16 maio 2014

Torino, discreta e elegante parte 2




Emblema de Torino

A história de Torino é cheia de magias, lendas e contos fantásticos. Segundo uma teoria antiga, o nome da Itália vem de Italo que significa touro. E o nome de Torino também está relacionado ao touro, que tem destaque em seu emblema.

Na antiguidade a região de Torino era habitada por tribos celtas que tinham vindo dos Alpes à procura de terras férteis. Na época o Império de Cartago, que dominava todo o norte da África, desejava conquistar Roma.

Já esgotado todas as tentativas de atacar Roma pelo mar, o general cartaginês Hannibal resolveu atravessar os Alpes montado em enormes elefantes. Em sua longa marcha para Roma, as tropas de Hannibal arrasaram Taurasia, a capital do lendário Tauern.



Porta Palatina ou Porta Palazzo

Em torno de 27 a.C. os romanos conquistaram a região de Torino e fundaram a colônia Augusta Taurinorum para ser uma rota de comunicação com os Alpes. A construção da colônia seguiu os padrões tradicionais, dando a Torino quarteirões planejados cercados por grandes muralhas com quatro portas de acesso à cidade.

Uma delas é a Porta Palatina ou Porta Palazzo situada no Quadrilátero Romano, que contém os monumentos dedicados a Augustus Cesar e Julius Cesar. Após a queda do Império Romano foi criado o Ducado de Torino governardo pelos lombardos, até que em 1418 a cidade tornou-se propriedade do Ducado de Saboia.



Quadrilátero romano

A maioria das civilizações antigas tinham o hábito de caminhar ao redor das muralhas da cidade, que era considerado um ritual mágico. E um dos lugares mágicos da cidade é o Quadrilátero Romano, que é um dos lugares mais interessantes de Torino e o coração pulsante da Porta Palatina ou Porta Palazzo.

Localizado na parte da cidade habitada antigamente pelos romanos, a modernização social e ambiental tornou o lugar encantador com muitas boutiques, lojinhas de acessórios e edifícios antigos restaurados que margeiam suas ruas estreitas. É ainda onde estão muitos barzinhos que funcionam tanto durante o dia quanto à noite, tornando-se um dos lugares mais animados da vida noturna de Torino.





Salone del Gusto

E animação é o que não falta no Salone del Gusto / Terra Madre, quando é possível experimentar os sabores de todas as partes da Itália e também de diversos países do mundo. A próxima edição será realizada em outubro de 2014, permitindo deliciar-se com iguarias, bebidas, conhecer grandes mestres da gastronomia mundial, assistir conferências e palestras num ambiente delicioso do mundo dos alimentos.

Ao transitar pelo galpão do Lingotto Fiere encontra-se os sabores e produtos da Itália, Brasil, Estados Unidos, Japão, Índia, da África, Oceânia, países asiáticos, comidas árabes, doces argelinos, comidas exóticas, aperitivos pouco conhecidos e a seção Enoteca, inteiramente dedicada a vinhos, licores, sucos e bebidas de todo o mundo. A feira promove o encontro de cozinheiros, agricultores, enólogos, chefs, pescadores, pastores, especialistas, artesãos e de bons gourmets de todos os cantos da Terra.



Piazza dela Repubblica

Piazza dela Repubblica 
É em Torino que acontece a cada dia o maior mercado a céu aberto da Europa. A Piazza della Repubblica é a maior praça de Torino e a alma da Porta Palazzo. Criada originalmente em 1729 e renovada no decorrer dos séculos, os prédios em forma octognal abrangem o Mercado do Peixe, o Mercado de alimentação, o Mercado do Vestuário e Mercado, conhecido como Galpão do relógio.




Passear pelo mercado é uma forma de conhecer os costumes da cidade, o modo vibrante de viver em Torino e a coexistência entre diversas culturas presentes na cidade. Dependendo da época, também se encontra feiras de produtos agrícolas, roupas e artesanato do Piemonte em diversas ruas de Torino.

Há também o "mercado de pulgas" na Piazza Borgo Dora, onde você pode encontrar desde móveis, roupas, tapetes e artes em verdadeiras pechinchas, mas também decepções inesquecíveis para os menos atentos. Nem tudo é original, nem tudo é antigo como afirmam.



 Piazza Vittorio Veneto

Outro point da vida noturna de Torino é a enorme Piazza Vittorio Veneto e o cais Murazzi, que concentram bares e discotecas. Murazzi del Po é o nome dado à margem do rio, que foi construída em 1880 para dar ordenamento aos armazéns e barcos. Durante o dia quem desejar pode partir dali para realizar um mini-cruzeiro pelo rio Po.



Igreja Gran Madre di Dio

A ponte sobre o rio liga o profano ao cristão, tendo à sua frente a Igreja Gran Madre di Dio. Dizem que a igreja foi construída para celebrar o retorno do rei Vittorio Emanuele I à cidade depois de derrotar Napoleão em 1814. Concluída em 1831, no interior dessa igreja está a cripta simbólica dos restos mortais de milhares de soldados italianos mortos durante as guerras.




Com uma arquitetura que se assemelha ao panteão de Roma, à frente da igreja está uma escultura que representa o rei Vittorio Emanuele I. De cada lado da escadaria estão as esculturas que representam a fé e a religião. Uma delas segura um cálice, que segundo esotéricos se refere ao Santo Graal. Dizem que o Santo Cálice usado por Cristo na última ceia estaria em algum lugar que jamais foi revelado. Alguns acreditam que esteja em Torino.



