02 agosto 2012

Catanzaro, a cidade entre dois mares




Conhecida como a Cidade dos Mares, Catanzaro ao sul da Itália teve vários nomes através de sua longa história. Os gregos chamavam a cidade de Katantza'rion e na época romana era chamada de Chatacium. Quando os sarracenos estiveram na cidade entre os anos 900 a 1.000 era chamada QaTanSáar. Os bizantinos diziam Rocha de Nicéforo e os normandos Cathacem. Sob o reino de Nápoles era chamada Cathanzario. Depois da unificação italiana passou a ser chamada Catanzaro. 







Cidade das Três Colinas: Assentada sobre três montes na região da Calábria, Catanzaro era conhecida como a Cidade das Três Colinas:
  • Monte San Trifone hoje chamado San Rocco, de onde pode-se ver os subúrbios ao sul da cidade e do Golfo de Squillace.    
  • Monte del Vescovato hoje a Praça da Catedral.   
  • Monte do Castello hoje chamado Monte San Giovanni ou Monte do Castelo é o ponto mais alto, onde estão as ruínas do castelo.  
Ao longo dos séculos, sua localização estratégica permitiu tornar-se um importante centro de negócios tendo hoje uma moderna infra-estrutura. Devido à sua localização, segura e alta, foi a terra escolhida por vários povos que tentaram dominá-la, como os normandos, venezianos e os sarracenos que foram os primeiros a dar início ao desenvolvimento da cidade em suas regiões mais altas no século 9.





Viaduto Morandi: Uma das maiores construções de Catanzaro são as altas e modernas pontes que cruzam a cidade, principalmente o Viaduto Morandi que é um dos mais altos da Europa.  O arco de concreto armado, é um verdadeiro monumento de engenharia e arquitetura que tornou-se um símbolo da cidade e de identificação da Calábria no mundo. À noite a ponte se torna magnificamente iluminada.  









Monumentos: Com várias praças, fontes e antigos palácios, a cidade possui uma moderna infra-estrutura como o novo Teatro Politeama de 2002. Uma das obras mais significativas da cidade é a Fontana del Cavatore, uma estátua de bronze cavando água nas pedras; uma obra de arte napolitana do século 20. Além dos monumentos, ao longo dos séculos Catanzaro foi enriquecida por muitos parques e jardins tendo destaque o Jardim Botânico e o parque da Villa Margherita. 






La Notte Piccante: Distinguida por sua rica tradição cultural, shows e apresentações teatrais, os eventos realizados regularmente fazem de Catanzaro um local de muitas emoções onde a culinária sempre teve destaque com seus sabores mediterrânicos, fortes e aromáticos. Um evento tradicional de Catanzaro são as celebrações da Páscoa precedidas da procissão no centro histórico em volta das sete igrejas.

Mas o principal evento é "La Notte Piccante" que é realizado em setembro e ressalta as tradições culinárias e folclóricas catanzareses. O evento inclui uma série de eventos, exposições, performances, degustações e concertos, sendo a ocasião que todos os museus e igrejas históricas são abertos ao público. Os concertos geralmente estão na Piazza Duomo e Piazza da Prefeitura.
O evento tem como tema a cor vermelha típica de Catanzaro, tendo grande destaque a pimenta, o vinho local vermelho e o tradicional Morzeddhu. Servido no pão pitta, recheado com carne, miúdos e dobradinha de bezerro (diuneddhi), preparado com pimenta em conserva, orégano, louro, sal e vinho tinto, Morzello ou Morzeddhu é um símbolo de Catanzaro.





Festas religiosas: Outra tradição de Catanzaro são as festas religiosas em suas inúmeras igrejas, entre elas a Catedral construída em 1121. Destruída por terremoto em 1638 e pelos bombardeios de 1943 durante a Segunda Guerra Mundial, a catedral foi restaurada em 1960, sendo dedicada a Santa Maria Assunta e SS. Pietro e Paolo.







Devido aos vários terremotos, a cidade mantém poucos traços dos tempos antigos. Um terremoto em 1783 causou avarias em muitas igrejas e em outros patrimônios históricos, mas ainda mantém a Basílica dell'Imacollata de 1254, a Igreja do Rosário de 1499, a Igreja de San Giovanni Batista de 1532.

A Igreja de Sant'Omobono é uma pequena capela do século 11, além das Igrejas de San Rocco, San Francesco, Santa Maria del Carmine, Santa Maria de Portosalvo e a Igreja del Monte dei Morti. 





