19 janeiro 2013

Reggello, um dos belos caminhos da Toscana



 


Entre Firenze e Arezzo há uma antiga estrada construída pelos etruscos. Quando os romanos conquistaram a Etrúria deram à estrada o nome de "Cassia Vetus", tendo sido durante a Idade Média uma das principais estradas que levavam os peregrinos de Firenze a Roma. Ao longo da estrada surgem inúmeras aldeias medievais, torres, castelos, antigas igrejas e casas de fazenda entre cipestres, uma característica marcante da Toscana. 

 
Dentre as pequenas comunidades que pertencem à Comunidade de Montanha Fiorentina tem destaque Reggello, que é considerada a capital do azeite ao redor de Firenze. A cidade, que era chamada de Castelvecchio di Cássia, se expandiu por estar desde a antiguidade na rota comercial entre Firenze e Arezzo. 


 

Sua construção mais importante é a Pieve di San Pietro que é uma mais interessantes igrejas do Val d'Arno pela qualidade das esculturas e seu estilo românico. Consagrada em 1073, a igreja conserva algumas obras artísticas raras.

Nas imediações há inúmeras igrejas, entre elas a Igreja San Pietro de Pitiana que foi construída antes do ano 1000, a Igreja de San Clemente em Sociana e a Igreja de Sant'Agatha em Arfoli que é a padroeira das mulheres que amamentam.

 

O Castello Bonsi está numa uma posição estratégica no meio das colinas verdes entre o Parque de Sammezzano e a Igreja de St. Agatha, uma bela propriedade embelezada por belas vinhas e olivais. Algumas vezes aberto ao público, pode-se visitar toda estrutura da prensagem de azeitonas para obter o melhor azeite da região. 
 

 

Mosteiro de Vallombrosa: O Mosteiro de Vallombrosa é um grande complexo situado numa bela floresta no entorno de Reggello. Em 1008 um nobre florentino saiu de Florença junto com um companheiro para encontrar um lugar mais isolado. Ele encontrou uma pequena ermida que se tornou o mosteiro.

Em 1015 os monges elegeram-no como seu superior nascendo daí uma nova congregação. Ao longo do tempo a ermida foi sendo ampliada e hoje no suntuoso complexo funciona a Congregação dos Beneditinos onde há uma série de mobiliários antigos.

No princípio do século 20 havia muitos hotéis e vilas na região que recebiam importantes hóspedes. A fama do complexo Vallombrosa-Saltino como um recurso para tratamento de saúde teve seu auge no início dos anos 1900 mas declinou após a guerra. A área arborizada de Vallombrosa é uma área protegida por ter uma valiosa coleção de plantas de interesse científico. 

 
 


Castello di Sammezzano: Imerso num bosque de sequóias, o Castello di Sammezzano é uma magnífica obra arquitetônica com uma extraordinária decoração hispano-mourisco. Construído sobre ruínas romanas de 200 a.C. o castelo pertenceu a várias famílias até ser comprado por Sebastiano Ximenes d'Aragona, um rico comerciante que fez fortuna no comércio com as Américas.

Depois de sua morte o castelo foi herdado por Ferdinando Panciatichi Ximenes d'Aragona, um  visionário e excêntrico que em 1889 projetou a transformação do castelo em “um sonho das mil e uma noites”. Com uma mistura de estilos, do mouro ao neogótico, o castelo tem inúmeras salas com nomes majestosos e decoradas com colunas, capitéis, arcos, cúpulas e arabescos coloridos.

 
 

 
 
 


O Marquês Panciatichi tinha a ideia de unir a arte ocidental e oriental. Apesar das críticas por sua ideia considerada bizarra para a época, ele lutou durante vários anos para concluir sua ideia. O curioso é que Ferdinando nunca tinha à Europa Oriental e toda arquitetura foi estudada apenas em livros, determinando o caleidoscópio de cores e formas extraordinárias.

Autodidata e intelectual ele foi mal compreendido por seus contemporâneos tendo vivido as esperanças e as desilusões de quem acreditava na Unidade da Itália. Decepcionado com a política, dedicou-se ao seu projeto e devido às zombarias ele deixou várias mensagens escritas nas paredes. 

 
 


Junto ao castelo também projetou um grande parque com árvores e plantas exóticas onde está o maior grupo de sequoias gigantes na Itália. Algumas construções serviam para embelezar o parque, como uma caverna artificial com uma estátua de vênus, piscinas, fontes e outras criações com azulejos decorativos.

Quase ao final da obra o marquês foi acometido de uma paralisia progressiva tendo falecido em 1897. O castelo ficou abandonado tendo sido saqueado e perdido os móveis, lustres, adereços, estátuas etc.

Depois da guerra, o castelo foi usado como um hotel de luxo até encerrar suas atividades em meados de 1990. O complexo permaneceu abandonado por 20 anos e recentemente formou-se um comitê com o objetivo de restaurar e promover o castelo por ocasião dos 200 anos de nascimento do marquês que acontecerá em 2013. 


 
 


Valle del Borro da Caverna: A região do Val d'Arno é cortada pelo Rio Arno que deu nome ao vale e percorre toda a região da Toscana. Entre o rio Arno e as colinas há várias formações de argila com centenas de metros formando desfiladeiros.

Chamados de Le Balze, foram formadas por erosão através do tempo estendendo-se por uma grande área. A grande atração é o "Valle del Borro da Caverna", sendo um local muito visitado pelo pessoal que sai passeando de bicicleta, mas também pode-se fazer o percurso em caminhadas. 

 

Monalisa: Próximo a Arezzo, na Reserva Natural de Buriano vivem muitas espécies raras da vida selvagem.  Sobre o Rio Arno a velha Ponte de Buriano construída pelos romanos é um trecho da estrada que coincide com a Rota de Vinhos de Arezzo.

Talvez a ponte passasse desapercebida se não aparecesse na famosa pintura de Leonardo da Vinci: Monalisa ou La Gioconda. Por trás do sorriso da Monalisa ao lado direito há a imagem de uma ponte com as mesmas características de Buriano.

Do lado esquerdo aparecem as montanhas de argila que pertencem à paisagem toscana. A reconstrução da perspectiva permitiram definir o ponto de observação que foi localizado no castelo de Quarata, uma aldeia bem perto da ponte que era bem conhecida de Leonardo da Vinci. 


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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.