06 agosto 2013

Foggia, terra de aromas e sabores únicos



Pouco conhecida como destino turístico, a cidade de Foggia e suas imediações na região da Puglia reservam belezas incomparáveis e muitas curiosidades. Esse é um lugar para quem gosta de explorar o inusitado e fora do comum, seja através de sua história como através de suas tradições e cultura.


 


Celeiro da Itália: A cidade é perfeita para quem aprecia a boa comida. Chamada de "Celeiro da Itália" devido à alta produção de trigo ou grano duro, da região de Foggia saem quase todos os tomates para a Europa, além de azeites, azeitonas, queijos, vinhos, licores, carnes, salames etc.

Muitos produtos dessa região possuem certificados de garantia de qualidade e são reconhecidos internacionalmente. Terra de aromas e sabores únicos, dos fornos das padarias que ficam abertas até a noite, saem deliciosos pães, focaccia e scaldatelli que podem ser saboreados ainda quentinhos. 



 


Centro da cidade: A primeira impressão que se tem é de uma cidade cosmopolita, de avenidas largas e arborizadas, praças amplas e elegantes prédios altos, exceção a uma pequena parte antiga da cidade de ruas estreitas e prédios antigos.

Ao longo de sua história a cidade foi destruída diversas vezes por terremotos, sendo que o último ocorrido em 1731 destruiu grande parte da cidade. Anexada ao reino da Itália em 1860, durante a Segunda Guerra Mundial a cidade foi bombardeada pelas forças aliadas, sendo gravemente danificada além de provocar a morte de 20.000 civis.

Apesar de tanta destruição, Foggia ainda conserva evidências históricas e arquitetônicas de seu ilustre passado. A cidade foi reconstruída diversas vezes e muitas construções antigas foram restauradas, por isso há novas estruturas que amparam antigas construções e arquiteturas modernas que se alternam com casas e prédios históricos.  

Há importantes palácios em toda a cidade que fazem parte da história da cidade, tal como o Palazzo Arpi, o Palazzo Marzano que é o mais antigo, o Palazzo della Dogana, Palazzo dell'Acquedotto, Palazzo Buongiorno, Palazzo Celentano Rosati, Palazzo Concettina Figliolia, Palazzo Siniscalco Ceci, Palazzo De Vita De Luca, Palazzo delle Poste e tantos outros.   

 
 

 
 
 


Villa Comunale: A cidade tem inúmeras e belas praças, entre elas a Piazza Cavour que é considerada o coração da cidade. Nela está a Fontana del Sele, que foi inaugurada em 1924 para celebrar a chegada de água na cidade. Da praça fazem parte elegantes palácios e o grande Pórtico da Villa Comunale.

A Villa Comunale é um imenso jardim público que teve origem em 1820 quando foram criadas obras de terraplanagem para eliminar partes insalubres. É um espaço de lazer com mais de 1.000 metros de comprimento por 50 metros de largura, onde uma fileira de árvores formam uma avenida com fontes, cachoeiras e estátuas que embelezam os jardins.  


Piazza Itália
 
 
 
Praças: Na histórica Piazza Itália está o Memorial dos Soldados Mortos na 1a. Guerra Mundial. Uma das mais antigas é a Piazza XX Settembre, que foi construída em 1762 por ocasião da conclusão do Palazzo della Dogana. Outras tem destaque pela importância de seus prédios históricos, como a Piazza Del Purgatório e a Piazza Federico II.
 
 


Teatro Giordano: Em Foggia nasceu em 1867 o compositor italiano Umberto Giordano. Com seu grande talento, ele sempre esteve presente no Conservatório do antigo palácio do imperador. Foi-lhe dedicada uma praça onde está sua estátua em bronze, além de referências aos seus trabalhos mais famosos. O nome dado ao Teatro Giordano também presta homenagem ao compositor. 



Centro histórico
 
Centro histórico
 
Centro histórico
Centro histórico
 
Centro histórico: O centro histórico localizado no coração da cidade ainda preserva a imagem típica de uma cidade medieval. A Via Arpi que corta o centro histórico foi a primeira área do assentamento urbano e permite desvendar uma série de vielas de pedras que levam aos cantos mais secretos e fascinantes da cidade. Essa área tem a forma espinha de peixe, algo típico de aldeias medievais. Ainda existe uma das antigas entradas da cidade chamada Tre Archi di Porta Grande.  

Foi na Via Arpi que Frederick II, Imperador do Sacro Império Romano, construiu seu palácio em 1223. Ele foi um dos governantes mais importantes da Idade Média, tendo legado um enorme patrimônio arquitetônico para o mundo. Muitas de suas construções estão espalhadas por todo o sul da Itália, principalmente na região da Puglia onde construiu catedrais, fortalezas, palácios e castelos, tal como Castel del Monte que foi sua obra-prima.

Culto, interessado nas ciências e artes, muitas vezes o Imperador escrevia para os principais estudiosos da época pedindo soluções para as questões de ciência, matemática e física. Também tinha grande curiosidade em conhecer as estrelas, tendo recebido em sua corte o famoso astrólogo Guido Bonatti.

Quando desistiu de participar de uma cruzada, o imperador foi considerado anti-cristão e excomungado pelo Papa. A cidade se tornou hostíl ao imperador, por isso ele destruiu partes das paredes que cercavam a cidade. Um terremoto aniquilou o resto. No lugar da antiga moradia imperial foi construído o Palazzo Arpi onde hoje funciona o museu cívico. 