Parque Arqueológico: No Parque Arqueológico de Scolacium perto de Catanzaro Lido pouco resta da cidade pré-romana. O que permanece visível mostra um sistema da colônia romana com os vestígios de monumentos mais importantes, antigas estradas pavimentadas, aquedutos, mausoléus, o teatro e o anfiteatro romano.

Até o princípio dos anos 1800 a cidade era uma fortaleza cercada por muralhas e torres. Desta época restam apenas a Porta San Agostino e Porta di Strato, que são os últimos vestígios das muralhas medievais que foram demolidas em 1805.

As ruinas do Castelo Normando e um tour pelos inúmeros museus de Catanzaro permitem explorar muito de sua história. Significativa herança é preservada no Museu Arqueológico Provincial, Museo rissorgimento, La Casa della Memoria e outros.  

Descobertas arqueológicas mostram que desde a Idade do Ferro floresceram na região os povos de Vitulo, assim chamados porque eles adoravam a estátua de um bezerro que os gregos nomeavam de Italoi ou adoradores do bezerro. Eles eram regidos pelo famoso rei italiano Italo, um ancestral dos troianos, daí surgindo o nome Itália.







Golfo Squillace: Catanzaro teve origem na era da Magna Grécia e supõe-se que o heroi Ulisses da mitologia grega tenha desembarcado no Golfo de Squillace. Com vista para o Mar Jônico, a pouca distância da cidade estão 8 km de praias e um porto de pesca.

No verão o litoral de Soverato se torna um ponto turístico, especialmente para os jovens devido às inúmeras opções de diversão. Localizada no istmo de Catanzaro, que é a mais estreita faixa de terra da Itália, apenas 30 km separam o Mar Jônico do Mar Tirreno. Em dias claros é possível ver os dois mares e as ilhas Eólias, por isso é chamada Cidade de dois Mares.  

 


Museu da Seda: Catanzaro também era conhecida como a Cidade "VVV", referindo-se a três características distintas da cidade:
  • "V" de San Vitaliano que é o padroeiro da cidade.
  • "V" de vento, devido aos fortes ventos que sopram do mar Jônico e Silas, dando um clima agradável durante o verão.  
  • "V" de veludo, por ter sido um importante centro de tecidos de seda, damascados e brocados desde a época bizantina.  




O pequeno Museu da Seda de Catanzaro e outro em San Floro descrevem as várias fases de processamento da seda e brocados, com máquinas para reproduzir desenhos, pentes, pás, paineis e documentos que comprovam o esplendor da seda de Catanzaro. Exemplos da arte têxtil podem ser vistos na Igreja Monte dei Morti, onde as amostras são armazenadas em veludos chamados "Catanzaro Púrpura".

O desenvolvimento da arte da seda em Catanzaro é um mistério, visto que na época todo o sul da Itália estava sob o domínio bizantino. Alguns estudiosos acreditam que o próprio significado do nome original da cidade Katantzárion, poderia ser rastreado do grego Katartizen que significa preparar, embalar ou algum processo em um terraço de frente para as montanhas (Kata+Anzar).






Acredita-se que a arte da seda foi introduzida em Catanzaro em 1072 através de uma casta que vivia nas cidades orientais. De acordo com uma tradição de Catanzaro, os primeiros centros europeus que trabalhavam a seda eram italianos, entre o final do século 9 e início do século 10. No início do século 15 a seda teve grande expansão, pois Catanzaro tinha todos os recursos: a água abundante, o vento para remover o cheiro e o sol para secar a seda.

Porém no século 17 cairia em decadência. A terrível epidemia que se abateu sobre Catanzaro em 1668 atingiu 16.000 habitantes de Catanzaro, reduzindo significativamente a produção de seda fina. Invadida por muitos ratos vindos em navios do Oriente, as ruas da cidade transformaram-se em um campo de cadáveres das vítimas da peste.

Em vista disso, as oficinas de seda foram queimadas, cujas chamas altíssimas podiam ser avistadas a quilômetros de distância. A pobreza se alastrou em Catanzaro como um vírus secundário, aliada à perda da memória de tempos áureos e do rasto das técnicas e dos padrões dos tecelões de seda. E assim, ninguém jamais conseguiria reconstituir os seus segredos...


Um comentário:

  1. Adorei, saber da terra do meu avô...
    1ª vez q vejo um post tão bom!

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.