19 abril 2012

Brindisi, a porta do Oriente


Brindisi é uma das bonitas e charmosas cidades da península salentina ou "Tacco dello Stivale", na região da Puglia. De origem muito antiga que remonta a tempos pré-romanos, sua história está intimamente ligada ao seu porto e mar. Marcada pela influência de gregos e romanos que no passado dominaram a região, diz a tradição que a cidade foi fundada por Diomedes, o lendário herói da Mitologia Grega.






O nome latino da cidade Brundisium, deriva do grego Brentesion que significa Cabeça de Veado, que faz referência ao formato do seu porto. Do Monumento dedicado aos Marinheiros Italianos, em forma de leme de um navio, tem-se uma magnífica vista panorâmica de Brindisi. Na entrada do porto situa-se o Castelo Alfonsino conhecido como Castelo Aragonês ou Castelo do mar, construído em 1491 para defender a cidade dos ataques vindos mar.

O Castello Svevo é conhecido como Castelo Grande ou Castelo de terra. Foi construído em 1227 por Frederico II como uma residência fortificada posicionada para defender o porto de Brindisi. Em sua construção foram usados os materiais provenientes das antigas muralhas da cidade e monumentos públicos em ruínas. Esteve abandonado até ser transformado em uma prisão em 1813 e desde 1909 é usado pela Marinha.





Brindisi é o porto de saída para quem vai para a Grécia e outros países do Oriente Médio, sendo chamada de "Porta do Oriente". Quando Pirro desembarcou na Itália em 280 a.C. para cuidar da proteção da colônia grega de Taranto, apesar de suas vitórias, a cidade foi conquistada pelos romanos. Foi nessa época que a cidade teve sua maior prosperidade.

Tornando-se o principal porto no Mar Adriático, a antiga estrada romana Via Appia começava em Roma e terminava em Brindisi. Por ali passavam peregrinos, comerciantes e cavaleiros em direção ao Oriente Médio, provenientes de várias locais mas principalmente de Roma.

As colunas romanas são o símbolo da cidade de Brindisi e, apesar de serem conhecidas como o final da Via Appia, na verdade elas eram um ponto de referência para os marinheiros da época. A Via Appia Nuova foi construída quase paralela à original, sendo que alguns pontos da antiga estrada ainda são usados.



Na Idade Média, quando os turcos dominavam a região sagrada para os cristãos e impediam a peregrinação dos europeus, foi criada a Ordem dos Cavaleiros Templários que tiveram importante participação militar nos combates das Cruzadas. Do porto de Brindisi, partiam muitos cavaleiros das Cruzadas para libertar a Terra Santa do domínio muçulmano, o que deu destaque à cidade.

Durante quase dois séculos a Ordem foi a maior organização militar-religiosa do mundo, mas as seguidas derrotas das Cruzadas no século 13 comprometeram seus objetivos. Além disso, o monarca da França Felipe IV se enganjou em campanhas em troca de benefícios políticos. Propôs ao arcebispo Beltrand de Gouth de usar sua influência para torná-lo papa e em troca o arcebispo se comprometeu em exterminar a Ordem dos Templários.

Beltrand de Gouth tornou-se o Papa Clemente V em 1305 e iniciou o processo inquisitório contra os Templários que se estendeu por vários anos sob torturas e diversas acusações. Jacques de Molay, o último Grão-Mestre da Ordem, e inúmeros outros foram condenados e levados à fogueira da Inquisição.

Diz uma lenda que, agonizante em meio às chamas, o líder dos Templários amaldiçoou o Papa Clemente V dizendo que ele morreria dentro de 40 dias e o monarca Felipe IV teria menos de um ano de vida, devido à injustiça que estava sendo praticada. Inexplicavelmente o Papa morreu 33 dias depois e o rei em 8 meses devido a um derrame cerebral. Atualmente, a Ordem Rosa Cruz e a Maçonaria se consideram ascendentes diretos dos Cavaleiros Templários.

Pórtico dos Cavaleiros Templários

Igreja de Santa Maria del Casale

Na Igreja de Santa Maria del Casale instalou-se o tribunal para julgar a Ordem dos Cavaleiros Templários em 1310. A memória daquela época é representada pelo Pórtico dos Cavaleiros Templários na Praça Duomo.

Apesar do nome dado ao pórtico, na realidade era a loggia do palácio do bispo e hoje funciona como entrada para o Museu Arqueológico Provinciale Ribezzo. Em vários andares o museu expõe cerca de 3000 esculturas de bronze e fragmentos em estilo grego helenístico, estatuetas de terracota do século 7, estátuas romanas e outros documentos.


Catedral


Seminário




A história de Brindisi aparece em vários prédios, palácios, igrejas e monumentos que recontam um pouco do esplendor do seu passado, tais como o Palazzo Dionisi, o antigo Hotel Internacional, o prédio onde hoje funciona a Casa do turista e o Palazzo Montenegro que é a atual residência do prefeito.

Na Praça Duomo está a Catedral de São João Batista construída entre 1089 - 1143 e o Seminário de Brindisi que foi fundado em 1798 onde está uma biblioteca com mais de 100.000 livros, algumas obras raras e um extenso arquivo de manuscritos do século 16.

Em outros pontos da cidade estão a Igreja Cristo dos dominicanos, Igreja de San Benedetto, Igreja de San Giovanni al Sepolcro, Igreja de Santa Lucia, Igreja de Santa Maria degli Angeli, Igreja de São Miguel Arcanjo com sua torre de azulejos e outras igrejas menores.




O centro histórico de Brindisi está confinado dentro das muralhas onde festivais e eventos culturais de todos os tipos enriquecem o ambiente Salentino, combinados com a deliciosa comida recheada de tradições. Significativo em Brindisi é o culto ao Tarantismo que combina tradição pagã e cristã.

No passado acreditava-se que a picada da tarântula Lycosa provocava histeria, fazendo com que as pessoas dançassem continuamente até passar o efeito, ao som frenético do pandeiro, violino, bandolim, guitarra e acordeon. A música e a dança se tornaram populares e exerce um fascínio irresistível durante os festivais. Também originou a dança da Pizzica, uma variação da tarantela muito popular na região da Puglia.

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.