 Monte dei Cappucini 

Numa das margens do rio Po está o Monte dei Cappucini ou Monte dos Capucinhos, uma igreja dedicada a Santa Maria do Monte que existe nesse local desde os anos de 1500. Na época não era uma grande construção, que cresceu através dos séculos. No anexo ao lado está o Museu Duca degli Abruzzi dedicado ao alpinismo, que contém documentações sobre montanhas e equipamentos usados para esqui e montanhismo. Do alto pode-se admirar os Alpes.



Parco Valentino 

Na outra margem do rio Po está o Parco Valentino, que é o parque mais antigo e mais conhecido da cidade. A origem do nome do parque é incerta, havendo várias hipóteses. Uma delas diz que ali existia na antiguidade uma capela onde haviam relíquias de San Valentino, o protetor dos namorados. As relíquias foram transferidas, mas permaneceu a homenagem a San Valentino pois o lugar é romântico e muitas casais passeiam pelo parque.

A atmosfera gótica do Borgo Medievale é fascinante. Imerso no Parco Valentino, o pequeno castelo foi inaugurado em 1884 por ocasião da Exposição industrial e artística de Torino. Na verdade ele é uma reconstituição das antigas aldeias medievais contendo casas, pórticos e lojas de artesãos, fruto da imaginação e da colaboração de estudiosos que sugeriram muitos elementos decorativos com base nos anos de 1400. Durante o verão são realizadas apresentações teatrais e desfiles de roupas medievais, que proporcionam uma verdadeira viagem ao passado.



Parco Valentino jardins
Muitas vezes o Parque Valentino aparece como símbolo da cidade, talvez por sua localização privilegiada que lhe dá um charme não só como ponto turístico, mas também como local para a prática de ciclismo, caminhadas e passeios exceto no inverno quando o parque fica coberto de neve. O parque só se tornou público depois de 1800, quando Napoleão mandou demolir a muralha.

Na reformulação o parque ganhou projetos paisagisticos e jardins inspirados no melhor estilo inglês. Depois da construção da vila medieval, foram surgindo novos canteiros e jardins de rosas que se tornaram uma grande atração do parque. Um dos canteiros é o Jardim das delícias, inspirado na Idade medieval com flores circundando as fontes.



Parco Valentino Fonte dos 12 meses

A Fontana dei Dodici Mesi ou Fonte dos Doze Meses, também chamada Fontana del Ceppi, foi projetada no parque para a Exposição Nacional de 1898, tendo uma cachoeira adornada com estátuas que representam os meses e os rios de Torino (Po, Stura, Dora e Sangone).

O estilo Art Nouveau com bom gosto ornamental segue a forma inclinada do terreno e cria um belo efeito. Dentre os vários monumentos do parque tem destaque o Arco do triunfo, uma reprodução menor do arco de Paris, construído em 1920 e dedicado à artilharia italiana.



Castelo Valentino
Inserido no coração do Parco Valentino, o Castello Valentino é testemunha do passado da nobre família Sabóia e ostenta um brasão da Casa di Savoia na fachada. O castelo já existia há muito tempo, até que a duquesa Christine Marie de France, esposa do rei Vittorio Amadeo I di Saboia, encomendou a ampliação do castelo entre 1630-1660 tendo sido a sua residência preferida e na corte ela realizava grandes festas.



Todo o estilo do castelo refletiu o gosto da madame real, tendo permanecido com dois lados diferentes: um em estilo barroco com um grande pátio e a outra fachada voltada para o rio. Marie Christine tinha se casado com o duque quando tinha apenas 13 anos. Educada na corte francesa, ela havia introduzido a cultura francesa na corte de Sabóia. Certo dia seu marido foi participar de um jantar e ao retornar faleceu inesperadamente.

Após a morte de seu marido a duquesa passou a governar Torino e mudou-se para o Palazzo Madama onde faleceu em 1663. Durante muitos anos o Castelo Valentino permaneceu abandonado até ser ocupado pela Faculdade de Engenharia. Mas foi o abandono do castelo que permitiu conservar os afrescos originais da época. Há poucos anos foi aberto o esplêndido salão do zodíaco, representando o rio Po com as características de Poseidon. Ao lado do castelo está o Jardim Botânico.




Villa Regina

Muitos palácios e castelos nas imediações de Torino eram usados pela família Sabóia como residências temporárias ou pertenciam a algum ramo da família. Um desses palácios é a Villa Regina, situada no alto da colina perto de Torino. 

Outros situam-se em locais mais distantes, como a Reggia em Venaria Reale, a Pallazina de Caça em Stupinigi que servia como residência de verão e os castelos em Moncalieri, Raconigi e Rivoli. Além de sua imponência e beleza, cada um guarda uma história interessante.




Reggia de Venaria Reale


Palazzina de Caça de Stupinigi

Castelo de Racconigi

Castelo de Moncalieri

Castelo de Rivoli
O imponente Castelo de Rivoli ocupa uma posição estratégica no Valle di Susa e atualmente é a sede do Museu de Arte Contemporânea, tendo um acervo com inúmeras obras de grandes artistas. O museu mantém um histórico da arte contemporânea no mundo e um espaço para exposições sazonais, sendo seus aposentos trabalhados com afrescos interessantes que retratam um gosto eclético da nobreza, sendo duas salas decoradas com elementos da mitologia grega.




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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.