08 janeiro 2013

Pantelleria, a pérola negra do mediterrâneo



Pantelleria é uma das maiores ilhas da Sicilia, sendo o topo de uma montanha de lavra vulcânica que emerge do mar. Localizada entre a Itália e a Tunísia, devido à cor do solo e das pedras a ilha é chamada "Perola Negra do Mediterrâneo".

Com invernos suaves e verões brilhantes, sob o calor do norte africano Pantelleria é um paraíso de cores, aromas e fragrâncias. As paisagens entremeadas pelo verde das plantações e pedras negras contrastando com o azul do mar é o lugar perfeito para quem quer fugir das aglomerações urbanas e sentir todo o potencial da natureza pura. 

 


O ponto mais alto da ilha é a Montagna Grande, uma antiga cratera a quase 840 metros de altitude que faz parte do Parque Natural. Centenas de espécies de plantas típicas do Mediterrâneo criam paisagens memoráveis que são os locais preferidos de várias espécies de aves migratórias que se deslocam entre a África e Europa. Pelos céus voam inúmeras aves entre cegonhas e falcões, enquanto garças, patos e flamingos procuram as lagoas. 

Localizada a aproximadamente 110 km de Trapani e a 70 km da África, o acesso à ilha é feito por via aérea partindo de Palermo, Roma e Milão e também por Ferries e barcos que partem de Trapani e Marsala. A ilha tem dois portos: um em Pantelleria onde chegam os navios turísticos e outro em Scauri de onde saem alguns barcos de pesca e barcos de turismo. Existem outros cais na ilha, mas somente para embarcações pequenas.



O marco principal do porto de Pantelleria é o Castello Barbacane que provavelmente seja da época dos romanos. Paradisíaca e deserta, a estrada que percorre em volta da ilha passa por diversas aldeias como Gadir que é um pequeno porto de pesca e Punta Spadillo onde está o farol. Nas estradas longas e sinuosas estão várias cabanas de pedras abandonadas entre figos em ramos selvagens e oliveiras.  

No trecho entre Punta Polacca e Punta Duce estão as mais belas grutas mas que só podem ser exploradas em pequenas embarcações. Esta é a parte mais espetacular da costa, com altos rochedos. Saltalavecchia situa-se sobre o alto do penhasco de onde se tem uma impressionante vista para o mar e do alto da Montagna Grande pode-se visualizar toda a região.



Na antiguidade essas terras foram habitadas pelos fenícios e talvez por povos vindos da Tunísia. A ilha era um local de grande importância devido à abundância de obsidiana, um material que era muito utilizado na pré-história e considerado na época o ouro negro. Sítios arqueológicos na ilha e subaquáticos mostram que diferentes povos utilizavam a ilha para o comércio entre a África e a Sicília. 

Na ilha há monumentos funerários chamados Sese e no fundo do mar há ânforas, vasos e outros vestígios de diversos povos que estiveram na ilha. Os antigos árabes que habitaram a ilha deixaram sua influência no dialeto, nas tradições e costumes. Várias localidades e praias da ilha possuem nomes árabes, mas também outros povos como os turcos, espanhóis e corsários estiveram na ilha que foi um reduto de piratas por 100 anos, entre 1450/1550. 


Em volta o mar é cristalino com um fundo de corais raríssimos de onde emergem diversas nascentes quentes perto da costa formando piscinas termais. Através do passeio de barco pode-se descobrir muitas belezas da ilha. Das cavernas naturais emanam jatos de vapor com temperatura elevada formando saunas naturais.

As pedras de lava preta constrastando com o intenso azul do mar revelam pequenas enseadas e estranhas formas de rochas que alimenta a imaginação, ora em forma de monstros, ora em forma de animais. Uma dessas rochas é o Arco do Elefante que é a mais famosa da ilha.

As costas ao redor da ilha são frequentemente visitadas por baleias, golfinhos e grandes arraias. Nessas águas há uma variedade de peixes como garoupas e lagostas além dos recifes de corais de vários tipos, inclusive o raro coral preto. As algas são abundantes nas costas inteiramente rochosas e em vários pontos há altos penhascos e costões que mergulham no mar. 


Entre as várias nascentes de águas termais a mais importante é Specchio di Venere ou Espelho de Vênus, que é a única praia da ilha. As águas do lago ocupam a cratera de um vulcão desativado tendo temperaturas variando entre 40 a 50º. A lama negra natural é rica em nutrientes devido às algas e contém propriedades medicinais.

Após o mergulho nas águas quentes do lago que são saturadas de enxofre, a lama recolhida do fundo é espalhada sobre todo o corpo. Enquanto a lama seca, as pessoas aproveitam para caminhar pela praia. Ao ser retirada a lama seca, depois do banho a pele se torna lisa e rejuvesnecida. Segundo lendas, Vênus - a deusa da beleza da mitologia grega - teria se admirado nas águas do lago concedendo rejuvenescimento e beleza a quem ali se banhasse. 


Um dos símbolos de Pantelleria são os Dammusi que são as casas feitas de pedras com telhados em forma de cúpula para aproveitar a água da chuva. Essas construções em forma cúbica tem origem incerta, mas provavelmente foram construídas pelos árabes. Distinguidas pela cor branca que normalmente cobrem as paredes, essas charmosas casinhas foram reconstruídas após os bombardeiros durante a Segunda Guerra Mundial.

Agrupadas no entorno do porto e espalhadas pela ilha, os Dammusi tem corredores descobertos chamados Passiaturi que ligam diferentes ambientes. Embora haja hotéis na cidade, muitos turistas se hospedam nos Dammusi que foram convertidos em residências de verão. Totalmente equipados com mobílias modernas, nos Dammusi há luxuosos lounges e gazebos porém sem água potável.  Só há água dessalinizada para limpeza e água engarrafa para alimentação. 


Devido ao clima quente temperado pelos fortes ventos que vem do mar, os antigos árabes chamavam a ilha de Bent El Riah ou Filha do vento, tornando a ilha um lugar ideal para praticar vela e windsurf. Existem vários locais que alugam equipamentos para esportes náuticos e mergulho, além dos instrutores que acompanham os turistas.

E se o vento forte é bom para os esportes, para as plantações impede o crescimento das árvores, principalmente das oliveiras. Por isso há muito tempo foram construídos diversos jardins cercados com muros de pedras para proteger as diversas plantações das encostas, tal como os cítricos, figueiras, damascos e as famosas alcaparras que é um dos produtos típicos do lugar e enchem os campos de delicadas flores.


O cardápio de Pantelleria é feito com os produtos orgânicos da própria terra, que são pacientemente cuidados desde a semente sem nenhuma contaminação. Na ilha há mais agricultores do que pescadores. Não há abundância de água potável mas graças as características do solo, lentilhas, alcaparras, oréganos, tomates, cebolas, berinjelas, batatas e alho prosperam e conferem aroma e sabor diferentes aos peixes e massas. Também em Pantelleria pode-se encontrar os famosos Cannoli e outras sobremesas sicilianas. 

Devido a terra de origem vulcânica, o terreno é fértil para as videiras que dão origem a vários vinhos entre eles o famoso Passito di Pantelleria, um vinho espumante de excelente qualidade apropriado para acompanhar sobremesas. O Passito é feito a partir da uva Zibibbo que originalmente foi introduzida na ilha há seculos pelos árabes. É a única variedade de uva cultivada em terreno íngreme da ilha e, apesar de não haver água para irrigação as videiras conseguem sobreviver ao vento e sol forte até amadurecer à perfeição. Um dos roteiros turísticos da ilha são as visitas aos vinhedos, à adega e degustação de vinhos.

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.