23 janeiro 2013

A espada excalibur de Siena


Nos arredores de Siena existem pequenos e antigos vilarejos entre rios, planícies e colinas que mantém intactos os vestígios de sua história. São muitos palácios e castelos que fazem parte do glorioso passado de Siena e ainda mantém no ambiente o perfume medieval e o espírito religioso que deu origem a muitas igrejas. Terra de contos de fadas e lendas, antigas tradições ainda estão presentes nos costumes do dia-a-dia.


Os vilarejos como Chiusdino e Monticiano estão imersos em grandes bosques, castanheiros, carvalhos e outras espécies. Essa é a parte mais verde da Toscana, protegida como reserva natural e onde há restrições de desmatamento. Nesses bosques muitos vão em busca de trufas brancas e cogumelos comestíveis. Consideradas como um diamante gastronômico, a caça às deliciosas trufas vão de setembro a dezembro sendo um dos ingredientes mais caros do mundo. 


A entrada nesses vilarejos estimulam a imaginação e a emoção de estar fora de seu próprio tempo, que se torna maior ainda quando se chega à Abadia de San Galgano. Solitária no campo e ao final de uma estrada de cipestres, a imensa construção cisterciense foi iniciada em 1218. 

O declínio da povoação monástica foi determinado pela fome em 1329 e depois pela peste bulbônica em 1348. O que a distingue a Abadia e faz parte do seu charme é a ausência do telhado que uma vez existiu mas foi vendido. À noite os efeitos de luzes criam um majestoso cenário para shows e eventos musicais. 


A Capela de Montesiepi situa-se numa colina nas proximidades da Abadia. Construída em 1183 por ordem do bispo de Volterra, é caracterizada pelo padrão redondo feito de tijolos. Ambas paredes da cúpula expressam um simbolismo que recorda memórias de etruscos, celtas e até mesmo de templários. Esta igreja foi construída em memória a San Galgano e está decorado com uma abundância de símbolos misteriosos e detalhada que se relacionam com o calendário solar.   

San Galgano nasceu em 1148 no pequeno vilarejo de Chiusdino e numa época da Idade Média cheia de violência e abusos. Com seu vigor e vitalidade, Galgano vivia para fazer valer seu espírito de dominação. Assim como outros cavaleiros, Galzano vivia sua juventude de forma frívola e arrogante. Com o passar dos anos, Galgano começou a perceber seu modo de viver e sentia angústia por não ter um propósito de vida. 


Neste estado de espírito, Galgano resolveu mudar de vida e se retirou para o Montesiepi. Revoltado com as atrocidades, ele abandonou o mundo comprometendo-se a viver como eremita. Aos 32 anos, como um sinal tangível de renúncia perpétua de todas as formas de violência, tomou a espada que antes ele usava e a cravou numa rocha com a intenção de usá-la como uma cruz para rezar. Um ano depois, Galgano faleceu e 4 anos mais tarde foi declarado santo pelo Papa. A espada é conservada como uma relíquia de San Galgano.

Na época medieval criaram-se muitas lendas sobre objetos tidos como mágicos e milagrosos. Alguns estudiosos apontam que existem detalhes semelhantes entre a história de San Galgano e a lenda do Rei Arthur e os Cavaleiros da Tavola Redonda, que associa o imaginário celta e cristão numa série de episódios místicos, mágicos e fantásticos sobre a vida do rei bretão. 

O lendário Rei Arthur foi descrito na literatura medieval como um rei que venceu os saxões e estabeleceu um império composto pela Grã-Bretanha, Irlanda, Islândia e Noruega. Os Cavaleiros foram os homens premiados com a mais alta Ordem da Cavalaria na corte e a távola ou mesa foi criada no formato redondo para que não tivesse cabeceira, representando assim a igualdade de todos.   

Dentre suas aventuras, conta-se que Excalibur era uma espada mágica encravada numa rocha por um antigo rei. Brilhando ao sol, poderia ser removida somente por aquele que iria ocupar o trono da Grã-Bretanha. Muitos tentaram, porém ela não se movia. Quando surgiu o jovem Artur, ele conseguiu retirá-la facilmente. Diante de tal milagre, ele foi coroado e assumiu o trono. 

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.