveram os bispos. A construção de três andares em torno de um grande pátio, se tornou o Museu da Diocese e o Museu da arte Sacra que guarda uma coleção de presépios antigos com 5.000 peças. A coleção foi criada pelo bispo Karl Franz Lodron, também conhecido como Conde von Lodron, que viveu na cidade no início de 1800.







Famoso é também o Mercadinho de natal de Bressagnone, um dos momentos mais animados da cidade. As bancas decoradas na Piazza do Duomo expõem os objetos natalícios e ideias de presentes típicos e originais da tradição sudtiroleza. Também se pode provar muitas especilidades do local onde há ainda grupos musicais e programa para as crianças.







Assim como em outras cidades da Itália, Bressanone tem inúmeras igrejas. Entre elas a Catedral de Bressanone na Piazza Duomo que foi construída no século 12 e dedicada a Santa Maria Assunta. A ela estão agregados o Battistero del duomo di San Giovanni Battista e um antigo Claustro.







A partir da Igreja de São Cirilo começa a peregrinação às sete igrejas nas imediações de Bressanone, tais como La Mara, Scezze, Tecelinga, Telhas e Pinzago. Uma das mais bonitas, é a Abazzia Benedettina di Novacella, a alguns quilômetros do centro.









Nos arredores de Bressanone há vários castelos, sendo alguns de propriedade particular. O Castelo Rodeneck é um dos mais poderosos de seu tempo e o Castelo Tauernstein é a atual casa do município. Também importantes são os Castelos Reifenstein, Trostburg, Pallaus, Ratzötz, Hanberg, Krakofel, Köstlan, Trunt e Karlsburg. O Castelo da família Cusano, pertencente aos descendentes de Nicolau de Cusa, Duques de Bressanone e Bolzano, abrem o castelo à visitação pública somente no natal.



A cada ano no outono acontece a Festa do Speck e o Mercado do Pão e do Strudel. Speck é o alimento mais precioso do Südtirol. De sabor distinto, o presunto defumado e curado representa o caráter da culinária do Alto Adige. Com leve sabor e mais robusto, após três semanas de cura a seco, os presuntos são delicadamente levados ao processo de defumação em temperatura controlada. Esse processo lento permite que a fumaça penetre na carne.

O processo de envelhecimento é realizado em locais ventilados que literalmente deixam a atmosfera do Tirol do Sul circular em torno da carne por quase seis meses. Conforme os costumes do Südtirol, speck, pão e vinho é uma trindade santa.





No Mercado de Pães e Strudel os gourmets do Tirol sul apresentam inúmeras variedades dos saborosos e tradicionais pães e bolos do Tirol do Sul. Além da degustação pode-se aprender muito da cultura do pão e do strudel dessa região. O strudel é um tipo de doce em camadas e enrolado com recheio em seu interior, que se tornou conhecido e ganhou popularidade no século 18 durante o Império Habsburgo.

Strudel significa redemoinho e a origem da forma de trabalhar a massa e as inúmeras maneiras de preparo ainda é desconhecida nos dias de hoje. A receita mais antiga de que se teve conhecimento remonta a 1696. Frequentemente associada à cozinha austríaca, historicamente o strudel já era conhecido na antiga culinária árabe e turca. Na Turquia, a fina massa era recheada com diversos sabores e também sobreposta em camadas mas foram os húngaros, austríacos e alemães que aprimoram as receitas.



Os vienenses foram os especialistas que difundiram e o Strudel tornaram conhecido pelo mundo, com suas receitas de Apfelstrudel - recheado de maçã, o Topfenstrudel - recheado de ricota e passas, o Weichselstrudel e Kirschenstrudel-com recheio de cerejas e o Mohnstrudel - de semente de papoulas. Mas também existe os strudels salgados recheados com verduras e legumes.

Na confeitaria austríaca, o strudel é diferente daqueles feitos em outras partes do mundo; a tradicional massa do strudel austriaco é muito fina e elástica. Feita de farinha de trigo com elevado teor de glúten, água, sal, açúcar, manteiga e algumas vezes acrescentados ovos, a massa é muito trabalhada, descansada e depois esticada até se tornar muito fina. Conta uma lenda, que um imperador austríaco exigente e perfeccionista ordenou ao seu cozinheiro que fizesse a massa tão fina que fôsse possível se ler uma carta de amor através dela...




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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.