 

 



Catedral / Madonna dei Sette Veli: Pela região de Foggia passava a antiga Via Appia, também chamada Regina Viarum ou Rainha das estradas, que ligava Roma até o sul da Puglia e terminava em Brindisi. Construída pelos romanos em 264 a.C., era um local de passagem de mercadores, pastores, peregrinos e nobres.

Segundo a tradição popular, quando pastores passavam com suas ovelhas pela estrada eles encontraram num poço a imagem da Madonna dei Sette Veli ou Nossa Senhora dos Sete Véus. Supõem-se que, por algum motivo, em tempos antigos os monges tenham enterrado essa imagem envolta em véus para evitar que fosse destruída.

Essa descoberta acabou atraindo milhares de peregrinos, que permaneceram na região dando início à cidade em torno do ano 1000. A Catedral de Foggia é dedicada à Nossa Senhora dos Sete Véus. Em 1080 foi construída a Cripta Succorpo onde a santa era venerada. Posteriormente surgiu a Catedral que foi destruída pelo terremoto de 1731. A igreja foi reconstruída tendo destaque sua torre sineira.

 


 
 
 
Capelas do Monte Calvário

Igreja Monte Calvário: Existem em Foggia muitas outras igrejas que pertencem à história da cidade e relembram o esplendor do período medieval. Dentre elas a Igreja das Cruzes, também chamada Igreja Monte Calvário, é um dos mais fascinantes monumentos de Foggia que foi construída em 1693 devido a um acontecimento milagroso.

Um capuchinho chegou na cidade numa época de muita seca. Depois de sua pregação, a chuva caiu e as colheitas foram salvas, por isso o frade plantou sete cruzes ao longo do caminho de uma procissão penitencial. Posteriormente no local foi construída uma igreja com um arco triunfal e no lugar de cinco cruzes foram construídas cinco capelinhas. 


 
 


Santuário dell'Incoronata Arpinova: Perto do centro da cidade está o Santuário dell'Incoronata Arpinova que tem importante valor histórico, arqueológico e religioso. O Santuário é dedicado à Virgem Negra que dizem ter aparecido para um fazendeiro em abril de 1001. Junto da aparição havia uma lamparina, cuja chama se mantinha acesa e nunca consumia o óleo.

A festa da aparição de Nossa Senhora acontece a cada ano em abril, atraindo milhares de peregrinos. Por Foggia também passam desde a Idade Média milhares de peregrinos, que se dirigem a Monte Sant'Angelo onde está o Santuário de São Miguel Arcanjo. Este é o mais antigo santuário de Gargano e da Europa Ocidental. 



 


Sítios arqueológicos: Na antiguidade a cidade era chamada de Fovea, que deriva dos silos que armazenavam o trigo. Essa região fazia parte da Magna Grécia, que foi um dos centros mais brilhantes da civilização grega, a partir de onde se difundiram as concepções culturais e religiosas gregas para Etruscos e Romanos.  Em 1089 passou oficialmente a ser chamada Foggia.
 
A região está repleta de vários sítios arqueológicos. Em 1943 um oficial estava observando algumas fotos aéreas para encontrar posições inimigas, quando descobriu Passo di Corvo. Após a guerra, ele explorou o local e se tornou um arqueólogo, mas faleceu antes de terminar as escavações que foram retomadas em 1965.

E assim foram descobertas mais de mil aldeias que datam de 7.000 a 5.000 passados onde foi possível observar os modos de vida e algumas técnicas utilizadas na antiguidade. Por sua dimensão e importância, foi criado o Parque Arqueológico que pode ser visitado com acompanhamento de guias do Museu de Foggia. Os traços arqueológicos permitiram recriar uma antiga aldeia.

 
 


Parque Nacional de Gargano: Foggia é o ponto de partida para a área montanhosa coberta de florestas no Parque Nacional de Gargano e também para outras pequenas cidades no litoral, como a Manfredônia, Mattinata, Vieste, Peschici que recebem um grande número de turistas em suas praias.

Essa é uma das áreas mais atraentes no sul da Itália, com suas surpreendentes paisagens, campos verdes e altos penhascos com vista para o mar de águas cristalinas. Acessíveis de barco, estão as belas Ilhas Tremiti e acolhedoras vilas que possuem bons restaurantes de onde saem deliciosos peixes e vinhos caseiros.


3 comentários:

  1. Bom dia, gostaria de saber se existe alguém em Foggia com o sobrenome de Guarantino, moro no interior do estado de São Paulo e pesquisei sobre o navio que desembarcou em Santos em 1901 com meu tataravô Alfonso e família saindo de Gênova para o Porto de Santos e de lá para Ribeirão Bonito, grata

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  2. Bom dia, gostaria de saber se existe alguém em Foggia com o sobrenome de Guarantino, moro no interior do estado de São Paulo e pesquisei sobre o navio que desembarcou em Santos em 1901 com meu tataravô Alfonso e família saindo de Gênova para o Porto de Santos e de lá para Ribeirão Bonito, grata

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  3. Querida Sonia: Gostaria muito de ajuda-la, mas infelizmente não tenho informações sobre sobrenomes. Abraço, Lucia

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.